28 setembro 2007

ADELINO MOREIRA

Nascido na cidade do Porto, em Portugal, Adelino Moreira veio com um ano de idade para o Brasil com sua família, instalando-se no subúrbio carioca, em Campo Grande. Abandonou cedo os estudos para acompanhar o pai no ramo da ourivesaria, mas logo descobriu que não levava jeito para a coisa.

Em 1938, aos vinte anos, resolveu aprender bandolim, e depois guitarra portuguesa. Em 1942, seu pai começou a patrocinar o programa Seleções Portuguesas na Rádio Clube do Brasil, comandado pelo maestro Carlos Campos, e lá, Adelino começou a cantar. Em 1945, foi convidado por João de Barro, diretor da Continental na época, para gravar os fados Olhos d'alma e Anita, o samba Mulato artilheiro, e a marcha Nem cachopa, nem comida, todas de sua autoria.


Voltou para Portugal em 1948, onde gravou diversas músicas brasileiras como intérprete.

Em 1952, conheceu o maior parceiro de sua vida, Nelson Gonçalves. A maioria das músicas que Nelson gravou eram obras de Adelino, e que viraram sucesso, como, A volta do boêmio, Meu vício é você, Fica comigo esta noite, Escultura, A flor do meu bairro, Negue, Queixas, Chore Comigo, dentre inúmeras outras. Tiveram uma briga no final da década de sessenta, mas em 1971 já estavam com a parceria retomada.

Também na década de sessenta, muitos cantores interpretaram as lindas e tristes letras de Adelino, como, Ângela Maria, Carlos Galhardo, e Orlando Silva.

Em maio de 2002, sua esposa encontrou-o estirado no chão da cozinha por culpa de um infarto fulminante, morria ao 84 anos, em Campo Grande.

Na minha opinião, um dos maiores compositores da história, com letras maravilhosamente sofridas.

Seguem duas de minha preferência:



CHORE COMIGO

Estou mais triste
Nesta triste noite fria
Sem esperança
Que ela volte para mim

Minha saudade
Transformou-se em agonia
Estou mais triste
Neste triste botequim

Beba comigo
Companheiro de tristeza
Traga seu copo
E sente-se à minha mesa

Chore comigo
Esse pranto emocional
Não se envergonhe
De chorar perto de mim

Porque a lágrima
É o desabafo natural
Entre dois copos
E a mesa de um botequim

Liberte o peito
Do amargor e da revolta
Com mais um trago
Deste traçado de anis

Faça como eu
Acostume-se à derrota
Pois a vitória
Não pertence ao infeliz



A FLOR DO MEU BAIRRO

A flor do meu bairro
Tinha o lirismo da lua
Morava na minha rua
Num chalé fronteiro ao meu

Eu conheci
O seu primeiro amor
A sua primeira dor
E o primeiro erro seu

Lembro-me ainda
O bairro inteiro sentiu
A flor ingênua sumiu
Com seu amor, o seu rei

E eu que era
Seu primeiro namorado
De tão triste e apaixonado
Nunca mais me enamorei

Hoje depois de alguns anos
Eu encontrei-me com ela
Na rua dos desenganos
Menos ingênua e mais bela

Ela fingindo desejo
A boca me ofereceu
E eu paguei por um beijo
Que no passado foi meu

A minha história é vulgar
Mas algo fica provado
Nem sempre o primeiro amor
É o primeiro namorado.

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