11 Novembro 2009

O RÁDIO NÃO PAROU

Enquanto o final da série de Petrópolis não sai (sairá em breve, prometo), quero escrever um pouquinho sobre o apagão de ontem.

Por volta de dez da noite tudo ficou às escuras, grande parte do Brasil e algumas localidades do estrangeiro. Eu, como estava acordado e sem sono, resolvi me entreter escutando as notícias. A única opção era o rádio. Coloquei na Super Rádio Tupi, onde Luis Penido narrava Campinense e Vasco. De imediato as notícias começaram a chegar e o jogo ficou em segundo plano. Vinham notícias do Paraguai, São Paulo, das Minas Gerais, Recife, Mato Grosso e várias outras localidades que estavam sem energia elétrica. Até que Penido, no meio das notícias, interrompeu tudo para fazer um comentário:

- Ai meu Deus! Esqueci que hoje é aniversário da minha prima Nazaré. Ô Nazaré, canta os parabéns mas não apaga as velinhas não!!!

Quero dar os parabéns para a Super Rádio Tupi, a ÚNICA que não saiu do ar nem por um minuto que seja, sempre dando informações precisas de forma descontraída.

Na minha casa, o rádio de pilhas e meu telefone preto de discar, da década de quarenta, foram os únicos que sobreviveram.

Até.

04 Novembro 2009

O AMOR ACABA EM PETRÓPOLIS - parte 2

Pois bem, no dia seguinte o Conde acorda cedo, vai rapidamente ao correio para enviar umas correspondências, e se manda para Petrópolis com seu fusca. Eram mais ou menos dez da manhã, não tão cedo quanto pretendia. Não acreditava de jeito algum na versão esquisita de seu amigo. Aliás, Orlando, não lhe telefonou como havia prometido. Andava meio despirocado por causa das sucessivas desilusões amorosas, e gastava todo o soldo com as meninas da Prado Junior. Chegava sempre altas horas da madrugada em casa, quando chegava mas era um bom rapaz.

Conde subia a serra pensativo, com a imagem de sua amada em sua mente e escutando Antônio Marcos através de seu "RoadStar". Quanto mais se aproximava da cidade, um frio na barriga aumentava como se estivesse com medo. Mas medo de quê se achava que tudo não passava de conversa fiada? A viagem curta pareceu que durou duas semanas, mas enfim, estava ele diante da vila de Elizabeth. Eram quase meio-dia. Por um momento Conde hesitou em sair do carro, e depois do abre-e-fecha porta, resolveu ficar. Não sabia o que falar sobre sua visita inesperada, já que não levava jeito algum para imprevistos. Saiu com o fusca e o estacionou numa ruazinha logo ali perto, coisa de uns cem metros. Várias coisas vinham em sua cabeça, inclusive voltar para o Rio, pois estava começando a ficar seriamente arrependido. Qurendo diminuir o nervosismo, sacou um Belmont da carteira e começou a tragar como um louco enquanto andava em direção à rua Colômbia.

Para sua surpresa, flagra Beth saindo de casa, toda arrumada diga-se de passagem. Hesita mais uma vez, e fica naquela lenga-lenga de vai-não-vai, chegando a tropeçar. Não chama sua amada, mas resolve segui-la sem que ela perceba. Beth parece apressada e anda com desenvoltura e elegância pelas ruas de Petrópolis. Está com um vestidinho amarelo na altura do joelho, bem atirada, como Conde nunca havia visto. Depois de uns vinte minutos de caminhada ela entra num prédio. Ele fica do lado de fora e prontamente resolve entrar num boteco localizado bem defronte ao edifício. Café e Bar Imperial. Mal põe os pés sobre o chão gasto do bar, e recebe um tapa nas costas que veio seguido de um urro:

- Grande Conde!!! Salve, salve.

Era Coelho, o velho motorista e amigo de épocas passadas. Ele estava de folga e bebia um cervejinha. Conde precisava dividir sua aflição com alguém e acabou contando seu problema para ele. Coelho, que estava na casa dos sessenta, ao saber da situação ficou meio sem jeito, mas tentou acalmá-lo. Conversaram umas três horas seguidas e nada de Beth. Coelho precisava ir embora e o rapaz desesperado não queria deixá-lo, mas não deu para segurar o coroa.

Beth só reaparece muito tempo depois, bem sorridente, com ar de mulher madura e independente. Alternando passos ligeiros e pequenas corridas, toma direção de sua casa, e pouco tempo depois já está entrando pelo portão. Conde, que novamente a seguia, resolve entrar também, para suspresa geral.

-Você por aqui, meu filho? Indagou o velho Oliveira.

- Pois é, saudades da Beth.

- Você é sortudo mesmo, ela acabou de chegar da faculdade, está no banheiro.

- Faculdade? Ah! Sei, sei.

Três minutos depois a moçoila surge na sala com o sorriso mais lindo do mundo, e corre de braços abertos para seu amado ao gritos...

- Meu amor!!! Que surpresa! Sempre querendo me agradar!

E Conde:

- Como foi sua aula?

- Foi muito proveitosa hoje, aprendi muita coisa.

Conde se dá conta que está amando uma mentirosa, e também que Orlando não é loroteiro. Um frio na espinha toma-lhe conta, ele tem que agir rapidamente.

[continua]

25 Outubro 2009

O AMOR ACABA EM PETRÓPOLIS - parte 1

Em 1970, já acostumando com o Rio de Janeiro depois de dez anos vivendo na cidade maravilhosa, Conde conheceu seu primeiro amor. Desde que desembarcou de navio em plena Praça Mauá em 1958 tem este apelido, não me pergunte o motivo. Talvez o tenha desde garoto. Vive dizendo da surpresa e maravilha que foi ao desembarcar no porto carioca, muita movimentação, trabalho, vida e rabos opulentos balançando.

Mas como escrevi nas primeiras linhas, foi em 1970 que seu coração foi apunhalado por uma garota. Conde conheceu Elizabeth Marques de Oliveira na Av. Mem de Sá, ao lado da hospedaria em que morava. Elizabeth era figurinha fácil no pedaço, já que seu pai, o velho Oliveira, tinha comércio na rua, a famosa sapataria Motinha. Começaram naquela conversa de encontros repentinos, mas logo estavam de mãos dadas por aí. O jovem gringo sempre a levava para beber um cubalibre no fim de tarde em Copacabana, mas com a condição de trazê-la no portão do prédio às 22 horas em ponto. O velho Oliveira gostava muito de Conde, mas fazia questão dos bons costumes. Beth, vou chamá-la assim, morava no Estácio, na rua Sampaio Ferraz. Ela era realmente encantadora, e sempre usava vestidos, sempre, da mesma forma que laços no cabelo. Parecia uma boneca, dava vontade de tocar, e Conde estava hipnotizado por ela.

Aproveitaram aquele ano com muita voracidade, como se fosse o último de suas vidas. Viram juntos a chegada de nossa seleção após o tri campeonato mundial de futebol, no meio do povo, nas escadarias da biblioteca nacional. Enquanto Pelé e companhia passavam em carro aberto pela Av. Rio Branco, os dois jovens trocavam beijos calorosos, quase deixando aquele momento tão esperado por tantos brasileiros escapar de seus olhos e entrar na memória para sempre. Também fizeram juntos uma viagem inesquecível para Niterói, passando antes por Magé. Conde pegara o Vemaguette de um amigo emprestado para este passeio. Foi um momento mágico para Beth, pois estava pisando em um lugar diferente, e ao lado do homem que a deixava nas nuvens. Sentiu-se pela primeira vez uma mulher. Outra coisa que sempre faziam nas folgas de Conde era o piquenique em Ponta Negra. Como eram felizes, formavam um casalzinho perfeito mesmo.

No fim deste ano, Beth teve que se mudar com a família para Petrópolis, pois seu irmão mais velho, o Germano, andava tendo umas atitudes que os gorilas não gostavam muito. Portanto, perigava ser recolhido para uma tortura ou mesmo para sumir do mapa. Foi um notícia muito ruim para o Conde, pois Petrópolis não era ali na esquina, e o dinheiro da condução teria que sair do seu bolso.

Mas isso não foi empecilho para ele, que começou seu cotidiano de idas e voltas à cidade imperial. O endereço da moçoila era rua Colômbia 142, casa 4, bem defronte ao Palácio Quitandinha. Com esta mudança Conde teve que trabalhar mais para almejar uma aumento de ordenado, já que os gastos eram maiores agora. O seu patrão, seu Domingos, que era também seu cunhado (casado com Maria, sua irmã), viu o esforço e o tamanho do amor do rapaz e não tardou em promovê-lo. Conde trabalhava de camareiro num restaurante em Copacabana e logo virou maitre.

Depois de uns dois meses Conde já achava Petrópolis ali do lado. Ficara amigo do Coelho, motorista do ônibus que sempre o levava, e com quem conversava durante a curta viagem. Mesmo quando os assentos já estavam totalmente ocupados, Coelho o deixava entrar. Algumas vezes, devo frisar que poucas, Conde perdia o ônibus, mas não desanimava. Pegava taxi, sim, taxi. Apesar do golpe duro em seu bolso, valia a pena, já que o amor não tem preço. Conde estava feliz, e Beth, apesar da falta de costume inicial, acabou gostando da cidade. Os dois juntos construíam sonhos bonitos, e tinham a certeza de um futuro a dois debaixo do mesmo teto.

Dois anos depois, em 1972, Conde já estava como gerente, e comprara um fusca de segunda mão, de cor laranja, placa CQ-1491. O trabalho aumentara bastante, e mesmo possuindo um automóvel não tinha o tempo livre de outrora. Não podia mais visitar sua pequena com a frequência que desejava. Aumentaram seus gastos de telefone, mas o invento de Graham Bell não lhe trazia o cheiro de menina-mulher que vinha das curvas de Beth, que acabara de completar vinte anos. Isso o perturbava, mas fazer o quê?

Um certo dia, um amigo do peito foi ao restaurante e chamou-lhe para uma conversa reservada. Como o local estava vazio, Conde tirou dois chopps com colarinho e sentaram-se. Pelo esgar de seu amigo percebeu que o motivo da prosa não era muito bom, e antes que Orlando (eis o nome do caboclo) pudesse soltar alguma meia palavra de sua boca, resolveu pegar um pratinho com picles. Depois disso, Orlando foi direto:

- Conde, você precisa rever seu romance com a Elizabeth...

- Não temos um romance, e sim um relacionamento.

- Que seja, Conde, mas acho que algo não está certo.

- Como assim, Orlando! Que porra é essa?

- Sabes que tenho família em Petrópolis, e quando posso estou por lá. Ontem conversava com a mulher do meu irmão, a Alzira, e ela andou me falando umas coisas que não gostei muito...

- Sem delongas, Orlando, sem delongas! Caralho, fale logo de uma vez homem infeliz!

- É que a Alzira disse que viu a Beth no Petrópolis Tênis Clube no maior amasso com o Alberto, um cara metido a rico que não passa de um playboy filho-de-papai.

Conde se levanta num rompante, e sem medir a força que aquela exasperação havia lhe dado, arrebenta a mesa com um soco assustador. Depois complementa aos brados:

- Não pode ser. Não acredito, nós nos amamos e vamos nos casar, porra. Deve ser um engano, Orlando. A vadia da Alzira não usa aquele "fundo de garrafa" pra poder enxergar um palmo diante o nariz? Então deve ter sido engano!

- Pode ser, Conde, mas ela me deu certeza, estou apenas te alertando.

- Vou subir a serra amanhã pela manhã, tenho que ver isso de perto, com os meus olhos.

Orlando tenta acalmar seu amigo, mas em vão, e depois vai embora prometendo ligar no dia seguinte bem cedo.

A cabeça de Conde se enche de minhocas, o dia para ele acabou-se ali.

[continua]

05 Outubro 2009

CRISE BELGA NA RUA DO ROSÁRIO

Como podem ver, a coisa anda muito lenta por aqui, e deve continuar assim por algum tempo.

Hoje resolvi aparecer rapidamente para mostrar uma imagem realmente impressionante. Durante plena crise belga no querido bar Alfarabi do meu amigo Carlinhos, pude captar este momento de meditação entre os três mosqueteiros da rua do Rosário. O bar já estava fechado, e cervejas belgas, alemãs, escocesas e argentinas eram derrubadas sem dó enquanto se falava de política, amizade, futebol, música e cerveja. A cada gole era um suspiro. Pelas caixas de som se ouvia o que há de melhor do nosso samba, como Luis Carlos da Vila e o partideiro Aniceto, e muita música cubana.


Pensativos ao som de Bola de Nieve.


Carlinhos
, Simas, Alvinho Marechal e eu fizemos uma festa, estávamos em estado de graça trancafiados em plena noite de sábado na rua do Rosário.

Quando Ibrahim Ferrer soltou sua voz em Perfídia o Marecha não resistiu e començou a dançar como criança acompanhado pelo Carlos Alves.




Beber com amigos é uma das coisas mais importantes do mundo. Felizes são os homens que têm mulheres que entendem isso.

Vida longa ao Alfarabi.

Até.

24 Setembro 2009

SALVE A CRIANÇADA

Queria ter o tempo livre das crianças da imagem abaixo, que brincam felizes da vida.

Nestes últimos dias não consegui tempo para nada além do trabalho, mas o fim de semana se aproxima, e isto está me animando. Domingo é dia de distribuir doces para a garotada, e tenho certeza que será um barato.

Só para não ficar em branco, deixo-vos esta foto da gloriosa Praça Saenz Peña, em 1968, onde a gurizada se divertia a valer!


Logo logo atualizo o blog.

Até.

18 Setembro 2009

RAPIDINHAS

* Hoje o America da Campos Sales faz aniversário, são 105 de histórias, glórias e alegrias. Desde às oito da manhã de hoje as festividades estão acontecendo na sede. Hasteamento do pavilhão com a participação da banda da marinha, missa e café da manhã colonial. Tia Ruth, nossa torcedora símbolo, será homenageada.

Amanhã jogaremos em casa contra o Profute às 16 horas, e entraremos em campo sob queima de fogos. Antes haverá a tradicional feijoada do Mecão para que a torcida encha a pança e se divirta durante mais uma vitória.

* Aliás, por falar em campeonato carioca da série B, confesso que estou de saco cheio disso. Como é chato este troço. Estamos a dez pontos diante do segundo colocado, e tenho que acompanhar o meu America jogar com equipes que nunca ouvi falar. Definitivamente, este não é o lugar do America. Nossa torcida, que para os que não sabem, anda se renovando bastante, marcará presença no Maracanã em 2010 na série A do estadual e dará muito trabalho. Temos que acreditar.


* Visitem o blog BUTECO DO EDU. Está de visual novo, com as cores do America. Meu amigo do peito que comanda o Buteco, o Eduardo, foi quem clicou a foto acima na arquibancada do Figueira de Mello.

Saudações rubras.

14 Setembro 2009

MODA DE BOTEQUIM 3

A semana que entra promete ser bastante regada a líquido que passarinho não bebe. O calor se aproxima de forma violenta e as cervejas e chopps estão descendo mais fácil que água da montanha. Nossas mulheres têm que entender, é impossível deixar de marcar ponto num bar qualquer.

Foi o que fez neste fim de semana o seu Camargo. Enquanto se divertia num boteco tijucano, deliciava-se com sua dose de 51, Dreher e catuaba (vejam a bebida pousada na maquineta). Uma espécie de rabo-de-galo, mas que ele chama de susto no fígado.

Quero pedir a atenção de vocês para a bolsinha inseparável do velho boêmio da zona norte. O caboclo estava de sapato branco (lembrou-me o saudoso Jacinto Figueira Junior), bermuda de linho com um vinco impecável, camisa social branca, e a tal bolsinha. Deixou todos que estavam na birosca com uma inveja danada de sua portenta capanga.

Se alguém aparecer na novela das oito com algo parecido, já sabem que estão copiando a moda.




Boa semana.

Até.

11 Setembro 2009

11 DE SETEMBRO ME FAZ LEMBRAR...

...o sujo golpe de Estado feito por Pinochet, no Chile, com toda a ajuda possível dos ianques. Em 1973, cerca de 10 mil pessoas foram mortas em bairros operários e fábricas chilenas. A CIA e a extrema direita ficaram sorrindo como crianças que ganham um pacote jujuba.

O então presidente Salvador Allende, do partido Unidade Popular, teve a dignidade de não se entregar, e acabou com sua vida dentro do Palácio Presidencial de La Moneda.

Essa é a triste lembrança que tenho nesta data.

Até.

09 Setembro 2009

AS MULHERES DE MEUS DEVANEIOS

Monique Lafond

Mais uma vez marco ponto por aqui com a série "As mulheres de meus devaneios". A primeira mulher a ser destacada foi Françoise Fourton, lembre aqui.

Hoje eu venho com outra fogosa que me fazia perder a razão. Essa linda brasileira filha de franceses era de parar o trânsito, e eu sonhava em casar com ela. Com aquele rosto perfeito e corpo invejável, era a mulher que almejava para dividir o lar.

Mas sonhei com o casório até assistir ao filme "Eu matei Lucio Flavio", onde Lafond ganhou o prêmio Air France de melhor atriz. Minha vontade de entrar com Monique na igreja foi para a cucuia quando vi a cena em que era apalpada pois dois turistas em plena praia de Copacabana. Passei a desejar Margarida Maria, papel de Monique no filme, com um apetite voraz que só minha puberdade pode explicar. Margarida Maria era uma prostituta viciada em drogas, e teve um caso com o inspetor da polícia civil Mariel Mariscott Mattos, interpretado pelo eterno cafajeste Jece Valadão. A cada bofetada que Mariel desferia em Margarida algo mudava em mim.

Depois de cortar os pulsos durante uma alucinação, Margarida foi internada no Pinel, onde morreu. Ao saber da notícia, Mariel fica desesperado e rouba o rabecão com o corpo de nossa musa. Antes disso, no necrotério, murmura:

- Vocês vão enterrar a mãe de vocês.

Numa estrada deserta, tira o corpo nu de Margarida da geladeira e anda sem destino ao som de "As rosas não falam".


Caros amigos, essa mulher virou em duas horas a minha vontade absoluta. Queria tocá-la.

Com esta bela interpretação foi parar na capa da playboy pouco tempo depois, e em várias outras revistas. Trabalhou em inúmeros filmes e novelas.



Hoje Lafond tem 55 anos de idade, e trabalha com teatro. Ela nunca se casou, motivo que ainda mexe com o que resta da minha fantasia juvenil.

Seria ela na verdade a Margarida?

Até.

07 Setembro 2009

PEDALADA ETÍLICA

O fim de semana com direito a feriado da independência foi regado a cerveja, muita cerveja.

Já no sábado pela manhã comecei os trabalhos com meu amigo Fraguinha. Sempre damos nossa pedalada pela cidade fazendo paradas estratégicas. Marcamos bem cedo na Livraria Folha Seca, Praça XV, e iniciamos ali o passeio.

Pegamos a rua da Assembléia, passamos pela praça Tiradentes, entramos na Gomes Freire, e fizemos o primeiro pit-stop. No Armazém Senado derrubamos duas ampolas e meia porção de salaminho. Eram nove da manhã. Depois de meia hora dentro desta casa secular, Fraga sugeriu rápida parada no bar Paulistinha, que fica a dez pedaladas do Armazém. Fomos recebidos pelo Mauricio, que já foi dando trabalho para a chopeira. Vinte minutinhos bastaram para bebermos meia dúzia de chopps e uma porção de cebolinhas. Estava estupendo!








Partimos visivelmente satisfeitos, sem rumo. Mas num rompante, meu camarada berrou no meio da rua:

- Estou com vontade de comer empada!!!

Já estávamos com idéia de irmos à Praça Mauá, então lembrei-me de uma empada maravilhosa que como por lá, e respondi:

- Siga a Caloi 10!!!

Entramos na Avenida Passos, cruzamos a Presidente Vargas, dobramos à direita na rua Larga, depois à esquerda na rua do Acre, e finalmente chegamos ao destino na rua Sacadura Cabral. Larguei a bicicleta na calçada e fui faminto ao balcão. Fraguinha, que estava curioso, pousou os cotovelos rapidamente. O bar Rio Park tem uma das melhores empadas da cidade em minha opinião, talvez a melhor. Comemos de olhos fechados, degustando bem devagar. Brahma gelada foi pedida para acompanhar.

Essas pedaladas viciam!

Depois da Praça Mauá rumamos para a Tijuca, onde terminamos nosso pedal com um descanso na quitanda Abronhense. Amoendoim e cerveja foram postos no balcão da maior quitanda tijucana. Seu José nos atendeu com a gentileza de sempre.

Foi difícil sair dali.

* A nota triste do dia foi o falecimento da dona Alzira, dona do Armazém Matoso, mulher do seu Manuel. Conheça a senhora aqui.

Até.