19 março 2008

BREGA SEM PRECONCEITO

Muita gente torce o nariz ao escutar a palavra brega, fazem logo associação à música de porteiro ou corno sem mesmo prestar atenção nas letras. Mas pra mim essas pessoas estão enganadas, já que só consigo ver sentimento e emoção nas composições, e acho que elas ainda têm o poder de descomplicar a vida de alguns. Isso principalmente devido à suas letras simples, objetivas, para o povo, que retratam nosso cotidiano, e muitas vezes até politizadas, como por exemplo "Uma vida só", de Odair José. Sou fã deste estilo musical, coleciono os discos, e ainda escuto os poucos programas na rádio AM que me proporcionam tal alegria.

Creio que a discriminação do "Brega" deve-se aos grandes meios de comunicação, já que para a televisão só conseguimos ser felizes ventindo roupas caras e escutando músicas estrangeiras mesmo sem entender nada. E o povo obedece, gasta grana, acha que está abafando só porque está combinando com os ídolos do plim-plim.

Como a maioria dos artistas é de origem nordestina o preconceito medrou ainda mais, poucos são os que tiveram sucesso, e mesmo assim somente em algumas regiões do país. As músicas românticas desses músicos foram logo consideradas cafonas, e como aqui não se tem muito interesse pelo que é nosso, muitas canções belíssimas, covardes com os corações, caíram no esquecimento.

E que não haja confusão com o atual Falcão, por exemplo, que foi criado para tentar desenterrar o brega mas não tem nada a ver, não é de verdade, não mexe com a alma, é fabricado. Falo de gênios como Reginaldo Rossi, Waldick Soriano, José Augusto, Jessé, Evaldo Braga, Bartô Galeno, Roberto Muller, Genival Santos, Paulo Sérgio, Marcio França, Odair José, Lindomar Castilho, Fredson, Carlos André, Abílio Farias, Amado Batista, Almir Rogério, Fernando Mendes, e muitos outros, que nos presentearam com pérolas musicais que com certeza se encaixam de alguma forma com algum momento de nossas vidas, ajudando-nos a tomar a decisão do passo seguinte.

Os que dão valor aos nossos poetas populares, como eu, sabem que eles fazem parte da cultura brasileira sem a frescura e a mentira que são necessárias para se tornar um "pop star" gigante de mídia, como muitos por aí sem coração e alma, e que nunca deixarão sua marca na história.

Aproveito para fazer uma homenagem a um amazonense quase desconhecido, Abílio Farias, deixando uma de suas canções para que se possa ouvir. Intitula-se, "Vou fechar o cabaret".



Até.

5 comentários:

Anônimo disse...

Pô meu querido: depois eu que sou o Mais Velho!!!

Szegeri disse...

Felipinho, querido, assino embaixo. A música "romântica" tem seu lugar cativo na alma brasileira e quem não quiser ver isso, vai ficar sem entender uma grande parte da coisa toda. Há, aliás, uma grande tendência atual de se enaltecer as qualidades intrínsecas do "popular", mas, claro, da parte que agrada à intelectualidade observante. A outra parte, que não agrada aos guardiães do bom-gosto, é debitada na conta da ignorância, manipulação etc. E nós sabemos que não é bem assim.

É claro que nesse universo há grande gama de diferenças de qualidade, no que diz respeito a letras (que podem ser simples, mais ou menos bem feitas), melodias, universalidade de temas, interpretações/arranjos etc. A tua lista poderia crescer bem se a gente puxar pela memória. Mas certamente pode se estender para clássicos como Cauby Peixoto, Ângela Maria, Agnaldo Rayol, Altemar Dutra e - por que não? - o próprio Nelson Gonçalves.

Szegeri disse...

P.S. Conheces o paraense Wanderley Andrade? Deveria...

Felipe Quintans disse...

Grande satisfação vê-lo por aqui Szegeri.

Conheço o Wanderley Andrade sim. Minha irmã me trouxe uma coletânea dele quando passou pelo Pará no ano passado.

Viva nossa música popular!

obs: Tou armando para dar uma passada pelo Sabiá.

Abração meu velho.

Anônimo disse...

cara como é que pode uma pessoa não gostar de musica brega
pra mim genival santos é o melhor as musicas dele são sensacionais