Dia desses conversava com um cara lá trabalho sobre as pedaladas que faço por nossa cidade. O cidadão, formado em jornalismo, ficou surpreso quando soube que minha preferência de passeio era o centro da cidade. Ele não entendia como podia achar melhor andar naquele canto "sem graça" do Rio, já que temos a orla da zona sul cheia de ciclovias. Percebi então que a criatura era meio (ou inteiro) ignorante, mas continuei a prosa.
Disse-lhe que gostava da parte antiga da cidade, do casco histórico, coisa e tal... Inclusive contei-lhe que sempre levava a máquina para retratar as paisagens. Falei da minha adoração pela ladeira da misericórdia, moinho fluminense, chafariz do mestre Valentim, pedra do sal, morro da Conceição... Enfim, Praça XV, Praça Mauá, e Zona Portuária.
Parecia pilhéria, mas o moço era dono da maior inépcia que já presenciei na vida, ele simplesmente não conhece nenhum dos lugares que acabei de citar acima. Por um momento pensei que zombava comigo, mas depois de algumas perguntas tive certeza de sua infeliz característica. E no final ele ainda saiu com o nariz empinado, com orgulho de ser uma besta que "entende" de calçadão de beira de praia. Que se foda!
O centro de nossa cidade é maravilhoso, mesmo sendo esquecido pelos políticos igualmente imbecis. Fico bastante chateado em ver grande parte de nossa história caindo aos pedaços enquanto os colarinhos brancos enchem o rabo de grana. Outro dia estava com o mais velho andando pela estação das barcas e nos deparamos com uma belíssima fachada, mas praticamente destruída, no total esquecimento.
A maioria da população carioca não passeia no centro, porque não há incentivo público, segurança, e interesse em ver coisas velhas e descuidadas. Em muitos países, as famílias passeiam de mãos dadas pelo centro de suas cidades. Os domingos estão com os comércios abertos, e existe vida dentro do casco histórico, gerando uma população conhecedora de seu passado.
Passe no domingo pela rua do Ouvidor... Aquilo era pra estar cheio, com restaurantes e lojas abertas, dando assim mais um dia de prazer para que ama este pedaço do Rio de Janeiro. Dizem que vão revitalizar, mas não vejo luz no fim do túnel. De qualquer forma temos que ficar em cima e batalhar pelo nosso.
Que burrico o jornalistinha aí em cima hein...
Até.

6 comentários:
Mais Novo,
esse fim-de-semana tem mais. Não esquece do Fernando!
Abraço,
Felipinho: dá o nome da besta humana que, com o canudo embaixo do braço, arrota por aí que é jornalista. Dá o nome, dá o nome...
Beijo!
Felipe,
e o que me diz do Largo dos Simões ?
Encravado entre prédios na Pres.Vargas em frente ao Detran merece ser cartão postal!!
Forte abraço,
Marcelo Alves
Edu, esse repórter é um moleque novo, desses que conseguem um emprego no jornal e se acham importantes por causa disso. O nome dele é Marcio Moreno. Não vale a pena montar num coitado desses... Mas vale o registro para sabermos como anda a coisa.
bj.
Não passarão!
Acontece a mesma coisa comigo em São Paulo. Prefiro o centro aos lugares "bacanas" como aquela gente cansada pegou mania de falar. E agora que não moro mais na minha cidade, sempre que volto pra lá, é no centro velho (ele mesmo, sujo, fedido, decadente) que eu me sinto em casa.
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