Não tenho adjetivos para este fim de semana. Um conjunto de momentos sem igual fizeram com que estes dois dias parecessem dois segundos.
Sábado foi a festa de aniversário de 75 anos da minha avó, dia muito agitado. Pela manhã levei minha vitrola e os discos ao local da festa, depois fui com meu cunhado e com a Heloisa para Olaria pegar o bolo e os doces, e voltei para Tijuca pra esperar o camarada Ronaldo que montaria o som. A festa era às sete e já eram quase três. Eu já estava nervoso porque via os minutos escaparem da minha tarde enquanto na rua do Ouvidor esperavam-me Digão Folha Seca, Fraga, e Artur, e na rua do Senado o pessoal do Armazém também me aguardava. Peguei a caloi 10 e pedalei com a vontade de um menino rumo ao centro de nossa cidade. Não teria tempo de ficar nos dois lugares, então dei uma passada no Armazém Senado, falei com o pessoal, e tomei a direção da gloriosa e linda rua do Ouvidor, que ontem estava mais linda do que nunca.
A turma estava no Santos, já com os trabalhos iniciados. Tive o prazer em conhecer o Fraga pessoalmente, boa-praça, e o Artur. Foram três horas tão bacanas de conversa a céu aberto que deu a impressão que aquilo era uma rotina de amigos de vários anos. Fartura de chopp, punheta de bacalhau, e rojões de porco completaram esta tarde máxima.

Segui minha jornada de volta para o aniversário, já com a certeza de um dia ganho, que veio a se confirmar com a felicidade da minha vó na sua festa. Uma pessoa que não existe mais por aí, que sempre fez tudo por todos, e que merecia uma festa por dia. Fui dormir às três da manhã muito cansado, com o corpo pedindo pelamordedeus.
Às sete e meia me liga o Digão:
- E aí filho, vou pedalar com o Fraga até a fortaleza de Santa Cruz, vamos?
Realmente estava vencido pelo cansaço, não conseguia levantar-me ainda que fosse preciso. Mas também não consegui voltar a dormir, o dia perfeito e o tal passeio de bicicleta me deixaram inquieto. Cheguei a comentar com a Heloisa que estava arrependido de não ter feito um esforço maior para juntar-me aos dois. Até que às dez e meia toca o celular, era o Fraga:
- Só estou te ligando para dizer-te que estamos iniciando os trabalhos aqui em Jurujuba, e o primeiro brinde foi em sua homenagem. Aproveito pra comunicar que estamos a caminho do Bar Urca.
Desliguei o telefone e virei para a Heloisa:
- Realmente o Vinicius é foda, não se faz amigos em leiteria...
Pelo meu entusiasmo, ela percebeu no ato que eu precisava ir ao Bar Urca. Peguei a bicicleta, andei até a praça XV, e os aguardei defronte à estação das barcas. Formado o trio, fomos de encontro ao destino, impressionados com a beleza de um dia que nasceu para ser somente aquele, único.
O Bar estava lotado, e Fraga, que comanda o pedaço, foi logo pegando uma mofada. Desceu igual a água no deserto. E em seguida vieram Artur, Daniela, e Bemoreira, juntamente com os pastéis, sardinhas, empadas... Realmente estava desumano. Falamos sobre inúmeras coisas, inclusive da falta que faziam as pessoas que nos são queridas como os irmãos Fernando e Edu, Simas, Szegeri, e toda a tropa. Chegamos a ligar para o Edu, que apreciava naquele momento uma cachaça em Volta Redonda e nos prometeu uma partida de botão na quinta-feira. Artur pagou a conta inteira, coisa de um engradado, dizendo que um dia daqueles não tinha preço. E estava com a razão.


É impressionante como um simples dia tem a brutal capacidade de exultar profundamente a minha alma. Fico com a certeza de que outros semelhantes virão.
Salve o Rio de Janeiro!
Até.
10 comentários:
Velhinho, como diria o Barão de Itararé: "da vida a gente leva, a vida que a gente leva".
Abração,
Há, malandro, nesse comovido relato, um erro olímpico que pretendo consertar com essa minha intervenção.
Eu estava lá, entre vocês.
Eu estava na esquina da Ouvidor com a travessa do Comércio, e vocês não me viam, porque eu estava, a bem da verdade, bebendo cachaça em Bananal, em SP.
No domingo, quando eu estava no Clube Laranjal, diante de diversas casco-escuro de Brahma e de um copinho da Minuca, gloriosa cachaça envelhecida em tonéis de jequitibá-rosa, também estava na mureta diante do Bar Urca comendo das empadas sem ser visto pra não ter que pagar.
À toa, porque o Mitke foi rápido no gatilho.
É isso, meu velho.
Salve o Rio de Janeiro, suas ruas, sua gente.
Felipinho e demais amigos,
Realmente uma tarde de antologia, só ficou faltando o relato da mulata ensandecida, que, desafiada, garantiu que sabia "mexer" e muito bem ...
Saravá!
Falou e disse camarada Edu, sabíamos que estava lá. Sentimos por várias vezes nesses dois encontros sua singular presença, e gargalhamos juntos em mais este momento da vida com sua pessoa bem perto de nós. Com certeza.
Que venham outros dias!
Não tenho dúvidas de que neste final de semana São Sebastião sentou pra tomar uma gelada com São Pedro em um buteco qualquer, para nos brindar com esses dias de sol e amizade legitimamente cariocas. Se melhorar estraga.
abraços,
Arthur Mitke
São Sebastião eu não sei, mas São Pedro (ou será o velho Noé?) está retratado num quadro inacreditável que o Carlos Lessa ofertou ao Santos e ele pendurou no novo Casual Retrô que vai inaugurar esses dias na rua do Rosário. Completando a cena, Camila Pitanga e Lázaro Ramos dando um amasso, enquanto que ao fundo está o maior crânio que já surgiu na Bahia, Rui Barbosa. Ninguém entendeu chongas!!!
Simão, explica pra gente que porra é essa?
Arthur, te peço desculpas pela forma errônea que escrevi seu nome camarada, faltou o "h". Abraço
Digão, realmente este quadro é totalmente bizarro e sem sentido algum. Apenas nos fez rir pra caceta naquela tarde de sábado.
Mas se o Simas aparecer por aqui, com certeza terá uma explicação para a tal "obra de arte". Abraço camarada.
No momento estou sob efeito de doses generosas de cachaça. Mas prometo ir ao Santos amanhã e dar um parecer técnico sobre o momentoso tema. abraços
Já refeito das doses extras da que matou o guarda, dou aqui meu parecer - o velho, na verdade, é o profeta Gentileza e o Rui Barbosa é o Cheff Santos; selando o encontro entre a brandura e a fúria. A Camila e o Ramos representam a proximidade entre a Europa, a França e a Bahia, como no verso do poeta. É simples e evidente.
Por fim, fica claro nesses comentários que o Edu e o próprio Felipinho estão enlouquecendo. Um assumiu-se como Jesus Cristo e Getulio Vargas - "eu sempre estarei entre vós quando evocarem meu nome" - e o outro acreditou. beijos
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