O mundo moderno é preconceituoso. Tudo o que é moderno é levado ao trono, é o que deve ser feito, chega a ser ditatorial. Nos dias de hoje realmente não podemos viver sem modernidade, embora eu ache exagerada, mas deixem-me quieto com minhas manias e meu cotidiano. Querem que eu, e muitas outras pessoas que não são "antenadas", goste de coisas que não gosto, e faça coisas que não faço.
Já escrevi algumas linhas sobre isso aqui, mas volto ao tema depois de recentes ocorridos. Esta semana fui engraxar os sapatos perto do trabalho, na Praça Onze, com o Joilson. Joilson tem uma cadeira do tempo do onça, com braços de mármore e vários compartimentos para guardar as graxas, que ganhou quando chegou ao Rio vindo de Pernambuco. Muito confortável, diga-se de passagem. Orgulha-se de trabalhar ali, de ser engraxate, e com isso conseguiu uma casa em Bacaxá e um chevete 1984. Tem uma fiel clientela há anos. Meu horário preferido é depois do almoço, e como disse acima, lá estava eu, sentado, lendo o glorioso Jornal dos Sports, bebendo um café... O que acontece é que neste pequeno momento de relaxamento do meu cotidiano, sempre aparece gente para me encher o saco:
- Porra, Felipe, que coisa de velho, você na cadeira do engraxate!
E outro:
- Só conheço você que ainda engraxa sapatos...
Só podem estar de sacanagem comigo. Só eu que engraxo sapatos? Aonde vivem estas pessoas? Pouco me importa, mas deixem-me em paz.
Já escrevi algumas linhas sobre isso aqui, mas volto ao tema depois de recentes ocorridos. Esta semana fui engraxar os sapatos perto do trabalho, na Praça Onze, com o Joilson. Joilson tem uma cadeira do tempo do onça, com braços de mármore e vários compartimentos para guardar as graxas, que ganhou quando chegou ao Rio vindo de Pernambuco. Muito confortável, diga-se de passagem. Orgulha-se de trabalhar ali, de ser engraxate, e com isso conseguiu uma casa em Bacaxá e um chevete 1984. Tem uma fiel clientela há anos. Meu horário preferido é depois do almoço, e como disse acima, lá estava eu, sentado, lendo o glorioso Jornal dos Sports, bebendo um café... O que acontece é que neste pequeno momento de relaxamento do meu cotidiano, sempre aparece gente para me encher o saco:
- Porra, Felipe, que coisa de velho, você na cadeira do engraxate!
E outro:
- Só conheço você que ainda engraxa sapatos...
Só podem estar de sacanagem comigo. Só eu que engraxo sapatos? Aonde vivem estas pessoas? Pouco me importa, mas deixem-me em paz.
Me chamam de velho porque escuto vinil, tenho vitrolas, vou ao alfaiate, engraxo os sapatos, bebo café na padaria, como ovo cozido, gosto do Nelson Gonçalves, escuto rádio AM, e outras coisas mais. Por que cargas d'água os moderninhos tanto se importam com os que têm gostos e cotidianos mais conservadores? Vivem como seguidores dessas igrejas fanáticas que sempre têm como objetivo catequizar otários. Querem porque querem fazer com que eu pare de gostar das minhas coisas só porque não são tão modernas.
Aviso aos desavisados que não mudarei, e peço que parem com a insistência, seus chatos duma figa. Coisas modernas pra mim são poucas as que prestam, mas isso não é motivo para eu ficar atazanando ninguém.
Dedico este breve texto ao Joilson, esta bela pessoa que faz parte do meu dia-a-dia, a quem desejo muita saúde para continuar no ramo por muitas décadas.
Até.
Dedico este breve texto ao Joilson, esta bela pessoa que faz parte do meu dia-a-dia, a quem desejo muita saúde para continuar no ramo por muitas décadas.
Até.





