29 Junho 2009

ME DEIXEM ENGRAXAR OS SAPATOS.

O mundo moderno é preconceituoso. Tudo o que é moderno é levado ao trono, é o que deve ser feito, chega a ser ditatorial. Nos dias de hoje realmente não podemos viver sem modernidade, embora eu ache exagerada, mas deixem-me quieto com minhas manias e meu cotidiano. Querem que eu, e muitas outras pessoas que não são "antenadas", goste de coisas que não gosto, e faça coisas que não faço.

Já escrevi algumas linhas sobre isso aqui, mas volto ao tema depois de recentes ocorridos. Esta semana fui engraxar os sapatos perto do trabalho, na Praça Onze, com o Joilson. Joilson tem uma cadeira do tempo do onça, com braços de mármore e vários compartimentos para guardar as graxas, que ganhou quando chegou ao Rio vindo de Pernambuco. Muito confortável, diga-se de passagem. Orgulha-se de trabalhar ali, de ser engraxate, e com isso conseguiu uma casa em Bacaxá e um chevete 1984. Tem uma fiel clientela há anos. Meu horário preferido é depois do almoço, e como disse acima, lá estava eu, sentado, lendo o glorioso Jornal dos Sports, bebendo um café... O que acontece é que neste pequeno momento de relaxamento do meu cotidiano, sempre aparece gente para me encher o saco:

- Porra, Felipe, que coisa de velho, você na cadeira do engraxate!

E outro:

- Só conheço você que ainda engraxa sapatos...

Só podem estar de sacanagem comigo. Só eu que engraxo sapatos? Aonde vivem estas pessoas? Pouco me importa, mas deixem-me em paz.







Me chamam de velho porque escuto vinil, tenho vitrolas, vou ao alfaiate, engraxo os sapatos, bebo café na padaria, como ovo cozido, gosto do Nelson Gonçalves, escuto rádio AM, e outras coisas mais. Por que cargas d'água os moderninhos tanto se importam com os que têm gostos e cotidianos mais conservadores? Vivem como seguidores dessas igrejas fanáticas que sempre têm como objetivo catequizar otários. Querem porque querem fazer com que eu pare de gostar das minhas coisas só porque não são tão modernas.

Aviso aos desavisados que não mudarei, e peço que parem com a insistência, seus chatos duma figa. Coisas modernas pra mim são poucas as que prestam, mas isso não é motivo para eu ficar atazanando ninguém.

Dedico este breve texto ao Joilson, esta bela pessoa que faz parte do meu dia-a-dia, a quem desejo muita saúde para continuar no ramo por muitas décadas.

Até.

19 Junho 2009

A TIJUCA ESTÁ EM POLVOROSA

As ocupações profissionais e particulares estão fazendo com que eu mesmo visite este blogue muito raramente, mas com certeza logo virão tempos mais calmos e o ritmo voltará ao normal por aqui.

Venho mais uma vez com poucas linhas, e outra vez falando da Tijuca, meu bairro do coração. Embora com pouco tempo, estou sempre por dentro dos acontecimentos tijucanos. E não são poucos. Semana passada recomendei (veja aqui) o concerto do glorioso Carlos Evanney, que aconteceu no dia dos namorados, na sede do América.

Dia 11 de julho, no estádio Mario Filho, que fica na Tijuca, teremos o show do Roberto Carlos comemorando os cinquenta anos de carreira. Realmente esta é uma data muito esperada pelo pessoal da cidade inteira, e principalmente para os do bairro.

Na noite desta última quarta-feira, em mais uma saideira no bar Columbinha, o pé-sujo que me acolhe cada dia com mais carinho, me deparei com um cartaz surpreendente na parede de azulejos cafonas. Já estava numa carraspana daquelas, e por um certo instante pensei que fosse efeito da cachaça. Mas não era.

No mesmo dia 11 de julho, dia em que o rei Roberto estará se apresentando no maior do mundo, outro Roberto, desta vez uma atração internacional, estará se apresentando também na Tijuca. A Casa de Vila da Feira e Terras de Santas Maria (falei dela aqui) terá uma noite de gala com o astro Roberto Leal, ele mesmo, autor da famosa canção "Bate o pé".

Imagine você a preocupação que Roberto Carlos deve estar com essa notícia. Uma séria ameaça ao público do Maraca. Roberto Leal lotará a casa portuguesa da Haddock Lobo, com certeza, e a colônia alfacinha comparecerá em peso. Parece que vai ter vinho de barril à vontade, e sardinhada na brasa.


Há rumores que ao final do concerto no Maracanã, o rei Roberto ainda dará uma palhinha no palco do Vila da Feira ao lado de seu xará, fechando a noite dançando o vira.

Até.

09 Junho 2009

DIRETO DA CAMPOS SALES

* Acabou a promoção safada do Diário Lance. Junta-se 25 selos e paga-se R$39,90 por uma camisa de alguma destas equipes cariocas: Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Caso queira, por mais R$29,90 leva-se a do América, numa promoção que os pequeninos e infelizes jornalistas chamaram de "Minha Segunda Paixão". O que eu estou vendo de gente com a camisa do América nas ruas não está no gibi, o problema é que são torcedores de outros times. Uma lástima, um vergonha, humilhação, coisa que o América não merece e nem precisa. Torcedor bom é torcedor de uma equipe só. Não veste, jamais, o manto adversário. E o Diário Lance apenas me deu a certeza de que o velho Jornal dos Sports é infinitamente melhor.

* Fechamos com mais um patrocinador. Além da Unimed, temos agora a Uniodonto, uma empresa de planos odontológicos que abrange todo o Brasil.

* A equipe rubra fez seu primeiro jogo-treino com o novo plantel, que disputará a série B do carioca. O jogo foi realizado na última sexta à tarde em nosso estádio, sob os olhares de 200 torcedores, contra o SW Barcelona. Ganhamos por 9 a 0. O técnico Clóvis de Oliveira teve a oportunidade de testar vários jogadores.

* Sexta-feira é dia dos namorados, e fica aqui a minha recomendação para quem ainda não sabe onde levar a amada. Carlos Evanney, o cover oficial do Roberto Carlos, fará um concerto histórico na sede do América. É a certeza de uma noite romântica, a mais romântica, na Tijuca.

Até.

03 Junho 2009

NOSSOS JORNALEIROS DE OUTRORA

Aproveitando a onda dos textos de meu querido amigo Luis Antônio Simas (leiam aqui e aqui), resolvi lembrar um pouquinho de um personagem fundamental da infância de outrora, o jornaleiro. Qualquer guri tinha o jornaleiro de sua rua como um parceiraço, um amigo acolhedor, uma pesssoa essencial em nossa educação.

Já escrevi algumas vezes aqui sobre o jornaleiro da minha rua, o seu Antônio. Quando era moleque, frequentava a escola, e não tinha preocupação nenhuma além dessa, vivia no jornaleiro. Eram horas do lado de dentro ou ao redor da velha banca. Seu Antônio, o único italiano botafoguense que conheci, sempre deixava que eu ficasse na banca "ajudando" ele, lembro-me que entregava jornal e revistas para os fregueses. Meu pai, que era muito seu amigo, tinha uma conta na banca, e acertava sempre no fim do mês. Sei que todo o dia pegava o glorioso Jornal dos Sports.

É bom recordar que o lado de toda banca que se preze, existe, ou existia, um apontador do jogo do bicho. Era batata.

Na banca do seu Antônio eu comprava meu álbuns e minhas figurinhas, um cotidiano quase extinto hoje, já que os álbuns são poucos, e os que estão disponíveis ninguém coleciona. Revista de sacanagem nem se fala, foram várias, daquelas suecas, que "li" na banca da rua, várias. Hoje elas nem existem mais, a garotada vê tudo pela internet, quando vêem, pois na maioria das vezes estão jogando video game. É a coqueluche da nova geração, só se faz isso. Talvez aí podemos explicar o número crescente de viados no planeta.

Outra coisa agravante é o número absurdo de jornaleiras! Nada contra as mulheres, por favor, mas dono de banca tem que ser homem. Em hipótese alguma as jornaleiras irão liberar uma revistinha pornográfica para a criançada, vão mostrar a revista Caras, Boa Forma, Capricho, Tititi... Voltamos mais uma vez, então, para o índice de viadagem que falei acima.

Podemos afirmar que é gritante a ausência de jornaleiros, e quando há um na rua, não temos mais aquela frequência de outros tempos. A gurizada está cada vez mais longe desse tipo de educação necessária, a educação da vida, do politicamente incorreto.

Hoje, a companheira da meninada, que educa, "diverte", dá conselhos, e diz o que está certo e errado, é uma tela de vidro.



Até.