29 Maio 2009

SIMONAL

Está em cartaz nos cinemas a película "Simonal, ninguém sabe o duro que dei". Chego agora do glorioso cine Odeon, o único de um bairro chamado CINElândia, depois de assistir ao documentário. Não sou nenhum crítico de filmes, e não entendo bulhufas de jargões refinados para defender opiniões. Sei somente que o troço me emocionou, e isso basta.

Recomendo que vejam, de preferência no Odeon, a história deste belo cantor, negro e brasileiro.


Até.

27 Maio 2009

UMA TARDE EM MARECHAL HERMES

Estive no último domingo em Marechal Hermes. Um amigo meu que mora no bairro vive me falando do Bar do seu Zé, e jura que é reduto de torcedores do América. Tive que conferir. Peguei o trem na Central do Brasil, e em 25 minutos estava na estação de Marechal, que na minha opinião é a mais bonita de todas. Entrei na rua Cabrália, e em poucos instantes já pousava meu cotovelo no balcão.

Cada vez que vou para o subúrbio tenho a certeza de que terei um grande dia. As pessoas são acolhedoras demais, te levam pra dentro de suas casas, contam suas intimidades como se você fosse um irmão... Fazem a vida valer a pena sem dinheiro, sem "olho grande", sem ganância. Uma tarde bonita com os amigos no bar não tem preço, e é uma das poucas coisas que levamos de bom nessa vida. Esse é o pensamento do suburbano, do tijucano, do morador da zona norte. Difícil alguém fugir da regra, até porque não faz sentido se descabelar por dinheiro, pois caixão não tem gaveta.

Fui apresentado aos senhores do local, que com muita elegância me receberam. Barrigas enormes à mostra, pés, que mais pareciam cascos, na sua maioria pisavam descalços no chão sofrido, arrotos eram distribuídos com abundância, e juntamente com gargalhadas altíssimas formavam a orquestra da casa.

Um homem que bebia sua cerveja na caneca do América chamou-me a atenção. Puxei uma prosa, que cinco minutos depois virou festa. Sentei-me à mesa com Gilmar, este é o nome do caboclo, que começou a cantar o hino rubro de forma doentia, aos brados. Mostrou-me sua carteirinha de sócio remido e outra carteira de fundador da torcida inferno rubro. Derrubamos umas geladas com a companhia de Givaldo, seu amigo botafoguense, e seu cunhado Geraldo. O churrasquinho comia solto na porta do boteco, e em certa hora percebi que já fazia parte do local. O subúrbio é assim mesmo.

Gilmar pediu licença para se ausentar um instante, saiu do bar, entrou num opala marrom, e partiu. Em quinze minutos estava de volta, com um largo sorriso na cara e uma sacola na mão. Aproximou-se de mim e disse:

- Toma. É o "kit" do América.

Agradeci, muito surpreso, enquanto tirava as coisas de dentro da sacola. Era um cd, uma bandeira, um calendário e uma camisa da Inferno Rubro. Imaginem como foi depois... Uma cervejada daquelas.

O bar do seu Zé é alegre, definitivamente não é um reduto para os boêmios que querem curtir uma fossa. Tem uns petiscos de saquinho, como azeitona e tremoços, e alguns frios. Bebida é o forte da casa, tem até água-raz.

Fiquei até o filho do seu Zé fechar as portas, e fui convidado para um evento chamado chapéu de palha, que vai acontecer no próximo sábado. Trata-se de um samba feito pela velha-guarda local dentro do bar. Toda a coroada, logicamente, usando seus chapéus, unidos mais um dia. Deve ser muito bacana, emocionante.

Fica aqui a dica.



Chegando em Marechal...



Prateleira com escudo rubro...


Os senhores do local...



...vivem a amizade no balcão.



A moda.



O São Jorge do bar.



Gilmar com a caneca de sua paixão...



Com a carteirinha...



E depois de me entregar alguns regalos.



Hora de ir embora.



Esperar o trem e ir pra casa feliz.



Até.

22 Maio 2009

CASA DA VILA DA FEIRA

Aproveitando mais um texto de meu amigo Eduardo Goldenberg sobre a Tijuca (leia aqui), lhes direi algo também.

Vivo no bairro desde que nasci, há mais de trinta anos, e sou feliz, muito feliz por isso. Existem particularidades que só a Tijuca tem. Se tivesse nascido no Centro da cidade, Zona Portuária, ou subúrbio, ficaria muito contente também. A zona sul, que tem coisas boas, embora pouquíssimas, é o resto. A Barra é outro planeta, com outros seres, muito fora dos padrões humanos. Deixa quieto.

Venho para falar da quantidade absurda de clubes que estão no meu bairro, são mais de vinte! O Tijucano é um povo acostumado a frequentar sua piscina, jogar sua sinuca, seu carteado, e participar dos diversos bailes oferecidos. O Club Municipal é craque nisso. Os bailes de lá ficam lotados. A gafieira e a dança de salão sempre tiram o morador "pé-de-valsa" de casa.

Além do América, que é o melhor disparado, tenho um carinho especial pelos clubes portugueses. Desde bem molequinho - como podem ver na imagem - estão no meu sangue. O Vila da feira e Terras de Santa Maria foi o primeiro lugar onde tive convívio social com as pessoas do bairro, bem antes da escola. Lá aprendi a nadar, a respeitar os mais velhos, a admirar as pessoas e seus atos, pude ver a coroada enchendo o pote de vinho e cerveja enquanto jogavam dominó, e sempre em família. Vários bailes de carnaval pulei naquela velha quadra, qualquer dia coloco uma foto desses tempos. É emocionante lembrar disso. Meu amor pela Tijuca começou lá dentro. Outro dia mesmo entrei no clube para falar com um amigo e fiz um "tour" para relembrar os anos passados. Quase nada mudou, a piscina, o bar, a quadra, a secretaria com suas máquinas de escrever da marca Olivetti que ainda trabalham a todo vapor, a velha roleta de entrada. Tem que ter respeito. Frequentei muito a Casa dos Polveiros e o Clube do Porto também. Além desses ainda temos outros quatro grandes clubes de origem portuguesa em nossa região.

Nos fins de semana sempre realizam festas maravilhosas para reunir a colônia. Vinho até dizer chega, sardinhada, galeto, danças típicas e o escambau. É bom demais ver o bairro unido bebendo e dançando.

Isso parece ser uma coisa pequena, tola para alguns, mais tem um valor enorme para mim. Graças aos belos momentos vividos dentro desses lugares, conheci pessoas que são amigas até hoje, e devo a estes momentos do passado parte da minha felicidade do presente.

E foi minha Tijuca querida que me proporcionou tudo isso. Não consigo deixá-la!



Até.

15 Maio 2009

SERÁ FALTA DE MILHO?

Ontem saiu no jornal O Globo mais uma notícia daquelas. Alô Zé Sergio! Uma tal de Valeska, que é "cantora" do estilo funk, foi visitar o presidente. A moça, que aparenta ser de família, fez uma "canção" para o Lula, que vocês podem conferir abaixo.




Sei que isso não tem nada a ver com o blog, mas não resisti depois que me dei conta do grande talento da menina. Ela ainda almeja o ministério da educação... Que beleza.

Até.

13 Maio 2009

UM ATROPELAMENTO MUITO BONITO

Na década de oitenta ainda era bem moleque, e quando não estava na escola jogava bola na rua. No dia 29 de junho de 1986, um domingo, todos da assistiam à final da copa numa televisão colocada na calçada por um vizinho, que se não me falha a memória era o tio Elói. A maioria torcia pela Alemanha, mas depois do apito final tivemos que nos render ao talento de Maradona. O cara acabou com tudo.

Terminado mais um Mundial, começamos a tirar os times e marcar os gols com pedras, no meio da rua, para mais uma pelada. Nossa rua sempre foi muito tranquila, nos proporcionando um belo futebol no asfalto. Driblávamos árvores, meio-fio, frades... Poucas eram as vezes em que fechávamos a rua com cavaletes. Era uma época que só queria jogar bola, e como a maioria dos pirralhos da rua, ainda não tinha olhos para as curvas da mulheres, não pensava em namoradinhas, beijar na boca, e todas essas coisas boas da vida. Tinha apenas dez anos.

Lembro-me perfeitamente que estava empolgado neste dia, endiabrado, querendo ganhar todas as partidas para não ficar na de fora. Num certo momento, em que tentava driblar um adversário na velocidade, um fato brusco e inesperado mudou a minha vida. Fui atropelado por uma bicicleta de carga. O entregador do extinto supermercado Nova Olinda da Haddock Lobo vinha embestado, pois acabara de descer da rua Conselheiro Barros, uma das maiores ladeiras da Tijuca. Me pegou em cheio, nem vi de onde veio, caí no chão e fiquei.

Para a minha sorte a porrada não foi na cabeça, mas machucou-me bastante o joelho. O sujeito desceu para me ajudar, e ao mesmo tempo se isentar de culpa, afinal de contas estava correndo igual um louco no meio da rua. Começou-me a indagar sobre o meu estado juntamente de meus amigos, mas quanto mais eles falavam, menos eu ouvia. Estava ficando completamente surdo e mudo, mas cego não. Observava na caçamba laranja da bicicleta uma imagem linda, doce, apaixonante, e que me deu o primeiro sentimento de homem na vida. Era a foto da Silvia Bandeira, uma das páginas de sua "Playboy" de 1983 estava colada na frente na bicicleta. Nessa altura a minha dor no joelho já havia passado.

O ciclista peralta foi embora, e eu fiquei sentado na calçada abraçado ao meu joelho e pensando somente nela. Era um sentimento que jamais tivera, estava completamente gamado. Não consegui continuar jogando, fui pra casa bem mais cedo do que o costume. Fiquei sonhando com cada detalhe de seu rosto e de suas curvas por toda a noite. Estava amando a Silvia. Acordei na segunda-feira bem cedo, e antes de ir para a escola passei na banca do seu Antônio para ver se ele me arrumava a revista. Minha tentativa foi em vão. A revista era de três anos anteriores, tinha sido recolhida há tempos. Mas o velho Antônio prontamente percebeu a tristeza e decepção no meu olhar, e disse que faria o possível para encontrar a revista de minha deusa. Ainda tentou me empurrar a Playboy da Yoná Magalhães, que estava fresquinha nas bancas, mas recusei.

Sem acesso aos meios de comunicações de hoje, tive que ficar na imaginação, e deixar um espaço reservado na minha memória para que o rosto de minha menina não se apagasse de forma alguma. Depois de seis meses do atropelamento, e nada da revista da Silvia, resolvi abrir o jogo com o meu velho. Estava desesperado! Fui falar com o velho Manolo sobre o meu problema, e ele, um dos espanhóis mais grossos que já vi, ficou todo orgulhoso. Disse que podia pegar qualquer revista na banca da esquina com o seu Antônio que ele pagava, mas eu retruquei imediatamente explicando-lhe que só a da Silvia servia.

Depois de um mês dessa conversa, e "nadica de nada", pensei em entregar os pontos. Até que um dia resolvi dar uma passada nos sebos da Regente Feijó, no Centro, e encontrei a revista. Era moleque, mas já andava de ônibus sozinho. Quando fui abrir para apreciá-la, uma velha mal amada, que era a dona do sebo, arrancou o meu desejo de quase um ano das mãos, sem um pingo de dó, porque era de menor. Insisti pra caralho, mas em vão. Passei a informação para o meu coroa, que depois de dois dias passou por lá, mas velha disse-lhe que já haviam levado. Até hoje acho que ela mentiu. Ordinária!

Nunca, até este prezado momento, tive esta revista. Às vezes entro nos sebos da cidade como se fosse o guri de vinte e poucos anos atrás, na esperança de encontrá-la.

Mas o final do conto é feliz, pessoal. Meu amado pai, que hoje descansa em paz, entrou em casa eufórico uma semana depois da ida ao sebo. Tinha conseguido uma cópia do filme "Bar Esperança", do Hugo Carvana. Eu não entendi direito, até o filme começar... A minha Silvia Bandeira, para a felicidade de meus debutantes testosteronas, fazia pra mim, na sala, um stripe-tiase maravilhoso, ficando nuazinha, linda, toda delicada . Minha paixão por ela era tão doentia que cheguei a sentir seu cheiro, e comecei a acariciar a tela de nossa tv telefunken. Lembro da cara de espantado do meu pai com a cena.

Sempre que rezo pelo meu velho agradeço por este momento inesquecível em minha vida. E um dia, se conseguir a "Playboy" de número de série 93, do mês de abril do ano 1983, dedicarei esta conquista a ele, que tanto buscou este objeto importante para ver seu filho, ainda criança, feliz.



Até.

04 Maio 2009

ACABOU A CRISE

A crise mundial já é coisa do passado, a moda agora é a gripe suína. É o que está dando dinheiro para os jornais, televisão, e outros comércios. Numa farmácia aqui perto de casa, na rua do Matoso, já foram vendidas quase dez mil máscaras estilo Michael Jackson. Parece até mentira. O importante é o circo não parar, pois ainda há muita gente dando corda para os protagonistas do picadeiro. Como diz um camarada meu: Enquanto há milho, há pipoca.

Para os que estão em pânico, recomendo o laboratório Nutrotherapico do Dr. Raul Leite. O coroa cura qualquer tipo de gripe, a suína é fichinha pra ele. Ideal para seus pimpolhos.



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Até.