31 Dezembro 2008

MAIS UM ANO

Muita paz, saúde, e cerveja. Sempre!





Beijo para todos, e obrigado por tudo.

30 Dezembro 2008

BAR DA DONA JOSEFA

Dirigia há algum tempo por uma estradinha de barro, estava indo visitar o pessoal do quilombo Santa Isabel, na divisa entre Rio e Minas. No toca-fitas Orlando Silva cantava "Mágoas de um Caboclo", a paisagem era bonita demais, fazia calor, e eu estava com bastante sede. Sabia que no caminho passaria por um vilarejo chamado Pedro Carlos, pois fui informado antes por um amigo:

- Vais passar por Pedro Carlos, mas cuidado. O local é tão pequeno que é capaz de você nem perceber que passou por ele.

Dobrei minha atenção após o aviso, e cheguei sem erro. Meia dúzia de casas, cavalos com latões de leite no lombo, e gente admirada com um carro por perto. Reduzi a velocidade para olhar melhor o lugar, e como um sedento no deserto encontrei meu oásis, a única birosca da região. E estava aberta!

Quando entrei no bar só haviam um homem e um cão, os dois do lado de fora do balcão. O senhor viu minha cara de desesperado e disse que a dona já viria. Tardou um ou dois minutos. Era uma senhora negra de uns cinquenta anos, e com um lindo sorriso me perguntou:

- Cerveja?

Respondi:

- Sim, uma garrafa bem gelada.

E ela:

- Claro, claro... A propósito, me diz uma coisa... Está perdido?

E eu:

- Perdido? Não, por quê?

- É que ninguém pára em Pedro Carlos!

Começamos a rir, e nesse meio tempo ela trouxe a cerveja. Como desceu a bichinha, estava bem gelada.

A simpática senhora, que se apresentou como Josefa, foi logo puxando uma conversa. Disse que no começar da noite haveria um bingo bem bacana na casa de uma vizinha, e me convidou. Lhe falei que não iria comparecer por causa da hora, e ela para tentar me convencer me informou que o prêmio principal era um liquidificador. Como viu que mesmo assim não teria jeito, perguntou para onde estava indo. Quando ficou sabendo que estava a caminho do quilombo Santa Isabel, me apontou para o senhor da outra ponta do balcão.

Era o homem que estava com o cão. Aparentava uns setenta anos, negro, e estava devorando umas asas de galinha. Aliás, a comida do local é de primeira. Dona Josefa acabara de colocar na estufa uma bacia cheia de asas, outra com moelas, outra com manjubas, e por último uma de linguiças. Coisa fina, de dar inveja pra muito "barzeco" de grife por aí. Felizes são os moradores de Pedro Carlos.

Voltemos ao senhor. Chama-se José, o caboclo, e logo no início da prosa descobri que ele era de Santa Isabel, por isso que dona Josefa me apontara o senhor. Conversamos bastante. Contou-me muito do quilombo, e falou que apesar da idade ainda mandava muito bem no jongo.

A minha parada em Pedro Carlos que era para ser curta durou duas horas.

Durante este tempo o seu Zé deve ter comido umas vinte asas de galinha, para a alegria do seu cachorro chamado Jão, que ficou com os ossos. Eu fui de manjuba, estavam divinas.












Passei um momento muito bacana com estas pessoas num lugar considerado fim de mundo. Posso afirmar que foi uma das partes mais prazeirosas de meu passeio.

O bar da Dona Josefa já está no meu coração, e as cervejas geladas e os quitutes deliciosos ficaram na minha memória.

Já tenho data marcada para voltar.

Até.

22 Dezembro 2008

BARBEARIA DO SEU MANEL

Seu Manel, como é carinhosamente chamado, nunca saiu do interior do estado. Nasceu em uma fazenda na região do Vale do Ciclo do Café, e há 53 anos comanda esta barbearia em Conservatória.

Fui visitá-lo, e ao entrar logo se percebe que é botafoguense fanático. Até o caderno de anotações tem o escudo alvinegro, e seu cachorrinho chama-se Mané. Perguntei-lhe se era a única barbearia da região, e ele respondeu:

- Lá no final da rua tem um salão desses metido a besta. O meu é tradicional.

E é mesmo. Barba só na navalha, aparelhos de barbear do tempo do onça, móvel antigo de jacarandá com a foto da sua falecida esposa, e cadeira de barbeiro de 1890.

Só não entrei pra fazer a barba porque tinha acabado de fazê-la.

Joguei uma conversa fora com ele, e depois tive que sair pois a freguesia começou a chegar.



















Aproveitei para visitar depois o Quilombo Santa Isabel, mas isso é outra história.

Mais uma vez recomendo que visitem esta cidade (veja minha outra visita aqui), é voltar no tempo.

Até.

18 Dezembro 2008

ANIVERSÁRIO DA FOLHA SECA

Hoje a livraria mais bacana do Rio de Janeiro completa cinco anos. Parabéns para meu irmão Rodrigo Folha Seca, e para minha querida Dani Folha Seca.

Vida longa!!!

UMA ESCOLA TIJUCANA

A Tijuca tem vários colégios, e muito são conhecidos. Temos o Orsina da Fonseca, o Mario Claudio, o centenário Afonso Pena (fez cem anos no último dia 30), o tradicional Colégio Militar, o Colégio Pedro II (onde estudei no ginásio e científico), o Palas, o Baptista, e por aí vai...

Mas o meu sonho mesmo era de ter estudado no gigante Instituto Lafayette, que no final dos anos oitenta virou Fundação Bradesco.

Esta escola foi fundada em 1916 pelo professor La-fayette Cortes, que já começou inovando. Foi o primeiro colégio carioca a preparar os alunos para trabalhos de oficina e laboratório, ou até mesmo para os campos de agrimensura e topografia, química industrial, mecânica, e eletricidade prática. As meninas procuravam os cursos de datilografia e estenografia.

Pouca gente sabe, mas existiam três Institutos Lafayette. O principal era na Haddock Lobo (onde fica a Fundação Bradesco), o segundo na Conde de Bonfim, e o terceiro na Praia de Botafogo nº 348, esquina com Visconde de Ouro Preto.

O imenso Lafaytte da Haddock Lobo tem uma história bacana a ser contada. Aquele espaço todo, aquele palácio imponente (uma espécie de Quinta da Boavista da Tijuca), é do século XIX, e pertencia à um rico negociante da época chamado Jerônimo José de Mesquita (1826-1886), o Barão de Mesquita, que por sua vez era filho de José Francisco de Mesquita (1790 - 1873), o Conde de Bonfim. É isso mesmo. Em 1898 a residência virou um colégio chamado Sul Americano, e depois sim, veio o glorioso Lafayette. Na Haddock Lobo ficavam os rapazes, somente os rapazes.


Foto de 1941 do Instituto Lafayette da Haddock Lobo.


As meninas estudavam no Lafayette da Conde de Bonfim, na antiga sede do Clube Tijuca. Antes do Clube, a casa servia de moradia para o nosso Duque de Caxias. A ala feminina foi abaixo nos anos setenta após um misterioso incêndio, dando o lugar para a Mesbla.


Foto de 1906 do Clube Tijuca, que depois virou a ala feminina do Lafayette.


E o terceiro e último Lafayette, ficava em Botafogo, não é blague. Em 1927 inaugurou-se esta unidade, que era chamada de departamento misto. Ali os meninos e as meninas podiam dividir a sala de aula. Durou até 1944.


Departamento Misto do Lafayette, em Botafogo.

Este era um colégio antológico, histórico, e tijucano. Vive na memória dos moradores até hoje com muito orgulho. Afortunados são os que vestiram aquele uniforme.

Quando passar diante deste monumento, pare, e admire por cinco minutos que seja.

Até.

15 Dezembro 2008

AONDE FICA? OUTRA VEZ! - RESPOSTAS.

Somente duas pessoas deram pitacos sobre as fotos publicadas aqui na semana passada. Foram os queridos Zé Sergio e Issac. Adianto logo que o prêmio eram três garrafas de cerveja para o vencedor, e os dois ganharam. Mesmo não tendo acertado as respostas, estes merecem umas geladas pagas num bar.

Vamos lá.

A primeira foto é da esquina da Av. Paulo de Frontin com rua do Bispo. Esta casa é onde fica hoje uma loja do Bob´s. Reparem que no alto à esquerda temos a torre da igreja de São Pedro. Foto de 1920, do arquivo nacional.


A segunda trata-se da ladeira Esplanada, junto ao antigo Hotel Esplanada, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Foto de 1947.


Até.

12 Dezembro 2008

RECLAMES HISTÓRICOS

“Veja ilustre passageiro
O belo tipo faceiro
Que o senhor tem a seu lado
E, no entanto, acredite,
Quase morreu de bronquite,
Salvou-o o Rum Creosotado"

O inventor deste reclame que circulava pelos bondes da cidade e era cantado nas rádios, foi Ernesto de Souza (1864 - 1928 - Rio de Janeiro - RJ). Este homem que poucos conhecem, era farmacêutico, teatrólogo, compositor e instrumentista. Arrumou muita grana como farmacêutico, principalmente depois do sucesso do Rhum Creosotado, para o qual fez este bacana comercial.

Foi dono de várias terras na cidade, principalmente na Tijuca. Parece que da rua Uruguai até o Grajaú era quase tudo do homem.

Fez publicação de comerciais em forma de versos e também poemas na revista O Malho, depois reunidos no livro Galhardetes. Colaborou também com o jornal A Noite. Foi autor do primeiro hino da República, que não vingou. Foi homenageado ainda vivo com uma rua do Andaraí recebendo o seu nome.

Ernesto nasceu numa casa na rua Rua Buenos, centro carioca, e morreu numa casa no Andaraí.

Pelo naipe da moça do comercial, podemos ver que o produto era bom mesmo!


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Até.

11 Dezembro 2008

ELA FICOU BOA

O almoço de hoje foi especial. Como alguns sabem, minha querida avó passou por momentos difíceis e teve que fazer uma cirurgia complicada para sua idade.

No dia em que operou, saí do hospital diretamente para beber num botequim com o meu camarada Baiano. Minha não estava nada bem, e eu também estava triste pra caceta. Bebemos algumas cervejas, e fizemos vários brindes para ela.

E neste balcão, em que dois homens estavam com muita fé e pensamento positivo, fiz uma jura para meu camarada. Quando minha ficasse boa, iríamos almoçar na casa dela. E foi hoje, que eu e este filho de Oxossi gente finíssima, nos fartamos com a excelente comida caseira da minha amada vó Luiza.

Aproveito para agradecer também à todos os meus amigos que torceram por ela.

Fica aqui o registro.





Eu, Baiano, e vó Luiza.

Até.

10 Dezembro 2008

AONDE FICA? OUTRA VEZ!

Meus caros amigos, acabo de chegar em casa depois de um samba histórico na livraria Folha Seca. A rua do Ouvidor estava linda demais.

Estive com vários amigos e amigas: Fraga, Digão, Leo Boechat, Zé Preto, Simas, Zé Sergio, Dani Folha Seca, Candinha, Lito, Tartaglia, Baiano, Carlinhos Antigamente, Alvito, Marcelo Moutinho, Christiano, e por aí vai.

Bom, foi uma noite daquelas.

Quero lhes dizer que volto agora com a série AONDE FICA? Já tivemos duas anteriores, vejam aqui, e aqui.

Deixo com vocês apenas duas pistas para as imagens de hoje. A primeira é no Rio de Janeiro (fiquem atentos nos detalhes, é fácil de matar, a casa ainda permanece lá), e a segunda é em São Paulo, para os amigos que moram lá participarem também.








Aqui por enquanto não tem sorteio de livro, mas garanto que se alguém acertar pelo menos uma das fotos, ganhará três garrafas de cerveja em algum pé sujo.

***Participem também do AONDE FICA????? do Buteco do Edu. É só clicar aqui para conferir.***

É isso, até.

09 Dezembro 2008

O BOUGAINVILLE DA CASA VERDE

As luzes estão em moda na época de natal. Nas casas, prédios, sacadas, varandas, portarias, e por aí vai. No sindicato dos fumageiros, na rua Haddock Lobo, está o mais belo enfeite de todos, vale conferir.

Ontem cheguei em casa cedo, por volta das seis. Tinha muita coisa a fazer e precisava estudar. Depois do banho tomado, e antes de iniciar as atividades, peguei uma café e fui para a janela. Os enfeites dos prédios já estavam quase todas acesos, em harmonia, quando uma série de explosões me assustou. Foram três, a última bem mais forte. Depois disso, tudo se apagou, e logo percebi que alguns postes e o transformador do quarteirão haviam ido pro beleléu.

Como numa feira ao ar livre, os moradores começaram a sair das casas e conversar umas com as outras enlouquecidamente, queriam saber o motivo da tal barulhada. Resolvi calçar minhas chinelas e partir para "prosa" também. Quando cheguei na rua, já havia um movimento de gente em direção à casa da dona Margarida.

Dona Margarida é a viúva do seu Antônio, que era o alfaiate da rua, e mora no número 35, numa casa verde bem bonita. Sempre que encontro com ela tenho que esquecer da minha pressa, pois conversa há.

Chegamos defronte a casa, vimos um caboclo com uma corda na mão, e uma boa parte na árvore bougainville da dona Margarida no chão. O ocorrido foi que a senhora contratou o homem para podar a árvore, e a besta resolver começar laçando um galho alto para facilitar o resto de sua labuta. Acontece que junto do enorme galho veio a fiação toda, que entrou em curto, e fez as explosões em série.

Depois que todos souberam o motivo, foi uma algazarra só. Umas reclamando por causa da hora da novela, outras porque o marido estava pra chegar e não podiam fazer a comida (já estava escurecendo), e teve até uma senhora, acho que se chama Maria, que reclamou que estava perdendo seu programa no rádio.

Eu olhava meio de longe, rindo da bagunça, quando dona Margarida me chama com um aceno. Me levou para o quintal e disse:

- Felipinho, o seu Tomé fez uma cagada, acho que acabou a luz no bairro! Vou resolver isso agora, liga para light pra mim pois não sei onde coloquei o óculos.

E enquanto ligava comentei:

- Acho que isso vai demorar, escutou o barulho?

E ela:

- Não vai não, deixa comigo.

Em trinta minutos chega o pessoal do reparo, e logo perceberam que havia platéia. As senhoras já estavam sentadas em cadeiras do lado de fora das casas. Aquilo tinha virado um evento. Eu fiquei durante a meia hora de espera conversando com dona Margarida.

Os homens deram uma olhadela rápida e constataram:

- Vai demorar um pouco.

Foi aí que Dona Margarida entrou em ação, comecei então a entender o "deixa comigo" que ela havia me falado antes. Chamou a rapaziada para dentro de sua casa e disse:

- Olha só meus filhos, preciso que esta luz volte logo, tenho muita coisa para fazer hoje ainda, e minhas vizinhas estão impacientes...

E um dos homens:

- Senhora, já falei que vai dem...

Ela corta a fala do caboclo:

- Lá nos fundos da casa, bem escondida, tem uma geladeira cheia de cerveja gelada, tudo pra vocês. Faço uns sanduiches para acompanhar. Vocês precisam se alimentar depois do trabalho, né? Saco vazio não fica em pé!

Os olhos da peaõzada brilharam de uma forma nunca vista, e como sedentos no deserto concordaram com a cabeça e iniciaram o conserto de forma alucinante.

Meu estudo já havia ido pra cucuia, e naquele momento só pensava na geladeira dos fundos da casa. Coloquei toda a conversa em dia com Dona Margarida, e depois de outros trinta minutos (que "voaram"), os enfeites de natal voltaram a piscar naquele quarteirão do Rio Comprido. Todos bateram palmas, gritaram de alegria, como se aquilo fosse um coisa jamais vista.

O pessoal da luz ainda acabou de podar o bougainville de dona Margarida.

Depois de tudo resolvido, a vizinhança voltou para casa, e os trabalhadores foram para os fundos da casa verde. Bebiam como bezerros, e com o sorriso mais largo que vi, dona Margarina vem da cozinha com uma espécie de bacia, cheia de sanduiches de mortadela e presunto.

Foi uma das cenas mais bonitas do bairro.

Viva a Dona Margarida!

05 Dezembro 2008

PROJETO MAUÁ

Quem ficar na cidade neste fim de semana terá uma bela opção de programa. Como no Santa Tereza de portas abertas, os artistas e moradores da Praça Mauá, principalmente do morro da Conceição, estarão com suas casas abertas na intenção de dar uma merecida valorizada no local e ainda poder mostrar seus trabalhos. É o Projeto Mauá junto com o Porto cultural, vejam maiores detalhes no site http://www.projetomaua.com.br/

Para quem não conhece o local, não sabe o que está perdendo. Vale visitar o Observatório do Valongo, a Fortaleza da Conceição, a igreja de São Francisco da Prainha, a pedra do sal, as biroscas das esquinas, as pequeninas ruas do morro e suas casas. Nas ruas da Praça Mauá, no pé do morro, também haverá furdunço.



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Fica aqui a minha sugestão, e viva a ZONA PORTUÁRIA!

04 Dezembro 2008

TIA GLÓRIA

A tia Glória é a responsável por deixar bem limpinha a rua do Senado e seus arredores. Trabalha duro, ganha pouco, mas não perde a graça. Aos sábados ela começa mais cedo, pois sabe que à tarde sempre tem um furdunço no armazém.

Está aí um lugar onde ela é tratada como uma rainha. Os homens do local se acotovelam para servir a senhora. Eu mesmo faço questão de abrir sua cerveja e depois colocar no copo. Como é boa de papeio a tia Glória, sabe de tudo, e sempre nos conta o que está acontecendo pelas redondezas. E às vezes entra na cozinha e faz uma panelada de língua pra rapaziada.

Semana passada fiquei sabendo pelo Mendonça que ela vai se aposentar. Todos andam tristes, inclusive ela. Quero aqui, hoje, no dia de seu aniversário, 4 de dezembro, dizer para esta senhora que ela é muito importante em nosso Armazém, e nas ruas do centro. Mas apesar disso tudo acho que é preciso descansar, beber sua cerveja um pouco mais tranquila.

E pelo que conheço dela, acho difícil que fique parada. Alguma coisa já deve estar matutando para fazer.


Mendonça, eu, e tia Glória.


Obrigado pelo carinho com nossas ruas, e com as pessoas simples que a vida colocou em seu caminho.

Beijo grande.