30 Novembro 2008

O RUBRO DA CAMPOS SALES VOLTARÁ

O América da Tijuca, e do meu coração, está com um novo comandante. Saiu o péssimo Reginaldo Mathias e entrou Ulisses Salgado. Ulisses é médico do clube há décadas, é americano mesmo, ama o clube. Mas comandar um dos maiores times do país não é tão fácil, vamos ver como ele se comporta. A pressão é grande!

Pelo menos sabemos que o Mecão vai melhorar, até porque não dá para afundar mais. Acredito com todas as forças no projeto Libertadores 2014, "América nas Américas". Já me vejo pegando o avião para a Bombonera, vendo a cor vermelha de meu clube voltar a aparecer nas arquibancadas.

Sinto uma falta tremenda de gritar gols nos estádios, de poder sofrer pelo meu América junto com outros torcedores, no Maracanã ou em nossa casa de Edson Passos. Fico vendo meus amigos torcendo pelos seus times quando vamos beber, e me entristece um pouco saber que os jogos de minha equipe não passam na televisão. Mas não ficarei abatido. Sou América com orgulho, até morrer, como diz nosso hino.

Vou deixar de presente para vocês um vídeo feito há exatos trinta anos com os gols da vitória do meu time rubro contra seu maior freguês, o Clube de Regatas Flamengo. Trata-se do campeonato brasileiro de 1978 (no vídeo está erroneamente campeonato Carioca), em que ganhamos de 3 a 2.

O César estava endiabrado nesta noite, e o Mecão com muita raça. 32.026 torcedores compareceram ao Maraca para ver o clássico e saíram felizes. O mando do jogo era do time da Gávea.

O Flamengo veio com: Cantarelli, Nélson, Merica, Carpeggiani, Adílio, Jorge Luis, Tita (Waldo), Júnior, Júnior Brasília, Luis Paulo (Santos), e Ramirez. O técnico era o Joubert.

O Mecão da Campos Sales, que era comandado pelo Danilo Alvin, entrou com: País, Ruço, Alex, Leo Oliveira, Bráulio, César, Álvaro, Jorge Valença, Jarbas (Wilsinho), Reinaldo, e Mário.





Saudações Rubras.

28 Novembro 2008

ESTOU EM FALTA

Caros, desculpem a falta de textos por aqui. A coisa tá pegando pro meu lado no trabalho. Não gosto de ficar sem escrever, deixar o blog de lado. Prometo que amanhã entrará um texto, e provavelmente será com notícias fresquinhas do América da Campos Sales, e outras coisas mais.

Semana que vem voltaremos ao funcionamento normal por aqui.

Abraço para todos.

21 Novembro 2008

O PALÁCIO SE FOI.

Poucas pessoas sabem, mas o tradicionalíssimo Cine Palácio fechou as portas neste mês. Foi vendido para o grupo hoteleiro que adquiriu o hotel Ambassador, na rua Senador Dantas, nos fundos do cinema. A idéia deste pessoal é usar o nosso Palácio como o centro de convenções do hotel, mas isto ainda são rumores.

Minha avó está transtornada, chora de dar pena. Fez questão de que eu fosse com ela na quarta-feira à noitinha ao cinema, simplesmente para que eu tirasse uma foto sua em frente ao mesmo.

Este cinema de 1928, foi o primeiro a exibir filmes com som. No aniversário de oitenta anos, este lugar tão importante para os cariocas ganhou de presente sua própria morte.

Sendo assim, o bairro da Cinelândia, que já teve os cinemas Metro Passeio, Pathé, Capitólio, Rex, Rivoli, Colonial, Plaza, Império, Vitória e Palácio, tem apenas o Cine Odeon, é o único que ainda resta.

E então, meus caros, acho que devemos mudar o nome do bairro. Não faz mais sentido chamarmos de Cinelândia um lugar com apenas um de seus habitantes vivo. O resto já foi pra caixa, sem dó algum. A vontade de impor esta modernidade doentia está acabando com nossa história.

Vocês têm algum nome que caberia melhor para a antiga Cinelândia?









Até.

19 Novembro 2008

DIA DO PAVILHÃO NACIONAL

VIVA A NOSSA BANDEIRA E AS CORES DA NOSSA PÁTRIA!




Letra: Olavo Bilac
Música: Francisco Braga



Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil, por seus filhos amados,
Poderoso e feliz há de ser.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da Justiça e do Amor!

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

15 Novembro 2008

PAREI NA PRAÇA XI

Neste sábado ensolarado de praias poluídas, resolvi andar. Saí de casa em direção ao centro. Entrei pela vazia rua do Matoso, e percebi que o único que não respeitou o feriado foi o seu Zé da quitanda. Fui caminhando devagar, às vezes parando, e prestando atenção nas construções mais antigas, nas ruas mudas do bairro. Chegando no largo do Estácio, aos pés do morro São Carlos, o agito era um pouco maior. Algumas crianças na rua, um homem na esquina fazendo churrasquinho, e outra meia dúzia de pessoas preparando um sambinha. O sol parecia incomodar-me um pouco mais naquele momento, talvez por causa da falta de sombra.

Resolvi continuar a andança, e tive então que decidir entre a rua Frei Caneca e a Avenida Salvador de Sá. Decidi pela segunda porque tem mais árvores. Saí então do bairro do Estácio e entrei na Praça XI, um bairro outrora menos escarrado pelas autoridades. Caminhei bem devagar, olhei dois senhores conversando, um de dentro de casa, na janela, e outro na calçada, com uma boina cinza. Olhei um mendigo dormindo no chão, um molequinho andando de bicicleta, e uma mulata cadeiruda no ponto de ônibus. Imediatamente me recordei da antiga Vila Mimosa. Parei um pouco, esperei a cadeiruda pegar o coletivo, e comecei a apreciar a beleza do local. Há quem não veja beleza ali, ou até mesmo quem ache o lugar o mais feio da cidade. Aquela antiga Vila Operária caindo aos pedaços, implorando por dias melhores, realmente me deu dó. Mas os moradores estavam todos com um esgar feliz, com sorrisos na cara, talvez seja o amor pelo bairro. Tive sede. Voltei a andar, desta vez procurando um botequim. Entrei numa ruazinha chamada Laura de Araújo, repleta de casas centenárias, e achei um bar. Gargalhadas medievais vinham do fundo, jogavam sinuca. Entrei e pedi uma cerveja. Fui sedento nos primeiros goles, e a temperatura geladíssima da bebida quase quebrou-me os dentes. Não tinha pressa, e resolvi sentar no degrau de entrada, para ficar olhando a rua. As casas antigas chamaram-me atenção, e os sobrados quase me hipnotizaram.

Nossa arquitetura histórica está aí, sofrendo, resistindo, solitária, suplicando, torcendo para que não venha o moço da britadeira e comece a arrebentar tudo. Está precisando de carinho, de gente que lhe dê o devido valor.

Decidi não seguir em frente, fiquei por ali. Acabei a cerveja, visitei outras pequenas ruas, e encarei várias outras casas do século retrasado. Sei que se pudessem falar pediriam algum tipo de ajuda.

Cheguei em casa há pouco, pensativo. Temos um belo casario pela cidade, poucas são as construções que tiveram a dignidade de receber uma reforma. Por que fingir que isso não é nosso? Várias perguntas estão na minha cabeça, mas não deixarei que a raiva e a tristeza tomem conta de mim.

Tenho certeza que são fortes, e ainda acolherão muitas gerações de famílias risonhas.

Salve a Praça XI.

Até.

14 Novembro 2008

COMBATE NA MADRUGADA TIJUCANA

Quando saía do Columbinha - me apaixono cada vez mais por este bar - hoje à uma da matina, depois de algumas ampolas abatidas com a ajuda de amigos e camaradas, tive o prazer de ver uma cena inusitada.

Dois caboclos, um magro, com cara de que tinha virado quatro noites seguidas, e outro gordinho, de óculos, camisa do Real Madrid, e que carregava uma caixa debaixo do braço, sentaram-se no fundo do bar, à beira do balcão, pediram um litro de skol, abriram um tabuleiro de xadrez, e começaram a jogar. Resolvemos ficar um pouquinho mais para olhar a disputa de longe. Uma hora depois, com uma chuvarada nunca vista do lado de fora, eles foram embora. Pedimos a saideira e fomos também.










Este belo combate, realizado nesta madrugada, em um botequim tijucano, terminou dois a zero pro gordinho.

Até.

11 Novembro 2008

METRO TIJUCA

Semana passada estive no cinema Metro Tijuca! E não é lorota.

De vez em quando dou uma escapada do Rio de Janeiro para descansar em Conservatória, uma cidadezinha no interior do estado. Esta pequena cidade é conhecida como a cidade da seresta, o que atrai gente pacas da terceira idade. Todas as sextas e sábados à noite os seresteiros saem pelas ruas cantando, e nos domingos quem dita as regras é o chorinho, com várias rodas comandadas pelo pessoal da área e do Rio.

Para quem gosta de música é uma beleza, tem o museu do Nelson Gonçalves (maior de todos), do Vicente Celestino, Guilherme de Brito, Silvio Caldas, e Gilberto Alves. É muito bacana.

E é neste minúsculo lugar que fica o Metro Tijuca, dentro da casa de um homem. O tijucano Ivo Raposo, que frequentava o Metro original na Praça Saenz Peña nos anos 60 e 70, viu o seu cinema predileto fechar as portas em 1976. Em 1977, quando começou o seu desmonte, Ivo conseguiu comprar quase tudo e guardou. Tempos depois comprou um terreno em Conservatória, montou uma casa, e em 2005 finalizou as obras do Metro Tijuca em seu quintal. Todas as peças são originais: os lustres, poltronas, portas, projetor, letreiro, cortina... Enfim, tudo. A única diferença é o tamanho, que comporta sessenta pessoas em vez das mil e oitocentas do nosso verdadeiro Metro. Por causa disso é que chamam o local carinhosamente de Cine Centímetro. Rodam algumas sessões nos fins de semana, onde ele projeta um filme de cinquenta minutos da MGM.














Quando entrei para fazer a visita fiquei maluco, veio o nó na garganta, é impressionante. O cinema histórico do meu bairro estava ali, na minha frente, como se não tivesse morrido.

Fica aqui minha recomendação para os apaixonados por cinema, e principalmente para os tijucanos de carteirinha.

Até.

05 Novembro 2008

OLHA O BAFO!




Consegui dia desses, em mais um de meus garimpos, um jóia para minha humilde coleção. Alguns de meus amigos tiveram o prazer de conferir o material no dia da aquisição, e também gostaram. Resolvi escrever sobre este lp depois que o coloquei na vitrola para realizar a audição. A capa é maravilhosa (feita pela revista "O Cruzeiro"), mas os sambas do Bafo da Onça tocando na minha casa... Foi de arrepiar.

Este histórico bloco carnavalesco nascido no carioquíssimo bairro do Catumbi em 1956, emociona a população quando desfila pelas ruas da cidade. Este nome surgiu num botequim do bairro quando o morador local Sebastião Maria, que sempre saía fantasiado de onça no carnaval, estava em mais um porre daqueles, com um bafo de cana danado.

Com duas canções de Oswaldo Nunes, o grande compositor do bloco, este disco emociona do início ao fim. São doze sambas no total, a maioria deles da década de sessenta. Segue a primeira faixa do vinil:


SAMBAFO Nº 2
Oswaldo Nunes

Quem nunca viu
As meninas do "Bafo" sambar,
Saia de casa pra ver,
Elas dão um pulinho

Pra frente,
Elas dão um pulinho pra trás
Sem sair do lugar
Com as cadeiras a remexer

Ô ô ô ô ô
Foi o Bafo da Onça que chegou!
Se você gostou,
Se lhe agradou,
Peça bis

A essa moçada
Que faz a gente feliz
Na onda da empolgação,
Este é o Bafo da Onça
Que mora no meu coração!





O disco foi lançado em 1968 pela fábrica pernambucana Rozemblit, que respondia pelo selo "Mocambo Discos". Seguem as faixas:

Lado A:

Sambafo nº2 - Oswaldo Nunes
Estou gamado por vochê - Oswaldo Nunes
Samba da Invernada - Jujuba
Ôba no samba - Lino Roberto
Poeira da Estrada - Oswaldo Guedes e Moacyr da Silva
Convite a um turista - Walter D. de Freitas

Lado B:

Zé Mané - Oswaldo Nunes
Palhaço não chora - Lino Roberto
Não dou a mão à palmatória - Oswaldo Guedes e Moacyr da Silva
Melancolia do fracasso - Walter D. de Freitas
Não vou sambar - Melinho e J. de Oliveira
Tristeza - Dandão e Oswaldo Guedes

Este pequeno texto tem como intenção compartilhar minha alegria por causa desta raridade, e se quiserem curtir o som desta bolacha, marquemos uma vitrolada a qualquer hora.

Até.