30 Setembro 2008

BONDES TIJUCANOS

A Tijuca era repleta de bondes, o transporte era muito usado pela população de nosso bairro. Várias linhas faziam parte do itinerário tijucano, a vida era mais vivida, brigava-se menos com o relógio, não haviam tantas buzinas e engarrafamentos.

O povo costumava apelidar os bondes com nomes de artistas aclamados na época. Tinham os bondes "Rita Pavone", "Marta Rocha", e os tijucanos costumavam chamar os seus de "Wanderley Cardoso". O papai Isaac pode confirmar isso para mim, já deve ter andando em todos eles.

Vejam algumas fotos deste saudoso transporte, que era cenário de outras décadas tijucanas:



A linha 64 circulando numa rua da Tijuca.



Linha 66 na irreconhecível Praça Saenz Peña.







Acima temos a antiga estação Junção do Elétrico, situada na Muda, onde os bondinhos de burro da Companhia de São Cristóvão se correspondiam com os trens da Estrada de Ferro da Tijuca. A primeira via eletrífica da América Latina e a última a ser fechada foi a Estrada de Ferro da Tijuca. Os trens partiam do ponto terminal da linha de bondes da Tijuca (Junção do Elétrico - Av Édson Passos) e iam até o Alto da Boa Vista, num percurso de 5 quilômetros. A linha foi inaugurada em 14 de setembro de 1898. Em 1890, por causa da construção da linha elétrica de bondes, foi levantada uma pequena usina ao final da rua Conde de Bonfim e ao longo de um riacho. O nome do lugar, Usina, vem daí.



Subindo o Alto da Boa Vista.




Bonde no Largo da Usina.



Bonde Wanderley Cardoso

Abaixo deixo uma lista de linhas de bonde que cortavam as ruas do bairro, corriam pelos nossos trilhos levando os tijucanos para a labuta, e deixam saudade. Alguns destes trilhos ainda teimam em aparecer para nós por debaixo do asfalto danificado, somente para mexer com nosso lado nostálgico:


60 Muda - Marquês de Abrantes

Ida ______________________Volta

Praia de Botafogo___________ _Conde de Bonfim
Marquês de Abrantes_________ Praça Saens Peña
Praça José de Alencar _________Conde de Bonfim
Catete Praça ______________ _Saens Peña
Largo do Machado ___________ São Francisco Xavier
Catete ____________________Mariz e Barros
Largo da Glória______________ Praça da Bandeira
Augusto Severo ______________Joaquim Palhares
Teixeira de Freitas____________Largo do Estácio de Sá
Largo da Lapa _______________Estácio de Sá
Mem de Sá _________________Salvador de Sá
Frei Caneca _______________ _Frei Caneca
Salvador de Sá ______________ Riachuelo
Estácio de Sá _______________ Mem de Sá
Largo do Estácio de Sá _________ Visconde de Maranguape
Joaquim Palhares ___________ _ Largo da Lapa
Praça da Bandeira ____________ Lapa
Mariz e Barros _______________Glória
São Francisco Xavier __________ Catete
Lgo. da Segunda-Feira _________ Largo do Machado
Conde de Bonfim _____________ Catete
Praça Saens Peña_____________ Praça José de Alencar
Conde de Bonfim _____________ Senador Vergueiro
Marquês de Abrantes


62 Praça Malvino Reis

Ida _________________________Volta

Praça Tiradentes _______________Alexandre Calaza
Constituição __________________ Visconde Santa Izabel
Praça da República______________ Praça Barão de Drumond
Frei Caneca ___________________ 28 de Setembro
Salvador de Sá _________________ Pereira Nunes
Estácio de Sá __________________ Barão de Mesquita
Largo do Estácio de Sá ____________São Francisco Xavier
Haddock Lobo _________________ Mariz e Barros
Afonso Pena __________________ Afonso Pena
Mariz e Barros ________________ Haddock Lobo
São Francisco Xavier ____________ Largo do Estácio de Sá
Barão de Mesquita ______________ Estácio de Sá
Largo Verdun _________________ Salvador de Sá
José Vicente__________________ Frei Caneca
Teodoro da Silva _______________ Praça da República
Barão do Bom Retiro _____________Constituição
Praça Tiradentes


64 Aguiar - Fábrica

Praça Tiradentes
Constituição
Praça da República (Bombeiros)
Frei Caneca
Salvador de Sá
Estácio de Sá
Largo do Estácio de Sá
Haddock Lobo
Aristides Lobo
Barão de Itapagipe
Aguiar
Conde de Bonfim
Araújos
General Roca
Praça Saens Peña
Dezembargador Isidro
Praça Gabriel Soares


66 Tijuca - Pça XV

Praça VX
Sete de Setembro
Tiradentes
Constituição
Praça da República
Frei Caneca
Salvador de Sá
Estácio de Sá
Haddock Lobo
Conde de Bonfim
Praça Saens Peña
Conde de Bonfim, até a Usina


67 Alto da Boa Vista - Praça da Bandeira

Mariz e Barros
São Francisco Xavier
Largo da Segunda Feira
Conde de Bonfim
Praça Saens Peña
Conde de Bonfim
Edson Passos
Estrada Velha da Tijuca
Mussu
Edson Passos
Praça Afonso Vizeu
Boa Vista


68 Uruguai - Engenho Novo

Largo São Fransisco de Paula
Andradas
Presidente Vargas
Machado Coelho
Largo do Estácio de Sá
Haddock Lobo
Largo da Segunda-Feira
Conde de Bonfim
Praça Saens Peña
Conde de Bonfim
Uruguai
Barão de Mesquita
Largo do Verdun
José Vicente
Teodoro da Silva
Barão do Bom Retiro
Allan Kardec
24 de Maio
Estação do Engenho Novo


69 Aldeia Campista

Ida ______________________Volta

Praça Tiradentes____________ Barão do Bom retiro
Constituição _______________ Barão de Mesquita
Praça da República __________ São Francisco Xavier
Presidente Vargas___________ General Canabarro
Praça da Bandeira ___________ Ibituruna
Mariz e Barros _____________ Mariz e Barros
Ibituruna _________________ Praça da Bandeira
General Canabarro __________ Presidente Vargas
São Francisco Xavier_________ Praça da República
Barão de Mesquita __________ Constituição
Pereira Nunes _____________ Praça Tiradentes
28 de Setembro
Praça Barão de Drumond
Visconde de Santa Izabel
Barão do Bom Retiro


70 Andaraí - Leopoldo

Praça Tiradentes
Constituição
Praça da República
Presidente Vargas
Praça da Bandeira
Pará
Senador Furtado
Amapá
General Canabarro
São Francisco Xavier
Barão de Mesquita
Leopoldo


72 Saenz Peña - Méier

Praça Saens Peña ___________24 de Maio
Conde de Bonfim ___________Barão do Bom Retiro
Uruguai __________________Barão de Mesquita
Barão de Mesquita __________Major Avila
Largo do Verdun ___________Praça Saens Peña
José Vicente
Teodoro da Silva
Barão do Bom Retiro
24 de Maio
Dias da Cruz
Silva Rabelo
Tenente Cerqueira Leite
Amaro Cavalcanti, esquina D.Cruz


74 Vila Izabel - Engenho Novo

Largo São Francisco de Paula
Andradas
Presidente Vargas
Praça da Bandeira
Mariz e Barros
São Francisco Xavier
Barão de Mesquita
Pereira Nunes
28 de Setembro
Praça Barão de Drumond
Visconde de Santa Izabel
Barão do Bom Retiro
Allan Kardec
24 de Maio
Estação do Engenho Novo


* Algumas fotos são da coleção Allen Morrison.

Até.

29 Setembro 2008

TIJUCA NA REDE

Recomendo que todos visitem o site oficial da Tijuca, que já está indicado no menu à direita do BOEMIA & NOSTALGIA.

Podemos encontrar notícias, telefones de comércios do bairro, serviços em geral, as praças, os bairros adjacentes que formam a grande Tijuca, e ainda temos histórias e curiosidades, como o hino e o brasão Tijucano.

Vale a pena conferir.

Até.

26 Setembro 2008

MÚSICA DE BAR

Seu Waldir está com 76 anos, é asmático, bebe, fuma pacas, e canta. Mora em um sobrado na rua Gomes Freire, no Centro, com a mãe de 97 anos. Todas as terças e quintas faz a alegria do povo soltando sua voz pelos botequins, e não cobra nada para cantar. O seu repertório melancólico não intimida o pessoal, que ainda pede "bis" após cada canção. Sou fã do Waldir, vou prestigiá-lo quase sempre, e bato palmas para ele.



Até.

25 Setembro 2008

O REI DAS CHINELAS

Foi em 1973 que o seu Figueiredo abriu sua simpática loja na Praça Afonso Pena, Tijuca. "FIGUEIREDO, O REI DAS CHINELAS" é o nome pomposo da lojinha. Este português de Guimarães é um mistério. Quando cheguei em seu estabelecimento para fazer as fotos, disse que não poderia fazê-las da porta para dentro, e muito menos queria ser fotografado. Perguntei-lhe o motivo e disse-me que seus espíritos não achariam bom. Achei curioso, não sei se foi um modo de me enrolar, mas respeito acima de tudo. Arrematou dizendo que se a sua foto fosse divulgada por aí, ninguém mais iria querer aparecer na loja. Deve se achar feioso, o sujeito.

Este senhor além de vender as antigas chinelas, chinelos, e sapatilhas, faz o conserto das mesmas. Todos aqueles apetrechos antigos de um bom sapateiro estão à mostra no local ao lado de algumas imagens de santos. Consegui apenas fotografar o letreiro e uma das vitrines, que para a minha alegria tinha um adesivo do meu América com o dizer: "UMA QUESTÃO DE AMOR".









Descolei poucas informações de seu Figueiredo, uma delas é que ele vive na Tijuca, na rua Mariz e Barros.

A Praça Afonso Pena é um ponto magnífico, e perguntei-lhe se venderia algum dia, ou se alguém já lhe havia feito propostas:

- Não saio daqui, não existe loja igual a minha. Além do mais não preciso de dinheiro, gosto mais destes sapatos.

Foi curto e grosso.

O que vale é que o lugar é interessantíssimo, tijucano, e já que não consegui mostrar seu interior, e a cara do dono, vale uma visita.

Até.

24 Setembro 2008

CHOREI

Paulo César Pinheiro e Eduardo Gudin

Chorei
Como nunca chorei na vida
Porque precisava desabafar
Chorei
Tanta mágoa naquela hora
Que a tristeza foi indo embora
Antes da derradeira lágrima rolar
Chorei
Porque vinha trazendo minh'alma sentida
Eu chorei pela última vez nessa vida
Para nunca mais chorar
Doravante eu vou cantar
Se a tristeza voltar
Dessa vez não demora
Mas não me envergonho pelo pranto que chorei
Porque
Pelo que eu chorei
Qualquer um também chora

22 Setembro 2008

MOMENTOS FELIZES

























Até.

PELADA CHEIA DE ROUPAS

A velocidade não é a mesma de tempos passados, a calmaria anda perdendo a partida contra a ligeireza.

Me lembrava dia desses que há pouco ainda jogava as peladas da minha rua, coisa de quinze anos atrás. Tinha uma turma boa de amigos aqui na redondeza, e domingo bem cedinho já estávamos fazendo as balizas com pedras. Enquanto uns arrumavam os detalhes do "campo", os outros tocavam as campainhas das casas dos amigos mais preguiçosos. Todos presentes, tirávamos os times na sorte, e a bola rolava. Se tivesse muita gente o gol era maior e com goleiro, senão era "golzinho".

Contávamos os segundos para o domingo, éramos todos uns "fominhas", e quem ficava na de fora fazia cara de poucos amigos. Definitivamente, o importante ali era se divertir. Apesar da pouca idade, comecei a jogar na rua com uns oito anos, acho que já sentíamos como era importante vivermos aqueles momentos lúdicos no nosso bairro. Não tínhamos luxo algum. Jogávamos descalços, com tênis furado, tênis com fita isolante para tapar a "janela do dedão do pé", com os tênis mais vagabundos da terra. As camisas dos atletas pareciam queijos suiços, e os calções mais chiques eram os da "Silze". Driblávamos carros estacionados, árvores, frades, e meio-fio. E as velhotas? Aturamos durante toda a infância a dona Yolete do 2º andar, que era birutinha, e ficava gritando pela janela para que acabássemos logo com a brincadeira por causa do barulho. Tinha também a dona Alda, se vacilássemos ela furava a bola sem perdão. Quando acabava a pelada ficávamos imundos na rua durante horas jogando conversa fora, ou fazendo qualquer outra atividade em conjunto, como jogar botão. Muitas ruas possuíam o mesmo cotidiano.





Vivi intensamente isso, foi uma época que marcou. E hoje? Como as coisas mudaram, como as almas se esfriaram, como o povo se individualizou. Hoje o relógio trabalha dobrado, não há tempo para nada, acabou-se o que era doce.

Jogar uma simples pelada atualmente significa gastar primeiro. A molecada exige campos fechados, chuteiras da nike de duzentos reais, camisas do Manchester de cento e cinquenta reais, e todos esses apetrechos que passam diariamente pela cabeça dessas crianças. Na hora na partida não conseguem nem se mexer.

Ninguém mais vive os momentos bonitos, ninguém mais joga descalço, ninguém mais dribla uma árvore, ninguém mais tem uma bola furada. O que se há, meu caros, é cada um pro seu canto, com seu armários cheios de roupas brilhantes, e com seus corações crescendo cada vez mais vazios.

Até.

19 Setembro 2008

DEFENSOR DO CENTRO

Saiu ontem na página onze no jornal O Globo, um pequeno texto de nosso querido Digão Folha Seca. O espaço, intitulado "O Rio da gente", tem sempre um colunista convidado que diz algo sobre a cidade. Digão foi em defesa do centro e matou a pau. Se todos os cariocas pensassem desse jeito, nosso casco velho teria outra cara. Alertou também sobre a importância das ruas do Rio, dizendo que os cariocas necessitam estar nelas. É pura verdade.

Vamos ao texto:

"Gosto muito de andar e sentir o dia-a-dia das ruas da cidade. Aprendi a conviver com os personagens, as histórias, e por que não, as vicissitudes de um Rio tão maravilhoso quanto paradoxal. Mesmo com todas as dificuldades, o carioca tem a vocação da rua. Me parece que a maior preocupação de quem cuida da cidade é olhar seus espaços e suas pessoas. Garantir que o cidadão usufrua a rua - não qualquer uma, mas aquela segura, iluminada, limpa. Melhorar a circulação, facilitar o acesso e sinalizar as vias públicas é essencial.

Tenho visto surgir movimentos interessantes de reunião de comerciantes, moradores e frequentadores de bairros para regulamentar e organizar os espaços coletivos. Os pólos culturais e gastronômicos, como o da Praça XV, do qual faço parte, têm um papel importante na realização de atividades concretas e na reivindicação junto aos órgãos públicos para exigir melhorias.

Buscamos racionalizar a coleta de lixo, organizar a circulação de veículos, regulamentar o comércio, enfim, proporcionar às pessoas uma cidade boa de se viver. É preciso coibir o comércio ilegal e inserir essa população desempregada em novos postos de trabalhos resultantes dessa revitalização. O apoio da prefeitura às ações sugeridas pelos pólos é fundamental para envolver mais e mais o cidadão nesse movimento.

As livrarias do Centro lançam este mês a 2ª edição do Roteiro das Livrarias do Centro Histórico do Rio. É uma tentativa de propor itinerários culturais que tragam o carioca ao berço da cidade. Iniciativas como essa devem ser apoiadas para que se multipliquem e permitam a todos usufruir a alma encantadora das nossas ruas"





Vale a pena lembrar também, que amanhã na Livraria Folha Seca teremos o lançamento do livro "Quando a bola era redonda", do queridíssimo Ivan Soter. O evento ocorre de 11 às 15 da tarde. É o programa do sábado.







Até.

18 Setembro 2008

RIO-BRASÍLIA É O MELHOR.

Na véspera da inauguração do seu novo bar, o CIAROCA, Joaquim teve seu botequim Rio-Brasília eleito o melhor da zona norte em votacão no globooline. Se a eleição fosse para toda a cidade também ganharia. Isso é uma prova de que o nosso boteco do coração não pode ser deixado de lado.

Parabéns Joaca e Terezinha.

Vejam a matéria completa aqui.



Até.

16 Setembro 2008

O NOME DELE É NUNES!

Muitos indivíduos nos dias de hoje se dizem entendidos sobre botequim, dão "conselhos", pitacos, fazem listinhas dos "dez mais", e o escambau. Seria muito bacana isso tudo, pena que a maioria desses entendidos soam a galhofa. É uma tristeza só, não sei se é para rir ou para chorar.

O que eu sei é que gosto de bares, das pessoas que habitam biroscas, dos sentimentos concebidos ali... Porém, tudo sem "lista" e sem o caralhoaquatro.

É por isso que todos os domingos, eu disse todos, às 9 da manhã, compareço ao bar Urca.

Você deve estar exclamando:

- O Felipinho vai para beber cerveja!

É verdade, claro que é para beber cerveja, mas o protagonista das minhas manhãs de domingo não é ela, é o NUNES! Não é o Nunes ex-atacante do Flamengo não, é o NUNES do Bar Urca.

O NUNES é uma dessas pessoas que habitam os botecos, por isso conto os segundos para que o meu domingo chegue. Logo de manhã ele serve para a rapaziada as Brahmas mais geladas, as mais bem criadas, com todo carinho, justamente por que sabe que nossa turma aparece naquela hora por elas.

O cearense NUNES começou no batente por aqui em 1971 no abolido Café e Bar Esplendor, em Ipanema. Este bar pertencia ao atual dono do Bar Urca, o seu Gomes. Em 17 de outubro de 1973, NUNES migrou para a Urca com o seu patrão, e ambos estão lá até hoje.

A descontração de nossa roda dominical de amigos de balcão é somada com a alegria do NUNES:

- Senhores do Conselho, vejo que vossa Brahma está findada! Falarei para a foca que vive na geladeira providenciar outra!

Assim urra de dentro do balcão o nosso NUNES, anunciando a chegada de mais uma mofada para nós.

Grande figura, grande sabedor de bar, grande personagem da boemia carioca.

E que os tolos entendidos fiquem longe dele!








Até.

11 Setembro 2008

ORGULHO RUBRO

Ontem recebi um telefonema de minha irmã:

- Felipe, o Vinicius quer falar contigo, pediu para eu te ligar.

Vinicius é meu sobrinho de cinco anos, moleque bacana, parceiro. Ele pega o telefone da mãe:

- Tio, amanhã vou jogar minha primeira partida contra, vou defender o América. Você vai me ver, né?

O garoto joga futebol de salão no América, é viciado em bola, e acha que faz parte do plantel rubro. Quando vou em sua casa para brincarmos, a pelada na varanda rola até tarde. Na hora de ir para a cama, sempre pede para que eu lhe conte histórias de futebol antes de dormir, daquelas em que ele joga no Maracanã, faz gol, e vai pra torcida.

O tal jogo foi hoje de manhã, contra o Clube Municipal, na casa do adversário, e perdemos de 3 a 2. Mas o importante foi ver a felicidade e o entusiasmo do meu afilhado. Um dos gols foi dele, e segundo a contagem da avó coruja ele agora soma 89 gols na carreira.






Até.

10 Setembro 2008

O ENCONTRO

Ontem à noite o BUTECO DO EDU mandou um recado para o BOEMIA & NOSTALGIA dizendo que o ANHANGÜERA estava na área. Estavam indo beber no botequim do Joaquim. O BOEMIA & NOSTALGIA encontrava-se muito ocupado naquele momento, mas o tal recado fez com que ele rapidamente desse um jeito de sentar-se à mesa com os dois amigos. Que saudade tínhamos do ANHANGÜERA! Alegria é a palavra melhor empregada para ilustrar tal encontro. Abraços fortes, gargalhadas com efusão, goles generosos, pedaços de lagarto assado saborosos...
Mas faltava alguém por ali. Nossas preces foram atendidas quando vimos o HISTÓRIAS DO BRASIL virando a esquina com seu sorriso particular. A certeza de uma noite fidedigna estava garantida.

O troço foi tão bom que o tempo passou mais rápido do que devia, e ficamos até o Joaquim do botequim fechar as portas. Na mente desses quatro amigos unidos com copos na mão, ficou somente uma pergunta: Cadê o SÓ DÓI QUANDO EU RIO?



Hoje tem mais.

Até.

07 Setembro 2008

O NOVO JOAQUIM

Chego em casa neste momento após beber um maracujá e duas casco-escuro, no Rio-Brasília, acompanhado do meu tio, o Espanhol. Coisa pouca, apenas para o domingo não passar em branco.

Logo que chegamos pintou por lá o irmão do Joaquim, o Alfredo. Alfredo é dono do bar Cantinho do Céu, na rua Maestro Villa Lobos (Tijuca), e de outros quatro pela cidade. Qualquer hora escrevo sobre o Cantinho do Céu, boteco que tem a melhor porção de orelhas de porco que já comi. Alfredo, gente finíssima, passou rápido por lá para pegar emprestado quatro caixas de cerveja com o Joaca. Parece que o bicheiro da rua estava fazendo a festa de quinze anos da filha em seu pé-sujo.



Alfredo, de vermelho, e Joaquim, pegando o engradado com o Imperador


Depois disso, conversando com o glorioso Joaquim, fiquei sabendo que finalmente a nova filial do Rio-Brasília inaugurará nesta sexta na loja ao lado. É claro que estarei presente, pois ali é minha segunda casa, mas confesso que estou desconfiado. Entrei no novo bar semana passada a convite do Joaquim, e posso afirmar que parece mais lanchonete do que botequim. Vamos ver como vai ficar a coisa, mas sei que tem muito freguês das antigas torcendo o nariz. Pelo menos o antigo Rio-Brasília continuará na labuta, porém não sei até quando.

E o novo nome? Pois é, parece que o Joaquim vai colocar outro nome em sua nova casa comercial. Primeiro pensei que fosse sacanagem, mas pelo visto não é blague não. CIAROCA, mescla de "CIARENSE" com "CARIOCA". E aí, bacana?

Até.

05 Setembro 2008

ESPANHOL

Como alguns sabem, perdi meu pai quando tinha dezoito anos. O coroa morreu cedo, e não aproveitei muito a vida ao seu lado. Gostaria muito de poder dividir o balcão de um bar com ele. Deve ser muito bom beber umas cervejas ao lado de um pai, escutando seus conselhos, compartilhando histórias. Qualquer dia escrevo um pouco sobre o velho Manolo.

Enquanto crescia, dava um jeito de conseguir alguém que suprisse essa falta patriarcal, e não tive dificuldades, pois esta pessoa sempre esteve ao meu lado. Meu tio Celestino, irmão de meu pai, e mais conhecido como espanhol, é como um pai pra mim. É amigo, companheiro, dá e recebe conselhos, bebe comigo... Enfim, é um pai mesmo.

Meu tio veio para o Brasil em 1958, a miséria do pós guerra na Espanha durou anos. Hoje diz que é mais brasileiro que espanhol, e ama demais o país que o acolheu. Trabalhou a vida inteira no ramo de restaurante e bares, mais precisamente no extinto El Faro, em Copacabana. Falar do El Faro é outro capítulo. Ele ficava na Av. Atlântica ao lado da galeria Alaska, um dos redutos da sacanagem carioca. Presenciou muita coisa, uma delas foi a morte do Almir Pernambuquinho, que foi esfaqueado na frente dele. Depois de mais de quarenta anos atrás do balcão, meu tio resolveu "pendurar as chuteiras".

Quando saímos juntos, gostamos de ir nos bares onde estão seus amigos. Vamos muito ao Bar Brasil, que chamamos de Alemão, por causa do seu Pepe. Seu Pepe é amigão dele, e está há cinquenta anos no Bar Brasil. Semana passada estávamos por lá e pedimos chopp - na minha opinião o melhor do Rio - e para acompanhar, picles, pepinos em conserva, e paté com pão preto. Duas meninas e dois rapazes com ares de frescos entraram na casa e sentaram-se ao nosso lado. Pediram o cardápio, olharam para nossa comida, e chamaram o garçom:

- Garçom, tem hamburguer?

O bigode olhou pra nós, querendo rir, e respondeu na lata:

- Temos porco! Joelho, pé, orelha, linguiça de tripa...

A cara dos quatro forasteiros foi de pavor, se mandaram, e acho que nunca voltarão.

No Rio-Brasilia - nobre botequim da Tijuca - batemos o ponto quase todos os dias, somos da casa desde 1984.

Colecionando estes momentos nos bares que levo a vida com meu tio Celestino. Ficamos felizes e tristes juntos, na mesma mesa. Posso afirmar que sou um homem com pai, e que pai!





Só para finalizar:

Há vinte e um anos ele não vai à sua terra. Temos muita família por lá, e ele morre de saudades. Diz que só volta se for comigo, para bebermos em suas tabernas de infância. Ano que vem eu vou pra lá, e o que ele não sabe é que vou levá-lo também. Quando menos esperar estarei com os bilhetes na mão. Fico tranquilo em tornar isso público, pois meu amado tio não tem nem puta idéia de como se entra num computador.

Até.

04 Setembro 2008

WALDICK

Chegou a hora do baiano Eurípedes. O homem que levou o ritmo cafona, e as canções dor-de-cotovelo aos quatro cantos do país, se foi. O seu jeito canastrão marcou época, e suas músicas fizeram sucesso em todos os botecos do Brasil. Obrigado meu chapa.


Até.