29 Agosto 2008

O FAMOSO MATOSO

A rua do Matoso está de bola cheia, sempre esteve. Como foi falado aqui, aqui, e aqui, eu e meu amigo Edu Goldenberg começaremos amanhã a nossa caminhada para desbravar cada metro quadrado desta belíssima rua, a espinha dorsal da Tijuca. Como disse o próprio Edu, faremos tudo bem devagar, com carinho, aproveitando cada momento, como deve ser feito.

Depois de todos esses textos enaltecendo o local, muitos devem estar perguntando: Quem é este tal de Matoso?

Eusébio de Queirós Coutinho Matoso da Câmara, nasceu na cidade de São Paulo de Luanda, em Angola, em 1812, e faleceu no Rio de Janeiro em 1868. Veio para o Brasil com três anos de idade juntamente com seus pais, Eusébio de Queirós Coutinho da Silva (ouvidor-geral da comarca de Angola), e Catarina Adelaide Matoso de Andrade Câmara. O nosso Matoso formou-se bacharel em direito pela Universidade de Olinda em 1832, foi juiz, desembargador, chefe de polícia da corte do Rio de Janeiro, deputado, senador, e ministro da Justiça entre 1848 e 1852.

O Matoso não brincava em serviço. No dia 04 de setembro de 1850, sancionou a lei nº 581 (lei Eusébio de Queirós), umas das mais importantes do império, que determinou a proibição do tráfico negreiro no país. Foi o primeiro passo para o fim desta ignorante escravatura.



Matoso

Agora que todos sabem quem é o cara, e ele não era pouca coisa, ficarão sabendo também porque a rua que leva o seu nome é tão querida pelos tijucanos. RUA DO MATOSO - A SÉRIE, dará o que falar no BUTECO DO EDU.

Até.

28 Agosto 2008

RUA DO MATOSO

A rua mais bonita da Tijuca começa na Praça da Bandeira, entra pela Tijuca, e termina no Rio Comprido. Eu e meu camarada Edu Goldenberg, apaixonados por ela, iniciaremos neste sábado um levantamento das maravilhas da Rua do Matoso, e talvez até listemos as "Sete Maravilhas da Rua do Matoso". Supermercados, galinheiros, botecos, farmácias, quitandas, motéis, e vários outros tipos de comércio fazem parte desta rua singular. Será tudo feito com muito carinho, tenho certeza que a coisa vai dar o que falar. A idéia começou numa conversa nossa no BUTECO DO EDU ( leia aqui, e aqui), e lá também é que poderá ser lido: RUA DO MATOSO - A SÉRIE.
Até.

27 Agosto 2008

LUPE

exatos 34 anos perdíamos o senhor Lupicínio Rodrigues. Ele nos deixou centenas de relíquias em forma de marcha carnavalesca e samba-canção. Suas letras eram melancólicas, falavam do amor sofrido. Veio dele o termo "dor-de-cotovelo", usado para as pessoas que são traídas pelos seus amores e choram no balcão do bar amigo. Tinha a boemia no sangue, gostava de bares, e chegou a possuir alguns. Gremista ferrenho, compôs o hino do clube em 1953.

Gosto muito de suas canções, uma delas chama-se "Ela disse-me assim", e ficou fenomenal na voz do também saudoso Jamelão. Deixo aqui então, a minha lembrança para este importante homem brasileiro.


Ela disse-me assim
Lupicínio Rodrigues

Ela disse-me assim
Tenha pena de mim, vá embora
Vais me prejudicar
Ele pode chegar, tá na hora.
E eu não tinha motivo nenhum
Para me recusar
Mas aos beijos caí em seus braços
E pedi para ficar.
Sabe o que se passou?
Ele nos encontrou, e agora?
Ela sofre somente porque
Foi fazer o que eu quis.
E o remorso está me torturando
Por ter feito a loucura que fiz
Por um simples prazer
Fui fazer meu amor infeliz

26 Agosto 2008

JORGINHO DE PILARES

Escrevo aqui neste lugar, na maioria das vezes, sobre botecos. Sou realmente apaixonado pelas pessoas que criam calos nos cotovelos, sempre apoiados nos melhores balcões da cidade. Me considero um sortudo, pois bares não faltam, e a cada esquina temos um santuário etílico.

Aquela cervejinha pela manhã ou no fim de tarde, e aquele maracujá com a porta do botequim já arriada. Tudo isso faz parte do meu cotidiano, e quase sempre acompanhado de meu amigos mais chegados. Alguns dias bebemos e saímos sóbrios, e noutros bebemos e saímos numa carraspana só. Isso depende do dia, da emoção, e do sentimento que estão sendo gerados no local. Já aconteceu, e várias vezes, de ir apenas para beber uma cerveja, e quando vejo já estou com dois engradados empilhados ao lado da mesa, numa alegria só com os companheiros. São dias assim que costumam entrar para a história.

Gosto de uma birita de vez enquando mas me preocupo com a saúde, e todos que andam comigo fazem o mesmo. Sabemos perfeitamente quando temos que dar aquela paradinhda de uma semana pelo menos. É triste quando vejo um moribundo deitado na rua com o seu pileque eterno, com o dia de amanhã incerto, e ainda por cima pedindo grana para ficar se matando.

Conheci Jorginho de Pilares em 1995, no bairro de Pilares. Tenho um camarada que mora na Casimiro de Abreu, e sempre estou por ali prestigiando os maravilhosos pés-sujos do local. Este nobre homem, que dá título à este texto, vivia de bar em bar, no Seu Geraldo, fedendo a cana, e cuspindo cada vez mais grosso. Todo mundo conhecia o Jorginho na região. Os mais antigos do bairro viviam ralhando com ele por causa de seu vício, mas sem êxito algum. Ele era filho do Seu Jorge Mecânico, queridíssima figura, e ilustre mecânico da vizinhança. Seu Jorge mora no pé do morro do Urubu e está aposentado, mas ainda faz seus biscates pela área. Este velho senhor fez de tudo para dar o melhor para seu garoto, que o ajudava nos biscates, mas não sabe o motivo pelo qual ele se perdeu no mundo do goró diário. Seu filho não soube administrar o desejo insano pela branquinha.

Jorginho Pilares morreu ontem, não se sabe de quê, mas o seu fígado é o principal suspeito. Não soube aproveitar corretamente os bares da vida, vivia de exageros, e achava que nada iria lhe acontecer. Já não dava importância aos homens que o viram crescer naquelas ruas do subúrbio, e que hoje lhe puxavam pelo braço empurrando-o em direção à casa por consideração ao velho Jorge Mecânico. Foi um tolo, principalmente porque teve chances de não trilhar este destino.

A última vez que o vi foi no bar do Seu Geraldo, e eu estava tirando fotos do boteco nesse dia. Tirei algumas dele, mas estas três falam por si, muito melhor do que meu humilde texto.

Ergo daqui o copo pra você, fique em paz, e tenha juízo.







18 Agosto 2008

DORIVAL

O velho se foi, um pedaço do Brasil se foi, a Bahia se foi. Quanta coisa bonita ele nos deixou, com certeza foi um dos maiores compositores da história.

Conversando com meus amigos Simas e Edu, ontem, no Rio-Brasília, chegamos à conclusão de que a mídia não deu a menor importância para essa tamanha perda. Lembrou bem o Edu quando disse que na época em que os Mamonas Assassinas morreram, o programa Fantástico foi inteiramente exclusivo para eles. Lástima!

Outra discussão ferveu ontem. Simão jura que Caymmi era botafoguense, e eu tenho certeza que era América. O título da linda canção abaixo combina muito com o Mecão.


É DOCE MORRER NO MAR

É doce morrer no mar,
Nas ondas verdes do mar

A noite que ele não veio, foi
Foi de tristeza pra mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi pra mim

É doce morrer...

Saveiro partiu de noite, foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou.

É doce morrer...

Nas ondas verdes do mar, meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá

É doce morrer...

11 Agosto 2008

O AÇOUGUE DO SEU JOSÉ

Andava na semana passada pela rua do Matoso, aqui na Tijuca, quando encontrei o seu José no portão da vila onde mora. Era de manhã, e ele vestia bermuda num horário de labuta, com uma cara lúgubre.

O açougue Recreio, na rua Haddock Lobo nº 159, ao lado da padaria Milu, faz parte da minha vida. Desde pequeno, puxado pelo forte braço de meu falecido pai, um espanhol que gostava das coisas simples, - chorava à toa o coroa - que frequento o açougue. De meu pai, aliás, herdei seus amigos do coração. O seu Salvatore, peixeiro da feira da minha rua, seu Antônio, jornaleiro da esquina, seu Mario, o joalheiro, seu Valença, que era o seu relojoeiro, seu Lavandeira, que é meu alfaiate hoje em dia, e seu José, do açougue do bairro. Todos já com suas idades avançadas, mas batendo o ponto diariamente.

De criança à homem, comprar carne no açougue Recreio sempre foi parte do meu cotidiano, como me ensinara meu velho. Pois então, tinha o sonho de fazer o mesmo com o meu filho, isso se eu um dia for pai.

Mas no açougue de minha infância, e de minhas lembranças, não será mais possível. Ele morreu. Por isso o seu José anda cabisbaixo, ele perdeu a luta contra os impostos, e contra os malfeitores que comandam nosso Brasil.

- Não sei o que faço agora, acho que vou parar. Disse coçando a barba branca por fazer.

Este nobre e ainda robusto homem de 75 anos, trabalhava no local há 43, e conhecia todos da região. Tinha gente que comprava pão na padaria e depois passava no açougue só para conversar com seu José, e depois acabava levando uma carninha. Carne de primeira e de segunda, frango, porco, fígado, língua, linguiça, miúdos... Tinha tudo fresquinho por lá, eu até brincava com ele falando que só faltava orelha de galinha.

Depois dessa notícia, uma coisa me deixa encucado... Quanto tempo aguentará o seu José sem a sua rotina, já que lhe arrancaram um pedaço de forma brusca e contra sua vontade? O que fará este senhor no seu sofá? Com certeza ele está em casa neste momento, ainda sem acreditar que lhe puxaram o tapete, sendo perturbado por sua memória, que deve estar insistindo em resgatar momentos de seu querido local de trabalho.


Para ilustrar este fato infeliz, deixo as imagens do falecido, e um dia glorioso, Açougue Recreio:




09 Agosto 2008

RESPOSTA DE AONDE FICA? - O RETORNO

Para começo de conversa, ninguém levou as cervejas e os pastéis.

A foto é datada de 1969, e o autor é desconhecido. Trata-se da rua do Acre, antiga rua da Prainha, que liga a Praça Mauá com Rua Marechal Floriano, e é o sopé do morro da Conceição. Caminhando hoje por lá, podemos perceber que muitas das construções ainda são as mesmas.

A rua do Acre teve suas características totalmente mudadas após o "bota fora" de Pereira Passos, que a tornou mais larga, demoliu casarões coloniais, e ainda redesenhou seu traçado.

Na foto, os trilhos dos bondes ainda estão à mostra, mesmo com o transporte já findado (em 1968 só circulavam os de Santa Teresa).

Deixo-vos com a foto abaixo de Augusto Malta, de 1903. É a mesma rua do Acre, já nos moldes do nosso antigo prefeito.





Até.

07 Agosto 2008

AONDE FICA? - O RETORNO

Me pediram via email e via comentários para que eu colocasse outra foto aqui com a intenção de descobrir sua localização. Pois então, ei-la. Trata-se de uma bela imagem do final dos anos 60 de uma rua no centro do Rio de Janeiro.

Quem tiver um bom olhar vai matar a charada.

E desta vez tem prêmio!

Os dois primeiros que acertarem na mosca levarão duas garrafas de cerveja e dois pastéis cada um. E no Rio-Brasília! Se quiserem trocar as cervejas por dois maracujás também podem, o que não vale é refrigerante e água.

Regras:

- Só leva quem acertar o nome correto da rua.

- Se a pessoa der mais de um palpite, valerá somente o primeiro.

- As votações serão consideradas impreterivelmente até às 17 horas de amanhã (08.ago.2008).


clique para aumentar


Quem não arrisca não petisca!

Abraço.

06 Agosto 2008

TAMBOR

Como já disseram meus camaradas Edu Goldenberg (aqui), Marcelo Moutinho (aqui), e Bruno Ribeiro (aqui), a letra "Tambor", autoria do Simão e do Mussa juntamente de Edgar Filho, Gari Sorriso e Bené do Salgueiro, é realmente bonita. Tive a oportunidade de escutá-la na mesa do Alfarabi com batucadas de Simas e Beto Mussa, e é de arrepiar.

Estão concorrendo ao samba do Salgueiro em 2009, e a largada já começou. Todos os sábados à noite na quadra da Vermelho e Branco, na Silva Telles, os participantes estão cantando a todo vapor para conseguir o primeiro lugar. Portanto, vamos colocar já este samba maravilhoso na cuca e ajudar nossos amigos a subir no degrau mais alto do podium.

Podemos ouvir o samba aqui (Windows Media Player) ou aqui (site do Salgueiro).


"Canto uma herança
Da humanidade primordial
De árvores tombadas um tom grave
Deu a cadência original
A idéia de um gênio anônimo,
Meu ancestral
Caçador que na mata uma fera enfrentou
Quando sua vitória quis anunciar
Pôs o couro esticado, bateu, repicou
Ôô ôô, ôô ôô

Festa na aldeia,
Lua cheia, um clarão
Tem batuque a noite inteira
É magia, adoração

De ocidente a oriente
Em diferentes formas se multiplicou
Qual é o povo
Que não bate o seu tambor

Quem cruzou o mar
Encontrou um som guerreiro
E desde então o baticum não quer parar
Zambê, zabumba, ilu-abá
Angoma, tumba, candongueiro
Batá-cotô no meu terreiro
Põe na roda o tambozeiro
O Brasil nasceu de mim
Inclusão, cidadania
Furiosa bateria
Coração que bate assim

Menina, quem foi teu mestre?
Um batuqueiro
Que arrastava
O povo do Salgueiro"


Até.

05 Agosto 2008

ANTONIO VIRZI

O italiano Antônio Virzi (1882-1954), era um arquiteto genial. Suas obras extravagantes são comparadas às do espanhol Antônio Gaudi, mas para a nossa sorte foram construídas no Brasil. Virzi chegou ao Rio em 1910 passando a ser requisitado para diversos projetos.

Botou a mão na massa e saiu desenhado, dando vida à importantes obras arquitetônicas no Rio de Janeiro. Entre seus principais projetos, temos o Palacete Martinelli, a casa dos Smith Vasconcelos, na Av. Atlântica, o cinema americano em Copacabana, e a casa da rua do Russel.

A nota triste disso tudo, é que apesar de um arquiteto italiano ter embelezado tanto nossa cidade, pouca coisa ainda resta de pé.

Uma das mais impressionantes construções da cidade também têm sua assinatura, trata-se da fábrica do famoso Elixir Nogueira, propriedade de Gervário Renault da Silveira. A construção do prédio gerou polêmica na época (1916), pois Virzi, que não era adepto das técnicas convencionais de arquitetura, projetou os dois primeiros pavimentos de forma cilíndrica, e depois deu formas retangulares aos andares superiores. A fábrica foi demolida em 1970, mesmo depois de tombada pelo DPHA-GB em 1968, sob protestos do povo e sem explicação alguma.



Fábrica Elixir Nogueira - Rua da Glória 214 (demolido)


clique para ver maior



Palacete Martinelli - Av. Oswaldo Cruz, Flamengo (demolido)


Casa dos Smith Vasconcelos - Copacabana anos 40 (demolido)


Até.

04 Agosto 2008

CHURRASCO DOS ATLETAS DA "PLFSGC"

Ontem foi a décima edição da "Pelada da Livraria Folha Seca Gelobol Clube", e para celebrar o acontecimento nada melhor do que um churrasco. Os peladeiros rumaram para a rua do Ouvidor logo após a partida, onde alguns de nossos amigos já estavam preparando o banquete. Marcelo Freitas, nosso querido Cabañas, ficou nos cuidados da carne, e o Carlinhos Laguna, nosso querido Carlinhos Carré, cuidou direitinho das focas para manter as cervejas geladíssimas.

Foi um belíssimo encontro dos amigos da pelada, e acima de tudo, de pessoas que amam o casco antigo do Rio. Digo isso, pois mesmo no dia de folga, e muitos dos presentes trabalham ali, todos estavam com sorriso na cara devido a alegria proporcionada pelo evento.

Sem mais palavras, felizes foram os que estavam lá, deixo-vos com imagens que dizem tudo:






































A bagunça foi essa.

Até.