29 Junho 2008

CAMPEONES!!!

Encachaçado. Sim, é como estou agora. Foram litros incontáveis de vinho espanhol durante a vitória da Fúria sobre a dita superior Alemanha. Acabou essa história de camisa, temos que enterrar de vez este mito de que a Espanha amarela, temos que dar a volta por cima.

Acima de tudo sou BRASILEIRO, canarinho, verde e amarelo. Mas como tenho dupla nacionalidade por ter nascido numa família de imigrantes espanhóis, chorei com muita emoção nossa vitória na Eurocopa de hoje, e digo sem dúvidas que foi mais que merecido. Jogamos pra cacete!

Em especial queria que duas pessoas tivessem comigo hoje. São os dois Manolos. Um era meu pai, que morreu novo pra cacete de forma estúpida há 14 anos, e outra foi meu tio que morreu na guerra civil de forma mais estúpida ainda. Dou muito valor a esta parte da minha família, que passou muita fome durante a guerra, e com muita luta e suor conseguiu dar a volta por cima. Um beijo para todos os que estão aqui e do outro lado do oceano.




A foto acima foi tirada logo após o apito final. Meu primo André, eu, e meu tio Celestino, irmão de meu pai, conhecido como "espanhol".



obs: A foto acima é a única que temos do nosso tio Manolo que morreu na guerra em 1939. Ela foi dada ao meu avô em 1985 por uma namorada desse meu tio que a guardava na carteira há 46 anos. Notem a marca do "clip" na foto.

Muito emocionado me despeço, até.

27 Junho 2008

FUI AO PANAMÁ

Não meus caros, não estava passeando pela América Central, o Panamá de verdade fica em Copacabana.

Sabendo de minha exagerada adoração por bares, meu camarada Lito recomendou-me uma visita à este boteco, dizendo maravilhas do mesmo.

Minha curiosidade foi aumentando a cada dia, cheguei a não dormir direito pensando neste santuário etílico. Ontem pela manhã já estava tremendo e roendo as unhas, foi aí que tomei a decisão de conhecer logo o Panamá bar. Saí do trabalho diretamente para o local, onde inclusive marcara com o meu cunhado.

O bravo botequim tem à sua esquerda o Bob´s como vizinho, e à sua direita o esquálido Belmonte. Ou seja, presas fáceis para o bar do seu Antônio. Seu Antônio, estive conversando com ele, tem 72 anos e está ali desde 1968. Este nobre senhor de origem espanhola disse-me que só deixa o local quando esticar as canelas, e complementou dizendo que aposentadoria é uma palavra que não está no seu dicionário. Quando as pernas dão sinal de cansaço, ele senta no seu cantinho e fica saboreando uma cerveja preta. E ainda temos o Freitas atendendo no balcão, sempre atencioso para não nos deixar de copo vazio.

O Panamá bar é dos nossos. Porções de jiló, batata calabresa, moela (foi o que comi), ovo amarelo, sopa levanta defunto, língua ao alho, e muitos outros belisquetes. Uma enorme estante de madeira é completamente povoada por incontáveis garrafas, de todas as bebidas que pode-se imaginar. Além das cervejas que bebi, geladíssimas por sinal, provei uma dose de Pau Pereira para limpar o esqueleto. Como caiu bem a danada!


Outra coisa que me chamou a atenção foi o cuco pendurado em uma das paredes, isso mesmo um relógio cuco que toca de hora em hora.

Agora eu já estou apto para sugerir uma visita ao Panamá. Se passarem pela Domingos Ferreira quase esquina com Bolivar, não hesitem, bata no balcão e peça logo sua bebida e seu petisco neste maravilhoso bar. É felicidade na certa.



Até.

22 Junho 2008

PELADA DOMINICAL

Há quatro semanas conseguimos juntar os amigos para jogar uma bacana pelada nas manhãs de domingo. É como religião, os atletas não faltam, contam os segundos durante a semana para a bola rolar. O visual do forte do Leme ajuda a compor o cenário agradável.

A partida divide-se em três tempos, os dois primeiros de 45, e o terceiro no bar Urca, o Gelobol. Em todos os tempos temos vários craques. Nos dois primeiros, dentro das quatro linhas, temos os artilheiros Calinhos Laguna e Toninho, a categoria do meio campo, com o Simão e o Moutinho, a "juventude" e "saúde" do Pratinha, o Vitão dando segurança na zaga ao lado do Lito, o Santos e seus passes precisos, o Carlinhos CC firme no gol, o Digão com seus chutes certeiros, e muitos outros com suas características. O mais importante é que todos somos amigos, e que jogamos pensando somente numa coisa, no terceiro tempo. Terminada a partida, muitos mancando, mas basta o primeiro dar a ordem:

- Ao Bar Urca!

E todos já entram em forma para o Gelobol, acotovelando-se no balcão do agradável boteco. E a cada domingo ficamos mais amigos ainda, inclusive descobrindo coisas do passado dos nossos atletas. As gargalhadas surgem naturalmente e em abundância, e no ritmo da brincadeira um sacaneia o outro. Mas o campeão da chacota é nosso camarada Carlinhos PP (perde prega). É isso mesmo minha gente, e isso não é de agora. Parece que a prega rainha do gajo foi pro brejo em alguma escadaria do Algarve no ano de 1988. A rainha já se foi, e hoje, numa declaração que todos os presentes ouviram, ele queria liberar a prega princesa pro nosso Vitão. O cara é impossível quando se trata desses assuntos retofuriculares.















Como podem perceber, a Pelada da Folha Seca, este é o verdadeiro nome, é imperdível simplesmente por se tratar de um acontecimento bem carioca.

Vida longa aos nossos encontros dominicais!!!

10 Junho 2008

DICAS EM NITERÓI

Para quem ainda não conhece o belíssimo Teatro Municipal de Niterói, e para quem já o conhece, indico dois programas bacanas que estão acontecendo por lá:

De 02 de junho à 31 de julho, uma exposição homenageando a grande Aracy de Almeida ocorre no local. A mostra é composta por fotos da artista em diversos momentos de sua carreira, cedidas pelos acervos do Jornal Tribuna da Imprensa e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), além de capas de discos, revistas, livros, publicações com entrevistas e matérias sobre Aracy, e um painel com frases da cantora.

Terça a sexta-feira, das 10 às 18h Sábado e domingo, das 15 às 18h
• Entrada Franca.



O outro programa, é a excelente peça "Rádio Nacional - As Ondas que Conquistaram o Brasil".

Esse eu já conferi, e recomendo muito.

Durante as cenas, a autora descortina os memoráveis programas, apresentadores, repórteres, atores e cantores que marcaram época, entre eles: Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Dick Farney, Orlando Silva, Cauby Peixoto, Emilinha Borba, Dolores Duran, Ivon Curi e Nora Ney.

É um verdadeiro túnel do tempo da história da música nacional.


Mais informações no site do teatro: http://www.tmnit.com.br/


Até.

04 Junho 2008

A RAINHA DO CHORO

Depois de muito tempo sem dar as caras, a série BOLACHA DA VEZ volta com força total trazendo um lp da rainha do choro, Ademilde Fonseca. Essa potiguar chegou ao Rio de Janeiro aos vinte anos em 1941, pois em sua terra uma menina não era bem vista nas serestas, ainda mais as que se dedicavam à música popular.

Começou cantando, sem receber nada, com o conjunto de Benetido Lacerda. Numa certa festa de granfino em que compareceu com o grande flautista para cantar, pede para Lacerda acompanhá-la na música Tico-Tico no Fubá. O troço foi tão bacana, que no dia seguinte lá estava ela ao lado de João de Barro para gravar seu primeiro disco de 78" pela Columbia. Isso foi no ano de 1942.

Em 1944 assina contrato rádio Tupi, onde ganha o título de rainha do choro.

Em 1950 grava "Brasileirinho" ao lado de Waldir Azevedo. Canção com letra de Pereira Costa, autor de outros sucessos seus.

Em 1954 transfere-se para a Rádio Nacional onde permanece até 1960.

Em 1967 é convidada por Pixinguinha e Herminio Bello de Carvalho para interpretar o choro "Fala baixinho" no II Festival Internacional da Canção, no Maracãnazinho.





Neste vinil, intitulado "A rainha Ademilde e seus chorões maravilhosos", temos doze canções que batem o martelo quanto a sua merecida alcunha. O disco saiu pelo selo Copacabana.

Os músicos que a acompanham? Sente o naipe da rapaziada: Copinha (flauta e flautim), Abel Ferreira (clarinete e sax), Zé da Velha (trombone), Joel do Bandolim (bandolim), Indio do Cavaquinho (cavaquinho), Toco Preto (Cavaquinho), Valdir Silva (violão sete cordas), Luiz Gonzaga (violão seis cordas), Arlindo Ferreira (violão seis cordas), Ernesto Ribeiro Gonçalves (contrabaixo), Jorginho do Pandeiro (pandeiro), e Jayme (pandeiro).





Faixas:

lado A

1- Acariciando
2- Teco Teco
3- História Difícil
4- Sonoroso
5- Galo Garnizé
6- Paraquedista

lado B

1- De sol a sol
2- Sobe e desce
3- Amolador
4- Chorinho do sovaco da cobra
5- André de sapato novo
6- Paraquedista/Urubu malandro

Deixo-vos com o choro "Sonoroso" para ouvir. Para quem não conhece, vale a pena conferir a marcante voz de Ademilde.



Até