24 Abril 2008

SÃO JORGE NO SANTOS

Ontem foi dia de São Jorge, santo guerreiro aclamado pelos cariocas, que reuniu multidões em suas igrejas. A festa é tamanha, que foi preciso que a data virasse feriado no estado. Não entrarei em detalhes sobre meu dia de ontem, que foi muito intenso, mas destacarei alguns momentos.

Levei minha mãe para dar uma "voltinha" pela Praça XV, já sabendo que o destino seria a livraria Folha Seca. Começamos os trabalhos juntamente com Simas e Digão (muita Brahma), e depois que foram fechadas as portas partimos para um almoço no Santos. Foram chegando os amigos, e no final das contas éramos quatorze: Eu, mamãe, Digão, Dani Folha Seca, Loredano, Rô, Simão, o camarada do Simão (foge-me o nome), Claudio, a mulher do Claudio (foge-me o nome outra vez), Victor, Santos, a mulher do Santos, e um Japa boa praça completava a mesa (acho que estou com Alzheimer, pois esqueci o nome do caboclo também).

De entrada foi servido um leitão e um avestruz, que estavam bons pra cacete, e depois, o cheff Santos, maior de todos, ofereceu uma caldeirada de tamboril para todos da mesa, do jeito que ele gosta, sem mesquinharia. O cara arrebenta na cozinha, o peixe tava com um tempero sem igual, realmente foi um banquete. De postre, comemos tociño del cielo com avelãs, e um pudim de claras que parecia ser de Itú.

Regado a quantidades incontáveis de chopp, e garrafas da maravilhosa cerveja uruguaia Patricia. Isso mesmo, cerveja uruguaia. Quem ainda não teve o prazer de beber esta bela cerveja, é só dar uma passada no Casual Retrô e pedir a sua. A garrafa é colocada num balde repleto de gelo por se tratar de uma criança de um litro.

Viva São Jorge, e obrigado e parabéns ao Santos pelo dia de ontem.

Até.

18 Abril 2008

UMA DÉCADA SEM "A VOZ"

Uma parada cardíaca calou uma das maiores vozes do nosso cancioneiro há exatos dez anos, foi num sábado, às 21 horas. Nelson Gonçalves foi velado na Câmara dos Vereadores do Rio, onde cerca de mil fãs o acompanharam até o fim. Rubro-negro ferrenho, Nelson teve uma faixa de seu time do coração estendida sobre seu caixão, e logo depois foi cremado, como era de sua vontade. Ele sempre dizia: "Esse país não tem memória. Alguém sabe quando morreu Chico Alves? É por isso que quero ser cremado, para ninguém fazer xixi na minha campa."

Sinto muitas saudades do Nelson, tenho todos o vinis e mais alguns, e bebo com ele no bar da minha casa. Brindo hoje para ele, amigo de meus inúmeros momentos de solidão, companheiro de fossas incontáveis. Obrigado por alimentar minha alma com suas melancólicas canções, e com sambas maravilhosos.

Deixo um vídeo, logo abaixo, apenas um pequeno recordo do mestre.




Até

15 Abril 2008

BOTAFOGO 2 x 1 BANGU - FINAL DE 1967.

Podemos ver nessa preciosidade de vídeo do Canal 100, como nosso futebol era outro. Não existia final só com Vasco, Flamengo, Botafogo, e Fluminense, a coisa era um pouco mais séria. Adivinhem quem serão os quatro finalistas do ano que vem? É uma pena que tantos times grandes do Rio de Janeiro estejam presentes somente em nossa memória, pois estão praticamente extintos.

Há 41 anos o Bangu decidia com o Glorioso a final do carioca. Perdeu, mas lutou até o fim, quase conseguindo o empate. Notem que no gol da equipe banguense, a massa suburbana pula de alegria nas arquibancadas. No minuto 1:35 do vídeo podemos conferir o arqueiro Ubirajara afagando seu zagueiro que estava aos prantos após o primeiro tento botafoguense. Jogava-se por amor à camisa. O Bangu realmente foi valente, buscava intensamente o bicampeonato, e teve até um gol duvidosamente anulado.

112 mil torcedores estavam presentes, mesmo com uma tarde de chuva forte sobre a cidade.

O Botafogo tinha um timaço, e levou o caneco com um golaço do canhotinha, uma porrada no ângulo.

Que saudades do futebol sem patrocinadores, rede Globo, e cartolas que roubam à luz do dia e debaixo das câmeras sem que nada seja feito.

Dados da partida:

Data: 18 de dezembro de 1967.
Gols: Roberto e Gerson para o Fogão, e Mario para o Bangu.
Juiz: Antonio Viug.
Público: 111.641 pagantes.

Botafogo: Manga, Paulistinha, Zé Carlos, Leonidas, Valtencir, Carlos Roberto, Gerson, Rogério, Roberto, Jairzinho, e Paulo Cesar Cajú. Técnico - Zagalo.

Bangu: Ubirajara, Cabrita, Mario Tito, Luis Alberto, Ari Clemente, Jaime, Ocimar, Paulo Borges, Del Vechio, Mario, e Aladim.
Técnico - Plácido Monsores.


10 Abril 2008

O PRESENTE É DA CRIANÇA

Hoje em dia está na moda comemorar o aniversário das crianças em casas de festa. O negócio deve dar dinheiro, pois em toda esquina encontramos uma. E as crianças, que nos dias de hoje são cada vez menos otárias, fazem questão da festa nessas casas. Claro que isso depende da família, a maioria infelizmente não tem nem grana para dar um presente, quanto mais para pagar em média 3 mil reais (fora a cerveja) por uma noite dessas. Esse dinheiro poderia ser investido em coisas muito melhores para a gurizada, mas aí entramos naquele assunto de normas da sociedade atual, que obedece o que a televisão ordena...

Definitivamente, a maioria dos aniversários não são como antigamente. Aqueles docinhos feitos pela vovó, as bolas enchidas pelos familiares antes dos convidados chegarem, lotar o tanque de gelo para as bebidas, enfeitar as paredes com cartolinas desenhadas com carinho pelos pais, e muitas outras coisas que alegram o dia inteiro da família. E na hora de receber os presentes dos convidados era uma festa só.

Rasgar aquele embrulho que foi feito com todo o cuidado, de forma voraz, só para ver qual o naipe do brinquedo que acabou de ganhar. Isso é ser uma criança! Uma das coisas que me revolta demais nessas muquiranas casas de festas de hoje em dia, que não entendem porra nenhuma, é justamente este fato. Chegamos na festa com o presente, e em vez de entregá-lo ao aniversariante, uma moça do local que nunca vimos na vida vai logo pegando o mesmo das nossas mãos e guardando num canto.

A criança nem sabe a cor do presente que você comprou com agrado, acabando com aquela magia de vê-la rasgando aquilo com fúria e logo depois receber um sorriso recompensador. Por isso que nunca levo o meu no dia da festa. Entrego antes, só assim posso compartilhar com a molecada a felicidade deste momento, deixando uma lembrança do dia especial na memória de todos.

Foi o que acabei de fazer com meu sobrinho e afilhado Vinicius, que completa cinco anos, e terá sua festa no domingo.








Até.

05 Abril 2008

HEI DE TORCER ATÉ MORRER



Já sabíamos que apenas um milagre salvaria o América da ida inédita para a segunda divisão carioca. Com uma campanha pífia, nada adiantou vencer o Friburguense neste sábado. Os vários resultados ridículos obtidos contra times pequenos na sua própria casa construiram esta desgraça.

Sou América, não consegui escutar o jogo pelo rádio pois estava comendo meus dedos, chorei quando soube o resultado, mas infelizmente tenho que admitir que foi merecido.

Em 2006 e 2007 fizemos ótimas campanhas no estadual (vice da Guanabara de 2006, e semi-finalista em 2007), e não podemos esquecer do bom Campeonato Brasileiro na série C que realizamos no fim do ano passado. Por isso não consigo entender como o time caiu tanto. A presidência tem grande parcela nisso, já toquei nessa tecla aqui, mas não estou com cabeça para ficar metendo o pau no Reginal Mathias agora. A merda já está feita, e os torcedores muito tristes estão de luto.

Me resta apenas sonhar em dias melhores, e continuar torcendo (sempre) para a equipe que tem a cor do meu coração.

Não sei o que escrever, são poucas as palavras pois encontro-me em desespero, desnorteado.

Hei de torcer até morrer...

04 Abril 2008

CANÇÕES DE 58 E 70

2008 é o ano do cinquentenário do primeiro título de futebol de nosso selecionado. Acho que muitas homenagens devem ser feitas, e o pessoal da grande mídia poderia ajudar nessa empreitada tirando seus vídeos, imagens, e áudios do baú. Aquela época histórica em que jogávamos bola com arte e por amor, tem que estar na mente dos brasileiros de todas as idades, isso mesmo, ainda de berço a molecada já deve saber quem é Nilton Santos. Se isso for feito não correremos o risco de passar a vergonha que nos foi proporcionada pelos atuais atletas canarinhos, Alexandre Pato, Luis Fabiano, e Lucio, que não sabem o nome de nenhum jogador de 58 (leia no Histórias do Brasil, do camarada Simas).

Aproveitando o assunto, fui vasculhar meu discos e encontrei meu compacto com as músicas das copas de 1958 e 1970. "A taça do mundo é nossa", de Maugeri, Muller, Sobrino, e Dagô, e "Pra frente Brasil", de Miguel Gustavo. Escutei várias vezes o disquinho, e fiquei olhando o danado girar na vitrola ao mesmo tempo em que imagens que nunca vi em vida passavam por minha cabeça. É de dar nó na garganta!

Logo abaixo coloco esses dois hinos de nossa nação para que se possa escutar, e ao lado abro desde já uma pequena enquete para saber sua opinião: Qual delas é a mais bonita e emocionante?

A taça do mundo é nossa


Pra frente Brasil


Até

03 Abril 2008

MACALÉ EM SANTA TERESA

Programa bacana para o fim deste domingo é dar uma passada no Parque das Ruínas, em Santa Teresa. O cantor e compositor tijucano Jards Macalé fará um concerto gratuito no local. Ele se apresentará tocando as canções do álbum "Real Grandeza" (Biscoito Fino, 2005), disco que fez com a parceria de Waly Salomão.

Vale a pena conferir.

Parque das Ruínas.
Rua Murtinho Nobre, 169 - Santa Teresa.
Tel: 2252-1039
Domingo, 06 de Abril.
Horário: 18hs
Entrada Franca.


Até.

02 Abril 2008

VELANDO O DEFUNTO PELA TV

Não é facil quando temos que comparecer a um velório, principalmente quando o defunto é dos nossos. Mas já que a vida de vez enquando nos passa a perna, temos que saber lidar com estes momentos tristes que ela nos obriga.

Tem gente que não vai em velório de jeito nenhum, passa mal, desmaia, e sente arrepios. Eu faço questão de comparecer, sou daqueles que marco minha presença com a família e amigos em todas as situações. Quando meu pai faleceu eu ainda era moleque, mas lá estava ao lado de minha mãe e irmãs. Na vez do meu avô materno, o véio Zé (cearence cabra da peste), já era marmanjo, mas lá estava juntamente com meus primos bebendo quantidades violentas de cerveja num pé-imundo bem defronte ao cemitério do Cajú. Fizemos justamente o que o véio faria (ele adorava uma gelada). E ainda trouxe pra casa como lembrança daquele dia, o rótulo de uma das garrafas consumidas, que está como um troféu pregada em uma das paredes lá de casa. São esses pequenos momentos que nos engrancedem.

Bom, cada um tem seu ritual nessas horas, mas o fato é que temos que encarar a coisa.

O que me levou a escrever um pouco sobre o assunto, foi a última moda em velórios, e do jeito que anda a "globalização", periga chegar por aqui também. Penso aqui, com minha humilde opinião, que trata-se de mais um passo para o fim dos tempos, não há mais o que inventar. Começou no Reino Unido, mas torço para que o troço não ganhe força e logo vá para a cova.

Leiam a matéria publicada na Folha de São Paulo:

Reino Unido oferece vídeos de velórios em pay-per-view
reuters, Londres.

Uma empresa britânica está oferecendo o serviço de pay-per-view para velórios no país. Após pagar uma determinada quantia, parentes e amigos podem assistir à cerimônia ao vivo pela internet.

Apesar das críticas, a Wesley Music, empresa que fornece o serviço, agora pretende lançar o serviço também em crematórios. Será preciso pagar cerca de US$ 150 para ver o funeral. Para ter acesso às imagens, captadas por uma câmera instalada no local, o usuário tem de digitar uma senha.

'Hoje em dia, as famílias estão dispersas pelo mundo e, às vezes, acontece de alguém não conseguir chegar a tempo em um funeral', disse Alan Jeffrey, diretor da Wesley Music.

'Para aqueles que precisam, é um serviço muito importante. Significa que, em vez de ficarem excluídos, eles podem ser testemunhas, podem fazer parte do funeral enquanto ele acontece. Em tempos de estresse, é algo que alivia a dor', diz ele.

Davin Powell, dos administradores de funeral Henry Powell and Son, de Southhampton, no sul da Inglaterra, disse que já testou o serviço em três funerais. Ele afirma que tudo continua íntimo e privado, apesar da transmissão pela rede.

'É algo pessoal. Não está disponível para todo mundo ver', disse ele à Reuters. 'Há uma senha para a família mandar àqueles que quiserem assistir on-line.'


Imaginem vocês, o sujeito no sofá, com as pernas pro alto, um pote de pipocas ao lado, e assistindo o seu velório numa boa...

É pra rir ou pra chorar?

Até

01 Abril 2008

SAMBA + JAZZ BRAZUCA

Para quem gosta de boa música, a dica é estar na próxima sexta-feira às 20 horas na Sala Cecília Meireles. Com uma mistura de jazz, samba, e maracatu, o trompetista Barrosinho estará lançando o cd Praça dos Músicos - 20 anos de Maracatamba. Se apresentou em 1988 no festival de Montreaux, revelando aos europeus a genialidade do Maracatamba. O cidadão é um dos mais completos músicos brasileiros, toca trompete, guitarra, teclado, percussão, flauta, e sax. Foi fundador da famosa Banda Black Rio, e integrante do conjunto de Dom Salvador, o Dom Salvador e Abolição (veja aqui). Tocou ainda com Mauro Senise, Arthur Maia, e Toninho Ferragutti. Entre as canções do repertório estão Asdrúbal vendeu o trombone, Quilombo, Saiu do forno agora, Balada crística e Campos de Goytacases.

Os concertos de boa música são tão raros em nossa cidade, que não podemos deixar passar qualquer oportunidade. E a 15 pratas!


Sala Cecília Meireles, Largo da Lapa n° 47.
Dia 04 de abril, às 20hs.
R$ 15,00
tel: (21) 2224-4291

Abraço.