31 Dezembro 2007

ANO NOVO?

Fim de mais um ano. A maioria das pessoas fica eufórica com esta data que para mim não faz sentido algum. Acho que não faz sentido soltarmos fogos pelo término de um ano, pois do jeito que nossa situação tá braba temos que comemorar todos os dias por ter conseguido sobreviver. Reparem que somente nesta data é que as pessoas desejam paz e amor, quando deveriam fazê-lo diariamente.

Existem religiões que necessitam de vestimentas especiais neste dia, mas a grande massa veste-se de branco, amarelo, azul, vermelho, roxo, o escambau, porque é moda, tudo criado para se ganhar grana, tudo balela. Dêem uma passada debaixo das marquises da Av. Presidente Vargas hoje à noite, e observem o modelito de reveillon dos moradores de rua, moradores esses que são excluídos pelos que se vestem de roupas brancas compradas em shoppings pelo olho da cara ...

Afinal, o que realmente ganharemos após festejar tanto a vinda de mais um ano? Ganharemos o IPTU, o IPVA, material escolar dos moleques, matrículas de suas escolas (já que não podemos contar com as públicas), e muito mais contas...

Na televisão então é um asco só, acho que não preciso nem entrar no assunto.

Esse papo de "Ano novo vida nova" é outra coisa que não faz sentido algum. Como será o 2008 de um tetraplégico desempregado que levou um tiro de bala perdida em 2007? Que planos tem essa pessoa no país em que vivemos?

Na minha opinião não dá para comemorar nada, NADA, pois a corrupção é vergonhosa e o povo fica maravilhado com as luzes e fogos igual a cachorro vendo frango girar na padaria. Quanta grana se gasta nessa brincadeira que poderia ser direcionada para coisa séria? Muita.

Temos mais um ano cheio de batalhas pela frente, e temos que ter fé para que algo melhore, saia da inércia.

Olhemos mais para o próximo!

Paz, saúde e sorte para todos! Sempre, não apenas no fim de mais um ano.

Até.

12 Dezembro 2007

PLACAR DO MARACA EM EDSON PASSOS

O ditado já diz: "Cavalo dado não se olha os dentes". Mas como qualquer presentinho para pobre é motivo de festa, rolou até coquetel.

Ontem à noite na sede de Campos Sales, diretores, conselheiros, políticos, e torcedores ilustres, compareceram para a festa de entrega do antigo e histórico placar do Maracanã para o América. Ele foi doado pelo governo estadual e vai para o estádio rubro de Edson Passos, que por sinal acaba de ganhar gramado novo.

Semana passada também foi fechada nova parceria com o refrigerante Mineirinho, que desembolsará 80 mil reais mensais para equipe americana.

Bom, fica aqui a nota, e com essa estrutura de causar inveja até no Real Madrid, são grandes as chances do título estadual.

Abraço.

09 Dezembro 2007

BAR DO MARQUINHOS

Há um mês atrás, dei uma sumida da cidade maravilhosa para descansar a cabeça, e fui parar em Conservatória, conhecida como cidade da seresta. O interessante lugarejo possui apenas duas ruas, e em quase todos seus casarios antigos podemos escutar boa música. Lá existem os museus do Guilherme de Brito, Silvio Caldas, Nelson Gonçalves, Gilberto Alves, e Vicente Celestino. Dizem que é um lugar para velhos, mas discordo fervorosamente. A seresta come solta até altas horas da madrugada com belas canções, e logo cedo o som já está acontecendo nas praças.

Bom, procurava um lugar para comer e beber, e o destino me levou para onde realmente deveria ir. O bar na verdade se chama Família Buscapé, pois é tocado pelo Marcos, sua esposa, e filhas, mas todos conhecem o local como Bar do Marquinhos.

Logo que entrei, fui recebido como um freguês secular da casa pelo Marquinhos. O cara é um boa praça daqueles, um piadista, um verdadeiro camarada de botequim. Comi um sanduiche covarde de pão com linguiça mineira e queijo, e para beber, cerveja mofada. Mas o detalhe da casa é a cachaça artesanal, que o Marcos fabrica em seu alambique. O nome dela? Tombo, cachaça Tombo.





Quando devorava a iguaria, ele percebeu que eu olhava curioso para o garrafão em cima do balcão, e sem me perguntar, colocou uma farta dose na mesa e disse:

- Mata logo a curiosidade, e sem medo, é a melhor da região.

Como desceu bem a danada, várias outras doses foram ingeridas durante minha curta estadia.

Comentei-lhe que gostava muito da cachaça Palmelinha (veja aqui), de Varginha-MG, e que voltaria ainda neste ano para levar-lhe uma garrafa. E ele:

- Só acredito vendo, o ano já está acabando, mas se trouxer no próximo também aceito.

Pois bem, estou escrevendo este texto recém chegado de lá, passei este fim de semana em Conservatória. Cheguei sábado bem cedo, larguei minha mochila na pousada do Seu Nilson, outro gente fina, e fui em direção ao Bar do Maquinhos com a Palmelinha na mão. Ele estava na porta do estabelecimento e vez alvoroço ao me ver, mesmo estando ainda um pouco longe do boteco.

- Tu voltou mesmo, pensei que fosse lorota...

- Toma aqui o que te prometi...

Virou festa! Como o fato de um homem honrar a palavra, mesmo com uma coisa simples dessa, faz o outro feliz. O cidadão não me deixou pagar nada no almoço, colocou Tombo na mesa, e ficou contando o fato e mostrando a garrafa para todos seus velhos amigos como se fosse um menino.

Voltei à noite, e antes que colocasse a branquinha na mesa, intervi:

- Não sei se bebo, ando meio resfriado...

Respondeu de bate-pronto:

- Não esquenta meu nobre, aqui tem remédio também, guenta dois minutos que já preparo.

Mais uma vez me deixava curioso, mas no tempo prometido vinha ele com um copo largo de uísque, e uma bebida amarelada dentro:

- Bebe que melhora, é limão, mel da casa, e Tombo! Sempre sirvo aqui!

E não mentia o chistoso, não deram nem dez minutos e veio um cara suplicar pela tal cura. Bebi dois copos de um dos remédios mais saborosos que tive que tomar.





Hoje pela tarde, antes de voltar para o Rio, fui me despedir e aproveitei para comer os deliciosos pastéis que faz sua mulher, e quando levantava-me para o abraço final veio ele novamente:

- Felipe, espera um pouco que vou te dar um negócio.

E em menos de cinco minutos volta com uma garrafa na mão, e berrando diante do balcão:

- Toma, leva um litro de Tombo de presente, bebe com a tua rapaziada, e volte quando quiser meu chapa, aqui as portas sempre estarão abertas.

Voltei feliz da vida, e com a certeza de que amizade de botequim é fiel como relógio suíço.

Até

07 Dezembro 2007

AMÉRICA ATÉ MORRER!



Estive na noite de terça-feira, na sede de Campos Sales com o Conselheiro do América Benjamim Salgado, e conversamos sobre o assunto da vez que ronda a tradicional casa do tijucano clube rubro, a venda da sede para mais um shopping. Ontem, no jornal de bairro de O GLOBO, saiu uma matéria tocando no assunto, dizendo que a diretoria ainda está pensando sobre o assunto.

Bom, as informações que eu tenho, é que o martelo já está batido, infelizmente. Quatro andares de consumismo, irão acabar com a historia da sede de um dos mais importantes clubes do Rio de Janeiro.

Frequento aquilo desde que nasci, e muitos tijucanos mesmo não sendo americanos também. Já perdemos nosso campo de Vila Isabel, e agora nossa sede. Isso comprova a incompetência durante todos esses anos de uma diretoria fracassada, vencida pela corrupção e política imoral. O América tem a torcida mais fanática que conheço, que chega a tirar dinheiro do bolso para ajudar o clube, mas infelizmente os que estão no poder não são verdadeiros rubros, não possuem um coração com a cor da camisa do time.

O atual presidente, o safado do Reginaldo Mathias, ainda tem a coragem de falar que ainda ficaríamos com um pedacinho da sede, lá na parte dos fundos, bem depois das piscinas. Quero que enfies na bunda! Vocês estão conseguindo acabar com o AMÉRICA F.C., fazer chorar e sangrar mais ainda esta sofrida e fiel torcida.

Quem não entende de sentimentos está feliz da vida, como alguns moradores da região, já eufóricos com a chegada de mais uma peste de concreto que toma conta de um país cada vez mais capitalista.

Vamos ver o que vem por aí, mas uma coisa é certa, América até morrer!

06 Dezembro 2007

VIDA LONGA AO BICO DOCE

Caros amigos, depois de um tempo afastado deste espaço por circunstâncias da vida, volto com uma boa notícia. Anunciei aqui, no mês de setembro, o fechamento das portas da minha querida uisqueria Bico Doce, e ontem, depois de uma conversa por telefone com meu camarada Fernando, fiquei sabendo de sua reabertura.

A casa reabriu em novo local, quase ao lado do anterior. Antes, localizava-se no Beco das Cancelas, e agora, na rua do Rosário esquina com Cancelas.

Como sabem os mais chegados, o fechamento aconteceu por problemas financeiros, mas a pressão dos fregueses foi tão grande, que o Cabral resolveu reabrir o segundo mais antigo bar do Rio de Janeiro onde funcionava sua gráfica, pelo menos enquanto acaba de resolver as pendências do lugar original.

Bom, como podem perceber, as coisas ainda estão se ajustando, mas o importante é que o pessoal da confraria está de volta para saborear um bom uísque na noite no centro da cidade.

Salve o Bico Doce.

Até.