23 Outubro 2007

A DITADURA DA TECNOLOGIA

As coisas estão andando rápido, rápido demais para o meu gosto, e de forma tola. Apesar de estarmos no século XXI, ainda existem pessoas vivas que nasceram, por exemplo, na década de 20 do século passado, e são obrigadas a se adequarem com as maluquices de hoje. Poucas são as que se dão bem.

Eu mesmo, que não sou da década de 20, já sofro com uma porrada de coisas. Para escutar uma simples e inocente canção, coisa do meu cotidiano, vejo-me cercado de forma impiedosa pelo famoso "download". Agora, e se eu optar por não me render a isto? Quase não temos mais escolha. Estou com dificuldades para encontrar agulhas para minhas vitrolas, meus cds e minhas fitas k7 estão à perigo pois não se fabricam mais reprodutores, as lojinhas de bairro que frequento desde moleque estão fechando, pois hoje se compra tudo pela internet, enfim, hoje se vive com pressa, age-se sem pensar.

O mercado cruel e covarde da globalização não nos permite optar pelo que achamos melhor, tem que ser aquilo e pronto, sempre temos que nos ajoalhear para as "tendências" (palavra nojenta), para o novo, mesmo que seja uma merda.

Agora então, chegou a tal da televisão digital. Meio de comunicação mais safado que existe em nosso país, costumo chamá-lo de hipnose coletiva, tudo devido ao monopólio da empresa que infelizmente manda e desmanda no Brasil. Falam da qualidade da imagem digital e da interatividade com a televisão! Ex: A dondoca da novela está usando um sapato, a pessoa vai na tv, toca na tela em cima do sapato, e aparecerá uma lista de lojas onde comprá-lo. A hipnose vai ficar mais insana ainda.

Bom, o negócio é que daqui a dez anos todos vão ter que dar um jeito de ter o diacho desta tv, seja comprando uma nova (digital), ou um conversor que vale hoje umas setecentas pratas. Vejam só que canalhice, estão nos obrigando a fazer isto! O televisor aqui de casa vai fazer quinze anos de aniversário, e nunca foi para o concerto. E quem possui uma nova em casa? Tá lascado! Vai ter que morrer numa grana de qualquer jeito, mesmo que não queira "migrar" (olha o nojo) para a digital. O meu aparelho me atende perfeitamente nas condições de hoje, não quero "melhorar", não preciso!

Mas, foda-se! A ditadura da tecnologia que cresce calada cada vez mais sem percebermos, está nos deixando de mãos atadas. E haja dinheiro, até parece que somos suecos porra! Tv digital é o caralho! Temos que pensar muito no básico ainda, para que nossa nação comece a respirar um pouco mais de dignidade, que não passe fome, não morra no chão dos hospitais públicos, ou mesmo não fique pedindo esmola por não ter tido oportunidade de estudo.

Vergonha total! Estamos pensando muito além do que nos cabe!

Até.

18 Outubro 2007

O JOGO DO BICHO

Andava com minha mãe hoje à tarde na rua do Ouvidor, ambos gozando de férias merecidas, e resolvi convidá-la para almoçar no Santos. Tarde agradável, que ficou melhor com a chegada dos camaradas Rodrigo Jesus e Digão Folha Seca.

Terminada a comilança e a hidratação feita por quantidades despreocupadas de chopp, levantei-me, dei uma batida na barriga, e sem querer percebi um apontador de bicho que estava sentado numa daquelas cadeiras de escola pública. Lembrei-me do meu falecido pai, que sempre jogava na esquina da minha rua, e bateu-me aquela nostalgia.

Resolvi então fazer uma fezinha, joguei no grupo do camelo e da vaca, sempre "cercado", como o meu velho. Por que camelo e vaca? Sei lá, veio na hora. Sei que tem gente que sonha com qualquer coisa e vê ligação com um bicho ou números só para ter motivo pra jogar, acho um barato. Fazem anotações de placas de carro de desastre, de túmulo de defunto, jogam sempre o número do talão... E depois é só conferir o resultado que fica pregado em postes ou árvores nas esquinas da cidade. Coisas da nossa cultura.


E pensar que esta "febre" carioca começou há 115 anos, no bairro boêmio de Vila Isabel. Como muitos já sabem, o inventor do simpático joguinho foi o Barão de Drummond, o mesmo que fundou o antigo zoológico lá na terra de Noel. As pessoas que compravam ingresso para ver a bicharada, ganhavam um papelzinho com a figura de um animal que ia de 1 à 25, de avestruz à vaca. No fim da tarde, algum caboclo da administração sorteava o bicho, e quem ganhava levava um prêmio em dinheiro pra casa. Três anos depois de sua criação, o jogo do bicho já seria proibido pelo prefeito da época, Furquim Werneck. Mas já era tarde, o jogo entrou rapidamente no cotidiano carioca, tornando-se de vez mais uma marca da malandragem carioca.

Até pouco tempo os bicheiros eram famosos, saíam na televisão... Lembram do Castor de Andrade? Ficou à frente da Mocidade de Padre Miguel por algum tempo, na época do reinado da escola, no início dos anos 90. Sem falar no Bangu, sua vida, colocou até o desenho de um castor preto na camisa da equipe, virou marca. Essa foto do Ado aí abaixo foi tirada bem depois que ele perdeu o pênalti na final de 85. Olha que bela camisa!



É isso, os bicheiros ainda estão por aí e o jogo também, mas com a praga desses caça-níqueis (chato pra caralho), o movimento nas bancas não é o mesmo.

As "autoridades" (não sei quais) ainda chamam o jogo do bicho de contravenção, mas acho isso uma babaquice. Canso de ver policial fazendo sua aposta, cagando para a tal contravenção. Não adianta, já está no sangue do povo, até os que deveriam trabalhar na extinção do jogo deixam isso pra lá.

Se eu ganhar na aposta de hoje, a cerveja tá paga no Leudo.

Até.

15 Outubro 2007

INIMIGOS DO BATENTE

Noite de um domingo especial na Gamboa. Pela terceira vez este maravilhoso grupo de São Paulo se apresenta no Trapiche, presenteando este histórico bairro carioca com um samba de qualidade espantosa. Excelente.

Também particparam da roda o mestre Wilson Moreira, a torcedora do América, Dorina, e Pratinha. O lugar não estava lotado como de praxe por causa do feriadão, mas felizes eram os que estavam lá.

Deixo-vos com algumas imagens que registram mais esta noite de alegria e boemia carioca, animada pelos irmãos paulistas:





03 Outubro 2007

PRAZERES DA VIDA NA TIJUCA

Ser acordado bem cedo pelos raios do sol, que anunciam mais uma bela manhã de domingo. Tomar cafezinho, e ir pra rua. Ir de encontro ao meu tio, companheiro matinal, e curtir as ruas do bairro andando bem devagar por elas, somente pelo prazer de olhar as casas e as árvores. Fazemos isto tomando rumo da feira, onde compraríamos mais tarde algumas frutas e verduras. Ao sair da feira, já pelas onze da manhã, parada no bar do Chico para começar os trabalhos.





Lá encontramos os amigos de bar dos domingos, que nos ajudam a enriquecer um prosa ingênua, que deve sua existência à homens bobos e felizes por estarem ali.

Depois, já na parte da tarde, simplesmente atravessamos a rua e pedimos dois chopps e duas empadas no Salete, o histórico Salete. Ficamos quase uma hora conversando em pé do lado de fora, e meia dúzia de chopps depois, resolvemos entrar para almoçar um risoto, carro-chefe da casa.





A casa estava cheia, e as simples pessoas e famílias presentes encontravam-se felizes e sorridentes.



É o retrato de um bairro nobre, tenho orgulho de morar aqui desde que existo, há mais de três décadas.

Até.