29 Setembro 2007

PRA QUEM PEGOU O BONDE ANDANDO...

A CRONOLOGIA E A NOSTALGIA DOS BONDES CARIOCAS:










1859 - Circula o primeiro bonde, puxado a burro, na cidade do Rio de Janeiro, ligando o Largo do Rocio ao Alto da Boa Vista. Esta linha era controlada pela Cia. Carris de Ferro, cuja exploração fora concedida ao empresário inglês Thomas Cochrane, em 1856.

1862 - A tração animal é substituída por máquinas a vapor, o que leva a Carris de Ferro a uma difícil situação financeira.

1865 - A empresa de carris, sem recursos para manter-se e ampliar o tráfego de seus veículos, encerra suas atividades.

1866 - É organizada a Botannical Garden Rail Road Company. A empresa, que mais tarde se transformaria na Cia. de Carris do Jardim Botânico, foi organizada a partir da concessão obtida pelo engenheiro americano Charles Greenough ao Barão de Mauá. Mauá vinha enfrentando uma série de dificuldades e não obteve sucesso com o empreendimento.

1868 - Inaugura-se o primeiro trecho da linha de bondes da Botannical Garden, ligando o Centro (esquina das Ruas Ouvidor e Gonçalves Dias) ao Largo do Machado.

1870 - The Rio de Janeiro Street Railway Company, autorizada a funcionar no Brasil em 1869, inaugura os primeiros trechos de suas linhas, ligando o Largo de são Francisco até o Portão da Coroa, na Quinta da Boa Vista, e em seguida, até o Caju e a Tijuca.

1871 - Abertura do trecho entre o Largo do Machado e a Praia de Botafogo, mais tarde ampliado até as Três Vendas (nas proximidades da atual Praça Santos Dumont) e a Ponte da Rainha (na atual Rua Marques de São Vicente). Neste ano, inaugura-se, também, o ramal de Laranjeiras.

1872 - As linhas da Cia. Ferro Carril de Santa Teresa ligam a atual Praça Quinze de Novembro ao Largo da Lapa e à Rua do Riachuelo. Deste último ponto, estende-se um ramal para Santa Teresa, que vai até o Largo dos Guimarães e a Rua Almirante Alexandrino.

1873 - A empresa The Rio de Janeiro Street Railway Company passa a chamar-se Cia. De São Cristóvão. Suas linhas atravessam áreas operárias e bastante povoadas nas freguesias de São Cristóvão e Engenho Velho, avançando pela orla da Saúde e Gamboa e pelos bairros da Tijuca, Catumbi e Rio Comprido.
A Cia. Ferro Carril de Vila Isabel, organizada em 1872 pelo Barão de Drummond e mais dois sócios, coloca em tráfego a sua primeira linha, da atual Praça Tiradentes ao portão da Fazenda dos Macacos, de cujo loteamento origina-se o bairro de Vila Isabel.

1877 - Inaugura-se o trajeto conhecido como Plano Inclinado de Santa Teresa.

1878 - Forma-se a Cia. de Carris Urbanos, englobando, numa única administração, quatro empresas: a Locomotora , a Ferro Carril de Santa Teresa (somente as linhas da parte baixa da cidade), a Ferro Carril Fluminense e a Carioca-Riachuelo. A nova companhia serve à área central do Rio de Janeiro, ligando-a aos terminais marítimos e ferroviários.

1892 - Inaugura-se a primeira linha de bondes movidos a energia termelétrica - a do Flamengo, aberta ao tráfego desde 1890. A primeira viagem foi um acontecimento de grande importância e um marco para a Cia. Jardim Botânico.
Abertura do Túnel Velho (atual Alaor Prata), perfurado pela Cia. Jardim Botânico que aliada a interesses de empresários imobiliários, monta uma estratégia publicitária para vender Copacabana como uma opção "moderna", como um novo estilo de vida. No mesmo ano, abre-se ao tráfego a primeira linha de bondes para este bairro.
Alguns diretores da Cia. Jardim Botânico, entretanto, acham arriscado e imprudente levar o bonde até "aquele recanto arenoso, sem habitação e cujo progresso seria muito lento."

1894 - Criam-se dois ramais a partir da Rua Barroso (atual Siqueira Campos), ponto terminal da Linha de Copacabana: um em direção ao Leme e outro em direção à Igrejinha, no Posto 6.

1895 - Inaugura-se a primeira linha que, passando sobre os Arcos da Lapa, liga a Ladeira de Santo Antonio ao Curvelo, em Santa Teresa.

1896 - Os bondes para Santa Teresa são eletrificados. Criam-se novas linhas que atingem o Largo do França, Lagoinha, Paula Mattos e Silvestre.

1901 - São concluídas as obras da linha Igrejinha - Ipanema que, nesta época, já conta com iluminação elétrica, apesar do bairro não estar ainda habitado.

1905 - A Companhia canadense The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Limited é autorizada a funcionar na cidade para produzir energia elétrica gerada por força hidráulica. O objetivo é promover a iluminação e a produção de força motriz para fins industriais.

1907 - Alegando a necessidade de eletrificação das linhas, a Light estende seu controle administrativo às principais companhias de bondes que operam na Zona Norte e no Centro.

1910 - A Cia. Jardim Botânico constrói uma subestação transformadora na Praia de Botafogo e , no seguinte, começa a utilizar a energia hidrelétrica da Light. A intercomunicação das linhas das duas empresas se estabelecia a partir do Largo da Lapa.

1914 - A Cia. Jardim Botânico estende seus trilhos até o Leblon, consolidando seu domínio sobre a Zona Sul da cidade. Aliás, a história da urbanização da Zona Sul está intimamente ligada à atuação da Cia. Jardim Botânico, que soube aliar aos seus , os interesses de vários grupos privados, cujo objetivo era a especulação imobiliária.

1916 - A Light consegue a transferência das concessões das três companhias de bonde que administra: a São Cristóvão, a Carris Urbanos e Vila Isabel.

1928 - A Light obtém a concessão da última companhia de bondes a burro: a Rio de Janeiro Suburban Tramway, que atuava na linha Madureira-Irajá.

1945 - A Light começa a alegar prejuízo no serviço de bondes.
1950/59 - Há uma sensível diminuição de bondes em circulação no Rio de janeiro, época em que sua população teve um aumento de cerca de 50%.

1960 - Termina o prazo da concessão da Cia.
Jardim Botânico, em 31 de dezembro.

1961 - Início da atuação da Junta de Administração Provisória dos Serviços de Bonde da Zona Sul, que passa a operar o serviço de bondes da Jardim Botânico.

1961/62 - Implantação da rede aérea de trolleys, que vão servir à Zona Sul.

1963 - A junta de Administração Provisória desativa as linhas de bonde.
Inauguradas as linhas de trolleys, na Zona Sul.
Extingue-se a concessão à Rio Light S.A e à Companhia de Transportes Coletivos - CTC - encampa os serviços de bonde da Zona Norte e de Santa Teresa.

1965/67 - Desativação progressiva dos bondes da Zona Norte. Os trolleys vão tomando o seu lugar, mas não funcionam como alternativa, devido à incompatibilidade entre a rede aérea, que utilizavam, e a de iluminação.

1968 - A partir deste ano, os bondes, no Rio de Janeiro, circulam apenas no bairro de Santa Teresa.

Ao longo do tempo, Santa Teresa chegou a ter em circulação mais de 35 bondes, alguns com reboque. Em 1975, de um total de 28 veículos, só funcionavam 18, com uma taxa de ocupação das mais altas (69%) de toda a história da vida de 84 anos, dos atuais bondinhos de Santa Teresa.

O sistema de bondes, operado pela Companhia de Transportes Coletivos - CTC do Estado do Rio de Janeiro, tem uma frota operacional de 10 bondes e opera com intervalos entre partidas da estação Carioca de 15 minutos. O sistema transporta entre 25 e 30 mil passageiros por mês.


Através do Decreto nº21.846 de 18/07/01, a responsabilidade do Sistema de Bondes de Santa Teresa, foi transferida da CTC-Companhia de Transportes Concedidos para a Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística-CENTRAL.

fonte: http://www.transportes.rj.gov.br/bonde/bonde_historico.asp

28 Setembro 2007

ADELINO MOREIRA

Nascido na cidade do Porto, em Portugal, Adelino Moreira veio com um ano de idade para o Brasil com sua família, instalando-se no subúrbio carioca, em Campo Grande. Abandonou cedo os estudos para acompanhar o pai no ramo da ourivesaria, mas logo descobriu que não levava jeito para a coisa.

Em 1938, aos vinte anos, resolveu aprender bandolim, e depois guitarra portuguesa. Em 1942, seu pai começou a patrocinar o programa Seleções Portuguesas na Rádio Clube do Brasil, comandado pelo maestro Carlos Campos, e lá, Adelino começou a cantar. Em 1945, foi convidado por João de Barro, diretor da Continental na época, para gravar os fados Olhos d'alma e Anita, o samba Mulato artilheiro, e a marcha Nem cachopa, nem comida, todas de sua autoria.


Voltou para Portugal em 1948, onde gravou diversas músicas brasileiras como intérprete.

Em 1952, conheceu o maior parceiro de sua vida, Nelson Gonçalves. A maioria das músicas que Nelson gravou eram obras de Adelino, e que viraram sucesso, como, A volta do boêmio, Meu vício é você, Fica comigo esta noite, Escultura, A flor do meu bairro, Negue, Queixas, Chore Comigo, dentre inúmeras outras. Tiveram uma briga no final da década de sessenta, mas em 1971 já estavam com a parceria retomada.

Também na década de sessenta, muitos cantores interpretaram as lindas e tristes letras de Adelino, como, Ângela Maria, Carlos Galhardo, e Orlando Silva.

Em maio de 2002, sua esposa encontrou-o estirado no chão da cozinha por culpa de um infarto fulminante, morria ao 84 anos, em Campo Grande.

Na minha opinião, um dos maiores compositores da história, com letras maravilhosamente sofridas.

Seguem duas de minha preferência:



CHORE COMIGO

Estou mais triste
Nesta triste noite fria
Sem esperança
Que ela volte para mim

Minha saudade
Transformou-se em agonia
Estou mais triste
Neste triste botequim

Beba comigo
Companheiro de tristeza
Traga seu copo
E sente-se à minha mesa

Chore comigo
Esse pranto emocional
Não se envergonhe
De chorar perto de mim

Porque a lágrima
É o desabafo natural
Entre dois copos
E a mesa de um botequim

Liberte o peito
Do amargor e da revolta
Com mais um trago
Deste traçado de anis

Faça como eu
Acostume-se à derrota
Pois a vitória
Não pertence ao infeliz



A FLOR DO MEU BAIRRO

A flor do meu bairro
Tinha o lirismo da lua
Morava na minha rua
Num chalé fronteiro ao meu

Eu conheci
O seu primeiro amor
A sua primeira dor
E o primeiro erro seu

Lembro-me ainda
O bairro inteiro sentiu
A flor ingênua sumiu
Com seu amor, o seu rei

E eu que era
Seu primeiro namorado
De tão triste e apaixonado
Nunca mais me enamorei

Hoje depois de alguns anos
Eu encontrei-me com ela
Na rua dos desenganos
Menos ingênua e mais bela

Ela fingindo desejo
A boca me ofereceu
E eu paguei por um beijo
Que no passado foi meu

A minha história é vulgar
Mas algo fica provado
Nem sempre o primeiro amor
É o primeiro namorado.

21 Setembro 2007

DESIGUALDADES...

Dando uma olhada no site do Globo durante uma pausa laboral, tive a infelicidade de encontrar a reportagem abaixo, que foi retirada do portal da BBC. Como tudo relacionado à Europa e EUA interessa ao mundinho dos marinho, a versão digital do jornaleco tascou a notícia lá.

Trata-se de uma pesquisa idiota feita na Inglaterra, que concluiu que as crianças daquelas bandas acham que não ter celular é sinal de pobreza. Ao final da nota, a tal da instituição Dare to Care, afirma que existem lordzinhos pobres por lá também. Se isto realmente é verdade, a culpa é dos governantes babacas que ficam gastando grana com guerra por motivos pífios. Países como a Inglaterra, têm a obrigação de ajudar as nações realmente pobres e sofridas.

Perguntinha:

Por que o pessoal da tal Dare to Care não fez esta pesquisa na Somália, ou no Burundi?

É verdade que eles teriam um pouco de dificuldade para obter as respostas, já que as crianças de lá (as que sobrevivem), não conseguem nem falar direito de tanta fraqueza, por causa da FOME.

Fazer pesquisa em Londres é fácil, qualquer loirinha que estuda na Oxford e enche aquelas bundas gordas diariamente num McDonald´s (que nojo escrever isto) da vida, faz este trabalho.


O textinho é este aí abaixo, que está na parte de tecnologia e status (outro asco):

"Para crianças da Grã-Bretanha, não ter celular denota pobreza"

Uma pesquisa realizada na Grã-Bretanha apontou que, na opinião das crianças, não ter telefone celular é um dos principais sinais de pobreza.

O estudo, encomendado pela instituição beneficente britânica Dare to care, entrevistou 727 crianças entre 7 e 16 anos e observou que, para em cada cinco jovens, não ter celular é uma prova de que a família atravessa dificuldades financeiras.

A tese de que falta do celular pode estar associada à pobreza foi observada principalmente nas áreas mais ricas da Grã-Bretanha, como a capital, Londres, e em Ânglia Oriental (EastAnglia), no leste do país.

As crianças ainda apontaram outros critérios para a definição de pobreza, como não participar de viagens escolares, não ter livros em casa ou não ter uniformes limpos para ir à escola.

Para Hilary Fisher, diretora da Campanha para o Fim da Pobreza Infantil, organizada pela Dare to Care, "é interessante observar que, para as crianças, os indicadores visíveis de pobreza são os que afetam diretamente".

"Não ter dinheiro para viagens escolares ou para se vestir corretamente pode resultar perguntas constrangedoras dos colegas e, em alguns casos, essas crianças podem ser vítimas de implicância e intimidação".

Segundo a Dare to Care, uma em cada três crianças (3,8 milhões) na Grã-Bretanha vive em situação de pobreza atualmente, algumas inclusive abaixo da linha da pobreza.

Segue o link da "pobreza":

www.oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2007/09/19/297786680.asp


Até

19 Setembro 2007

LUTO

Encontro-me de luto, brutalmente entristecido, isto porque um pedaço de mim acaba de morrer. Fechou nesta semana minha querida Uisqueria Bico Doce, recanto de momentos inesquecíveis, onde se encontravam amigos de uma vida inteira quase todos os dias. Situada no carioquíssimo Beco das Cancelas, e com cento e doze anos de idade, virou referência para quem gosta de uísque, de boa conversa, e simplesmente, de viver nossa cidade. Lá se falava de música e poesia, e também se fazia música e poesia, histórias do Rio eram relembradas com um enorme sentimento nostálgico, chorava-se e sorria-se sempre ao lado dos fiéis amigos e copos de boca larga.

Meu grande camarada Fernando Pinheiro ligou-me na última sexta, para me alertar do problema passado pelo comandante da casa, nosso querido Cabral. Juntamos o pessoal da confraria ontem para ver se conseguíamos ajudar de alguma forma, como se fosse o último suspiro. Mas infelizmente não foi possível manter as portas abertas, deixando mais taciturno aquele tradicional beco do centro da cidade.

Tem gente como o Fernando, que frequenta a casa há uns trinta anos, que está abatida, pois passavam por lá todos os dias, talvez com mais tempo de Bico Doce do que a própria casa.

Nossa vontade para a uisqueria ficar aberta é tanta, que ela acaba se tornando numa lírica esperança de que sempre haja um jeito, um final feliz.

Torcemos que o próximo a pegar o local, seja uma pessoa rara, e mantenha viva esta história centenária, para que os velhos e os novos amigos voltem a brindar por momentos únicos da vida.

Seguem algumas memórias que foram eternizadas em nossa querida casa:





12 Setembro 2007

RADAMÉS & JACOB

A série BOLACHA DA VEZ nos traz hoje um disco simplesmente espetacular. Um histórico lp de choro, em que o maestro gaúcho Radamés Gnattali rege sua orquestra ao mesmo tempo em que Jacob do Bandolim mostra toda sua sensibilidade enquanto acaricia seu instrumento. Essa combinação Jacob do Bandolim & Radamés Gnattali não tinha como dar errado, muito pelo contrário, virou um disco único, histórico. Chega a ser emocionante, sem exageros. O vinil "Retratos", foi lançado em 1964 pelo selo Columbia, e é uma jóia rara. Quem tem, pode bater no peito e se gabar.

A propósito, que maravilha de capa!



Vamos às faixas:

1- Retratos Suite I - Pixinguinha
2- Retratos Suite II - Ernesto Nazareth
3- Retratos Suite III - Anacleto de Medeiros
4- Retratos de Suite IV - Chiquinha Gonzaga
5- Uma rosa para Pixinguinha
6- Moto Contínuo
7- Vaidosa nº1
8- Canhoto
9- Noturno
10- Vaidosa nº2
11- Maneirando
12- Porque


Não vou me prolongar, uma vez que os adjetivos que me passam pela cabeça não são capazes de definir tamanha perfeição. O negócio é escutar. Por isso, disponibilizei a primeira faixa para que possam apreciar.


10 Setembro 2007

O PROGRAMA DESTA QUARTA

Direção de Sérgio Prata.



Até.

08 Setembro 2007

NÃO CONTAVAM COM A COBERTURA.

Camaradas, neste exato momento, Edu Goldenberg está descansando pelas montanhas do nosso maravilhoso estado com sua família, sendo assim, está um pouco afastado do front. Mas como somos um exército, e estamos fortemente unidos, sempre damos um jeito para cercar o adversário.

No mês de julho, nosso único, Luis Antônio Simas, deu sua cacetada no jota, como podem relembrar aqui, na ausência do Edu. Na época, o grande e singular Goldenberg, encontrava-se com sua Sorriso Maracanã pelas bandas de Paraty, e não pode atacar o cachorro morto. Como nosso Simas está em atividades laborais neste feriado, sinto-me no dever da bordoada.

Pois bem, hoje na coluna do jota (em minúsculo como o Edu), mais uma notinha imunda deu as caras pensando que não seria notada pelo nosso batalhão. Enganaram-se, estávamos de prontidão na trincheira:



Como podem ver acima, é um nojo só. Numa rápida olhadela diria que é coisa de viado. Uma rua de viado, um lugar de viado, e com um nome de viado. Mas vamos ler com atenção: Um clube com um nome tão imundo que nem consigo escrever (e que não explicam do que se trata o tal), em cima do Devassa (que merda), na Farme de Amoedo, com uma festa que se chama múltipla (o que significaria isto?), e um tal de Leo Janeiro de DJ colocando música eletrônica. Bom, decididamente é coisa de viado!

A cada dia que se passa, vejo que esta coluninha se torna um antro de prostituição de "notícias" de bosta. Não é possível que alguém que estudou, se formou, ou que simplesmente é sério, escreva coisas brutalmente lancinantes num dos maiores jornais do país. Isso me dá certeza para dizer que na verdade são jornalecos, e que estão longe da credibilidade dos leitores. Tem gente que trata tal coisa como blague, que ri da pífia notinha, mas na verdade deveriam gritar contra a danada, e contra todas que ainda virão.

É claro que se fosse o nosso Edu que estivesse descascando este pequeno infeliz e seus séquitos, a dor da varetada seria maior. Mas pelo menos o serviço vai sendo feito com disciplina.

O pior, é que tive que alardear tal agrave, durante a visita de uma família especial aqui na minha casa. Quase toda uma geração esteve aqui. Vieram assistir o jogo do Flamengo: Digão Folha Seca, Miguel Folha Seca, e diretamente de Pirenópolis, seu Carlos Folha Seca, o criador do poço artesiano de ternura (mais uma vez, como diz o Edu). Foi uma tarde maravilhosa, eu fiz a minha parte, pena que o rubro-negro não fez o sorriso dos Folha Seca se tornar uma enorme gargalhada. Seria a coroação.



E voltando ao entróito, deixo um recado para o jota e sua turma:

- Não adianta atirarem pelas costas meus caros, estamos sempre dando cobertura.

Até.

07 Setembro 2007

O GAROTO É BOM.

Semana passada fui à casa de meu sobrinho e afilhado Vinicius, de 4 anos, para brincar um pouco com o moleque. Aproveitei para brindar o aniversário do meu cunhado Alfredo também. Ando meio sem tempo para visitá-lo, sei que minha presença deve ser mais constante. O sentimento de culpa veio ao falar via telefone com o Vini na semana passada:

- Oi Vini, é o tio Felipe. tudo bom?

- Tudo bom tio. Quando é que você vem aqui em casa? Quero jogar bola contigo na varanda...

- Dia desses passo por aí...

E ele com a esperança ingênua de uma criança:

- Não pode ser hoje?

Neste momento percebi duas coisas:

1 - Realmente tinha logo que dar as caras na casa da minha irmã.

2 - Se o guri tá querendo que eu apareça logo, é porque faço falta para ele. Isso é bom, pois sinto-me exultado por ser querido.

Continuando.

- Hoje não dá, mas amanhã apareço por aí. Tá bom?

- Então tá tio, amanhã a gente brinca.

E foi assim. No dia seguinte depois de mais um dia de trabalho cumpri a promessa. Brinquei um pouquinho com a Lara, minha outra sobrinha de onze meses, e que gera um normal ciúme no Vini quando estou com ela, e depois me dividi entre ele e o copo de cerveja que bebia com o meu cunhado. O garoto era uma festa só, me mostrava brinquedos novos, falava novidades da escola, e da performance de seu chute na escolinha do América... Sim, ele joga no América e torce com um orgulho exagerado para o América. Já entrou até no maraca com os jogadores.



Meu afilhado, apesar de pequeno, já tem seus vícios, mais precisamente dois. Um é brincar de carrinho, e o outro é jogar bola. Tudo ele chuta, vai ser um fominha daqueles.

Conversando melhor com ele, entramos num papo ainda desconhecido para o pequeno: Jogo de botão. Não entendeu de primeira, ligou o nome do jogo com botões de camisa, e mesmo depois de uma breve explicação, creio que continuou sem entender, mas lhe veio a curiosidade. Falei-lhe de uma mesa como um campo de futebol, traves, gol... Ele tá doido pra conhecer.

Tenho mesa aqui em casa, sei que já poderia lhe ter mostrado, mas ainda é muito novinho. O que ele ficou sem entender, foi como eu ainda jogava mesmo não sendo mais uma criança.

- Tio, mas não é pra criança?

- Para crianças e para adultos Vini. O tio joga com amiguinhos dele.

Coitado do moleque, mal sabe que esses amiginhos já estão nos quarenta. Mas por isso mesmo que eu quero que ele goste do jogo. Quem sabe quando estiver com a minha idade não estará fazendo o mesmo? Tendo assim uma paixão por uma coisa tão simples. Mas para isso outros de seu tamanho devem jogar também. Faço de tudo para que ele não se ligue nesses jogos de video game, vai ser difícil, mas por enquanto estou conseguindo. Tomara que pelo menos uma pequena parcela de sua geração não cresça pobre das verdadeiras brincadeiras de rua, e assim possam entender nosso intenso sentimento, e vício, por um joguinho de botão, mesmo já beirando a terceira idade.

Por enquanto ele está no caminho. Quem sabe...

Não podemos perder a esperança nunca, mesmo que seja inocente como a de uma criança.

Até.