29 Junho 2007

AINDA NOS SERVE

Poema escrito por Neruda em protesto contra a guerra civil espanhola na década de 30. Faz tanto tempo...
Mas para nós, ainda parece útil...


ODE SOLAR AO EXÉRCITO DO POVO
Pablo Neruda

Armas do povo! Aqui! A ameaça, o assédio
ainda derramam terra mesclada de morte,
áspera de aguilhões!

Saúde, saúde
saúde te dizem as mães do mundo,
as escolas te dizem saúde, os velhos carpinteiros,
Exército do povo, te dizem saúde com as espigas,
o leite, as batatas, o limão e o loureiro,
tudo o que é da terra e da boca
do homem.

Tudo, como um colar
de mãos, como uma
cintura palpitante, numa obstinação de relâmpagos,
tudo se prepara e converge para ti!

Dia de ferro,
azul fortificado!

Irmãos, adiante,
adiante pelas terras aradas,
adiante pela noite seca e sem sono, delirante e gasta,
adiante entre vides, pisando a cor fria das rochas,
saúde, saúde, sigam. Mais cortantes que a voz do
inverno,
mais sensíveis que a pálpebra, mais firmes que a ponta do
trovão,
pontuais como o rápido diamante, novamente
marciais,
guerreiros segundo a água de aço das terras do centro,
segundo a flor e o vinho, segundo o coração espiral da terra,
segundo as raízes de todas as folhas, de todas as
mercadorias fragrantes da terra.
Saúde, soldados, saúde, barbas ruivas,
saúde, trevos duros, saúde, povos detidos
na luz do relâmpago, saúde, saúde, saúde,
adiante, adiante, adiante, adiante,
sobre as minas, sobre os cemitérios, frente ao
abominável
apetite de morte, frente ao eriçado
terror dos traidores,
povo, povo eficaz com coração e fuzis,
com seu coração e fuzis, adiante.
Fotógrafos, mineiros, ferroviários, irmãos
do carvão e da pedra, parentes do martelo,
bosque, festa de alegres disparos, adiante,
guerrilheiros, chefes, sargentos, comissários políticos,
aviadores do povo, combatentes noturnos,
combatentes marítimos, adiante:
diante de vocês
não há mais do que uma mortal cadeia, buraco
de pescados mais podres: sempre adiante!
não há ali senão mortos, moribundos,
pântanos de terrível pus sangrento,
não há inimigos; pra frente, Espanha,
adiante, sinos populares,
adiante, regiões de maçãs,
adiante, estandarte de cereais,
adiante, gigantes de fogo,
porque na luta, na onda e na pradaria,
na montanha, no crepúsculo carregado de acre aroma,
levam um nascimento de permanência,
fio de difícil dureza.
Enquanto isso,
raiz e grinalda sobem do silêncio
para esperar a mineral vitória:
cada instrumento, cada roda rubra,
cada cabo de serra ou roda de arado,
cada extração do solo, cada sangue em tremor
quer seguir teus passos, Exército do povo:
tua luz organizada chega aos pobres homens
esquecidos, tua definida estrela
crava seus roucos raios contra a morte
e estabelece novos olhos de esperança.

27 Junho 2007

SOM, SANGUE E RAÇA

Voltamos com a série BOLACHA DA VEZ, só que agora com o poderio da música negra, ou melhor, a música negra nacional. Como podem ver na foto, trata-se do lp Som, Sangue e Raça da banda Dom Salvador e Abolição, que saiu em 1971 pela CBS. Este grupo era liderado pelo gênio do piano e também flautista Salvador Silva, que iniciou a carreira aos 12 anos como pianista, depois tocou com Elis, Quarteto em Cy, Jorge Ben, foi tocar com Edu Lobo numa turnê pela europa, com Elza Soares nos EUA, e depois montou esta banda somente de negros, bem no auge da movimento musical negro no Brasil.

Dom Salvador

Ele era acompanhado por feras como o trombonista Raul de Souza, fez um som jazzístico regado a soul e muito ritmo africano. A grande diversidade de instrumentos, como acordeon, vários metais incluindo tuba, e os pianos de Salvador, foi o alicerce para que este vinil se tornasse uma obra prima da música brasileira.


Lp muito difícil de ser encontrado, e o cd que foi lançado nos anos 90 é tão difícil quanto. Documento indispensável para os amantes e pesquisadores da música negra, a melhor de todas, que vence dificuldades de segregação e cria maravilhas recheadas de ritmo e alegria, em trabalhos com muito som, sangue e principalmente raça.


faixas:

1. Uma Vida
2. Guanabara
3. Hey! você
4. Som, sangue e raça
5. Tema pro gaguinho
6. O Rio
7. Evo
8. Number one
9. Folia de reis
10. moeda, reza e cor
11. Samba do Malandrinho
12. Tio Macrô

Deixo a canção "Uma Vida" para que possam escutar o sentimento de nossa música negra.



21 Junho 2007

TEMPOS IGUAIS, MUNDOS DISTINTOS

Às vezes penso que vivo em uma época em que não queria viver. Estou meio cansado de ver o comportamento, na sua maioria de consumismo, que se prega nos dias de hoje. Dias em que grande parte da população provida de uma enorme inépcia, já domada pela hipnose coletiva que é a televisão e por outros meios tão pobres quanto - haja canalhas -, trata de venerar coisas que fazem com que os anos 70, 80 e até o começo dos 90, quer dizer, ontem, pareçam seculares.

Alguns desses comportamentos chego a pensar que são doentios, pois me deixam perplexo a ponto de duvidar da inocência da criança de ontem. Creio que não só a criança está incluída nesta inocência, a forma simples que se vivia tratava de dar um ar de ingenuidade para muitos, não se havia tanta maldade interior e existia o romantismo, que hoje está praticamente extinto.

Estão acabando com a bola de gude, a pipa, o elástico das meninas na pracinha do bairro , o pique-esconde e todos os outros piques, cabra-cega, pega-varetas, taco, a própria pelada descalço na rua quase não vemos mais, bambolê, e inúmeras outras bincadeiras sadias que não pregavam a individualidade do ser humano.

Hoje temos a praga dos jogos eletrônicos, ou games, que criam uma porrada de bitolados por aí, ô geração infeliz! Para se jogar uma bola, a molecada exige dos pais tênis de marca, e camisas idem, isto porque a sociedade esquálida que está aí dita esta regra. Adolescentes anormais pagando fortunas para saírem à noite em lugares vis, e falando com o jargão dos bandidos porque acham bonito, é "onda". Gente que não é nem criança e nem adolescente e que esquece a boniteza do passado recente desandando no presente, frios e sem sentimentos, mas prontos para pagarem 400 pratas num concerto do Chiclete com Banana no Citibank Hall. Lástima! Aliás, quando se anda num shopping, segunda casa de muitos, parece que estamos fora do país, já que a idolatria está na língua do Mickey, rato nojento. Quando estão em promoção é "Sale" ou "Off", tománocú. A cada semana se troca de celular, de carro, de televisão, de aparelho de som... Só enchendo o bolso dos grandes e deixando o pobre cada vez mais pobre. Por onde anda o técnico de som do bairro? Está em extinção, porque hoje tudo é descartável. E o técnico de som vai fazer o quê? Fecha a loja e fica sem emprego! E que se foda, ninguém liga pro cara ou pensa nisso.

Hoje todos se gabam por causa dos avanços tecnológicos, mas o avanço real está no crescimento do capitalismo. Todos essas bugigangas modernosas são frágeis, e fabricadas assim de propósito para que depois se compre outro novo, acabando com o emprego de muita gente. Há dois meses comprei um vitrola Philips valvulada de 1959 funcionando em perfeito estado, mostrei a menina aqui, e tiveram pessoas que olharam com deboche, mas se um dia ela apresentar defeito tem conserto, agora, se um "ipod" desses der pau pode jogar fora amigo.

Mas a resistência está aí, com aliados que também tem comportamentos que chocam e escrotizam este povinho sem cabeça que infelizmente medra a cada dia. Estes aliados geralmente gostam de coisas em comum como escutar a resenha na rádio AM, frequentar pé-sujo, escutar discos de vinil, andar com walkman (fita K7) em dias de mp3, ir à feira, ao Mercadão de Madureira (tem gente que infarta ao escutar este nome), rodas de samba em botecos, fazer roupas em alfaiate (recomendo o seu Lavandeira da Lapa), ir ao galinheiro (indico o frequentado pela minha avó, na Rua André Cavalcanti no Bairro de Fátima)... E a lista é grande.


Imagina você conhecer uma garota dessas nojentinhas e fazer o convite:

- Meu bem, vou levá-la para almoçar, vamos comer um angú, adoro angú.

- Aiiiiiiii! Angú???? Que mico, não vou não. Me leva no Outback do New York City Center.


E a nojeira é por aí mesmo, temos que combatê-la.

Sigamos de mãos dadas.



Rádio AM com cafezinho pela manhã. Viva!

Até.

17 Junho 2007

HEI DE TORCER...

Mês que vem começa mais um sofrimento de meu querido América, a luta pelo título da série C. Ainda tenho esperança de que subiremos um dia para voltarmos de onde não devíamos ter saído, a primeirona. Aliás, descemos em 1988 juntamente do Bangu, Santa Cruz e Criciúma numa armação do grupo dos 13.

Vou sempre nos jogos, principalmente para estar com aquela singular torcida, quase toda repleta de cãs na cabeça, mas tem uma criançada que está vestindo a camisa rubra também, principalmente depois das últimas três campanhas do América no Carioca. Inclusive consegui que o meu sobrinho de 4 anos entrasse no gramado histórico do Maracanã de mãos dadas com os jogadores, o moleque diz que é rubro, e está na escolinha da Campos Sales.

Você conversa com os torcedores, e muitos que estavam na final de 60 e 74 ainda povoam a velha arquibancada, e crêem em um novo título, sempre fazendo juras de amor pela equipe do coração. É de arrepiar. Na final da Taça Guanabara do ano passado, a tia Ruth - 83 anos - torcedora máxima, teve que ser levada para o posto médico depois do pênalti não marcado em cima do Cris, e eu espatifei meu radinho no chão. Coisas do futebol.

Espero que um dia tenhamos escretes como os de 60, 74, e 82, e jogadores como Nilo, Quarentinha, Castilho, Pompéia, Ivo, Flecha, Edu, Luisinho, Eloi, Gilson Nunes, entre outros, para que nossa massa possa voltar a encher os estádios sabendo que brigaremos de igual para igual com o adversário. A série C é difícil, mas temos que acreditar.




Tomara que logo tiremos outras fotos destas, porque esta aí foi a última, e comemora o jubileu de prata pelo seus 25 anos neste mês, quando relembramos o título de Campeão dos Campeões em cima do Guarani.

Agora, o foda, é estar escrevendo e ficar sabendo que acabamos de perder de 5 a 0 para o Bangu pela Copa Rio, campeonato classificatório para a Copa do Brasil.

Mas o que importa é que o grito sempre será o mesmo: Hei de torcer, torcer, torcer...

14 Junho 2007

CHE

Hoje, Ernesto Guevara de la Senra completaria 79 anos.

Depois de tanto tempo a luta ainda continua...

Feliz aniversário comandante.


13 Junho 2007

CANTINHO DOS AMIGOS

Na semana passada, precisamente na quinta - Corpus Christi - resolvi dar uma pedalada pelas redondezas de meu querido bairro, sem rumo, apenas para distrair a monotonia e quiçá engrandecer o meu destino pelo caminho. Tinha tricolor pacas nas ruas por causa do título da Copa do Brasil (faziam 23 anos...) dando de certa forma um ar de alegria em cada esquina. Os botecos estavam cheios, e assunto não faltava naquela ensolarada manhã.

Andava com minha caloi 10 datada de 1979 pela rua Barão de Mesquita quando por acaso fiquei defronte a um interessante pé sujo que estava cheio de gente, uns jogando dominó numa mesa da calçada, outros em pé com seus copos na mão observando a calorosa partida, e os demais lá dentro sentados. O nome da casa faz jus aos fregueses, Cantinho dos Amigos.


Cantinho dos Amigos

Uma canção familiar sonava por ali, e somente quando me cheguei à beira do balcão para pedir uma garrafa - capa branca - ao Chiquinho, percebi que vinha de um radio toca-fitas muquirana, velho e lindo para caceta, que tocava através de seus humildes falantes a música Chore Comigo, e a voz era do singular Nelson Gonçalves, um de meus preferidos. Pouco tempo atrás, na coluna BOLACHA DA VEZ aqui do Boemia & Nostalgia, falei sobre um disco dele e disponibilizei exatamente esta faixa para a audição.

Um pouco depois chegou meu camarada Murillo, torcedor do América, e ficamos por ali por mais algum tempo, pude então olhar alguns quitutes do local, como a porção de moela refogada no alho e língua com cebola e pimentão.

Ao marchar, veio comigo a certeza de que voltarei, simplesmente por se tratar de um botequim honesto, e que tem o seu valor. Resolvi neste momento começar a empreitada de realizar um censo dos botecos da região, incluindo até as menores portinhas. Vai ser bacana.

Fiz ainda uma pequena parada no bar do Chico, velho conhecido da patota da área, como Simas e Edu Goldenberg, que sempre param por ali depois da feira dominical, e Vicente, um coroa ex-vizinho meu, boa praça. Murillo, taxista que nunca leva passageiro, eu nunca vi, inicia neste bar o que ele chama de círculo vicioso. Começa no bar do Chico, passa pelo bar Pink, Columbinha, e termina no Joaquim. Depois reinicia o trajeto quando pode, sempre pagando cerveja para os amigos e vice-versa. É um figura do nosso cotidiano.


Murillo no bar do Chico


Até o próximo bar.

11 Junho 2007

HERÓIS?

Não é nenhuma surpresa abrirmos os jornais e lermos algumas besteiras, ou coisas acima disso, ainda mais nos dias de hoje, onde somos trucidados por notícias apelativas e que chegam ao seu público sem nenhum cuidado. Pois hoje li uma notinha na coluna do Ancelmo Gois que não queria ler, e creio que muitas pessoas também não queriam, por isso faço este curto relato como leitor indignado, que paga esperando não encontrar tal despautério ao ler seu periódico matinal juntamente do café.




Agora que sabem do que se trata, insisto na questão:

Porque tenho que saber disso? O que esta merda vai me adicionar?

A nota diz que alguns atores, creio que são os citados, estão presos em Bariloche por causa do tempo e que sairão de lá num avião fretado para não atrapalhar as gravações da novela das sete. Foda-se, que continue o mal tempo e que fiquem por lá. Quando se trata de coisa séria esse pessoal não se coça, não manda jatinho, mesmo dentro do Brasil.

Agora, o ápice da tolice está na última frase, onde quem escreveu tal aberração afirma que estas pessoas são nossos heróis da ficção. Pelamor de Deus! Nego tá de sacanagem! Tanta gente aí que é consagrada, e que podemos até dar o título de herói pelas emoções que nos deram e nos dão, que eu teria vergonha de escrever tal vexame. Vergonha, este é o adjetivo que lhes falta.

Eu nem vou listar meus ditos heróis, ou simplesmente pessoas pelo qual tenho maior admiração, porque sei que deixarei muitos de fora, mas que eles não se parecem nem um pouco com este povo aí em cima, isso posso te garantir...

Até

07 Junho 2007

JESUS ESTÁ CONOSCO

Está voando neste momento para a Espanha o meu camarada Jesus, sim, eu conheço Jesus. E isso desde 1999, quando este boa praça e carioca de 53 anos andava numa loja de vinis na Galicia na época em que eu morava lá, nesta magnífica terra celta. Chegamos a abrir um bar em Santiago de Compostela, mas o banzo pelo Brasil foi mais forte, e para a minha felicidade estava certo, no natal de 2000 voltei para a cidade maravilhosa. Ele não acreditava que estava eu largando a Europa para voltar, mas hoje ele me entende, pois também não aguenta mais ficar longe de casa. Jesus veio por uma semana para resolver coisas de família, e demos umas voltas juntos nestes dois últimos dias. Na segunda fui mostrar-lhe como anda a Lapa, pois tinha vontade de revê-la. Rodamos todos os cantos e rapidamente ele percebeu o surgimento de bares de merda pela redondeza, até que bradou quando avistou o Antônio's ao lado do Informal:

- Que poooorra é essa!!!!

Aí comecei a lhe explicar todo o processo de anti-cultura que estão querendo semear na cidade, e com a ajuda em peso da canalha, que faz questão de reverenciar estes antros de desconhecedores. O bom é que Jesus está do nosso lado, gosta do que é nosso, ama os botequins de verdade, sabe quem é, e o que faz a canalha, e sempre que pode se envolve nesta batalha também.

Acabamos nos sentando no Alemão (Bar Brasil), pois precisávamos nos hidratar com aquele líquido amarelo e cheio de pressão, perdi a conta do número de caldeiretas, ficamos até fechar, para matar a saudade. Na terça, desta vez com minha mulher Heloisa e meu cunhado André, tomamos a entradeira no Alemão novamente, e depois o levamos para assistir a roda de choro no Trapiche Gamboa. Quando entramos, percebi sua feição de alegria, ele estava sentindo que seria uma noite daquelas, fundamental na sua decisão de retornar para a América do Sul. E foi.


Eu e Jesus

Só rolou Pixinguinha e Jacob do Bandolim, papa fina, com os músicos muito inspirados na clarineta, sax, flauta transversa, bandolim, sete cordas e pandeiro. E tome cerveja! O lugar estava cheio, pessoas dançando e sorrindo umas para as outras, foi quando puxou-me pelo braço e disse:

- Irmão, estou voando amanhã, mas já estou decidido, voltarei. Nestes sete dias que passei aqui só aconteceram coisas boas, não aguento mais aquele frio e aquela neve, é muita depressão. As pessoas são muito conservadoras, poucas são as que te acolhem, aqui não, existe uma palavra que se chama AFETO - gritou ao dizê-la - e isso é o que me passam aqui. Sinto-me querido pelo próximo, estes sete dias venceram os sete anos que vivo fora, pode anotar, já voltei.

E realmente era a noite. Começamos a conversar com o povo de duas mesas ao lado e unimo-nos em uma só. Cada um falando um pouco de sua vida, até que todos souberam da vontade de meu camarada em regressar. No instante do intervalo, quando ele retornava do banheiro, todos começaram a bater palmas e gritar ao mesmo tempo:

- Fica Jesus! Fica Jesus! Fica Jesus!

O que é isso bicho! Até eu me emocionei na hora. A galera se solidarizou com ele, que por sua vez não pôde evitar as lágrimas, que vieram por culpa de pessoas que jamais tinha visto, foi a batida do martelo. E para completar, na saideira da roda de choro o flautista pegou o microfone e mandou:

- Esta última canção dedicamos ao Jesus, para que ele volte logo!

Na altura do campeonato o lugar todo já sabia do causo, começaram a rir. Uma destas pessoas, uma linda senhora de 75 anos que dança prá burro e já estava em nossa mesa, era Sônia Prestes, prima do Cavaleiro da Esperança, gente finíssima. Conversamos bastante sobre o Rio antigo e nossa cultura em geral, ela é outra amante de história.


Eu e Sônia Prestes

Partimos todos ao mesmo tempo e nos despedimos de Jesus, já sabendo que sairemos outras vezes em breve. Percebi neste dia como ainda existem pessoas partidárias à gentileza, ao amor, e ao sentimento. Ainda temos um grande exército para lutar contra os "grandes" que insistem em acabar com tudo isso, que são de pedra, prezam o material, o que não é nosso, e querem levar todos para o lugar que é somente deles, a chafurda.

Fiquem com Jesus.

04 Junho 2007

ACEPIPE COMPANHEIRO

Um exame de sangue de vez enquando todo mundo faz para ver como é que anda a carcaça, eu como já andei pisando na bola com o colesterol em anos passados procuro me precaver. Há tempo que não tenho problemas com ele, e isso devido à um alimento rico em fibras e com alto valor proteico que auxilia meu corpo no combate ao danado. São meus queridos tremoços.

Os tremoços são sementes de uma leguminosa conhecida como tremoceiro, e suas fibras são classificadas como solúveis. São da família das lentilhas, do grão de bico, da soja e do feijão. Para a minha sorte, esta maravilha quase medicinal é mais facilmente encontrada nos verdadeiros botecos do que em qualquer outro lugar. Mas preste atenção, na zona sul não tem, o pessoal daquelas bandas vai pensar que são frutos do mar (como já ouvi por lá), as patricinhas vão ingerir pensando ser alguma pastilha pra celulite, e assim vai piorando... Isso é coisa de Zona Norte e Subúrbio.

São alguns os benefícios deste acepipe:

- Diminuição dos níveis de colesterol

- Redução do esvaziamento gástrico.

- Retardo na absorção de glicose

- Proteção contra o câncer de intestino

- Possui baixíssima caloria.

Pode-se dizer ainda que os tremoços ajudam no problema de pedras nos rins, já que sempre são acompanhados com muita cerveja.




São plantados há mais de 4 mil anos tendo como origem a região mediterrânea, por isso sua tradição em Portugal, de onde nos foi trazido.

Com casca ou sem casca, nunca deixe de pedir seu pratinho para petiscar antes de almoçar no seu pé sujo preferido.

Até