23 Abril 2007

SALVE JORGE

Dia 23 de Abril é um dia muito especial para a maioria dos cariocas, já que é em nosso estado que São Jorge tem mais admiradores. Igrejas cheias com sol ou chuva, e o povo desvia-se do seu cotidiano em prol da fé. Um santo que é adorado há séculos por sua fama de guerreiro, é querido em inúmeros países.

Há quem prefira, como eu, fazer uma visita para São Jorge em outro lugar onde também é muito amado e sempre está em seu altar, sempre em um cantinho especial, e este lugar como sabem, é o botequim. A grande maioria deles possuem uma imagem do guerreiro, e há quem diga que boteco que é boteco tem que ter um São Jorge na casa.



Existem vários botequins que frequento, e são várias as imagens, cada uma mais enfeitada que a outra. Porém, tenho minha preferência, e se me pedissem para escolher diria que é o santo do bar Valentim, lá na Pereira de Siqueira, Tijuca, Zona Norte... Fizeram um altar na parede amarela e colocaram uma enorme imagem com uma luzinha vermelha, realmente ficou bonito e imponente.

Mas o guerreiro está espalhado por aí, no Joaquim, Salete, Bar Afonso Pena, Armazém Senado, Pink, bar do Geraldo na Abolição, e muitos outros. Quem quiser fazer uma rezinha sem ir para igreja a solução é essa, compareça em algum botequim de fé e una o útil ao agradável.

Bom feriado a todos, viva São Jorge, e viva os grandes botecos da cidade!

20 Abril 2007

ESTEPHANIO'S - 7 ANOS

Completaram-se ontem 7 anos do Estephanio's, que apesar de pouca idade já tem muita história pra contar. Fiz questão de comparecer, aliás, como faço todo santo ano, desde o primeiro. Ao chegar sentei-me à mesa com o Fernando e ficamos conversando sobre o pessoal das antigas da casa e de como o tempo passa rápido, parece que foi ontem a inauguração. Falávamos também dos casais que se formaram no lugar e nas famílias que nasceram ali. Minha irmã e meu cunhado começaram ali e hoje tenho dois sobrinhos, Heloisa já está comigo há quase 6 anos e o primeiro chopp que bebemos juntos também foi lá, muita gente se conheceu no bar.

Embora toda a turma das antigas não estivesse lá, muitos marcaram presença, e junto com o pessoal mais novo encheu o lugar de felicidade, marca eterna do Estéfi, todos conversando com todos, como uma família unida. Senti a falta do meu irmão Zé, pois já bebemos muitas naquelas mesas, e ontem infelizmente não pôde comparecer.

Fico feliz pelo pessoal do Estephanio's, que conseguiu fazer com que o lugar se torna-se referência de botequim, e vem crescendo a cada dia. O bloco Segura para não cair é exemplo disso, durante alguns anos homenageou pessoas lindas do nosso samba, como Aldir Blanc, João Bosco e Beth Carvalho. Falando em Aldir, esse é um cara que é frequentador do bar, o pessoal colocou até um busto dele na parede, como se fosse um santo.

Parabéns Estephanio's, e a todos que comandam e frequentam este fabuloso lugar da Zona Norte, pessoas que sempre estão com um sorriso nos lábios e amizade do coração, coisa rara nos dias de hoje.

Vou deixar uma letra do Aldir com parceria de Silvio da Silva Jr. como uma humilde oferenda para o Estéfi:


"Amigo é pra essas coisas"

-Salve
.Como é que vai?
-Amigo há quanto tempo
.Um ano ou mais
-Posso sentar um pouco?
.Faça o favor
-A vida é um dilema
.Nem sempre vale a pena
-
.O que que há?
-Rosa acabou comigo
.Meu Deus porque
-Nem Deus sabe o motivo
.Deus é bom
-Mas não foi pra mim
.Todo amor um dia chega ao fim
-Triste
.É sempre assim
-Eu desejava um trago
.Garçon mais dois
-Não sei quando eu lhe pago
.Se vê depois
-Estou desempregado
.Você está mais velho

.Vida ruim
-Você está bem disposto
.Também sofri
-Mas não se vê no rosto
.Pode ser
-Você foi mais feliz
.Dei mais sorte com a Beatriz
-Pois é
.Tudo bem
-Pra frente é que se anda
.Você se lembra dela
-Não
.Lhe apresentei
-Minha memória é fogo
.E o "largent"?
-Defendo algum no jogo
.E amanhã?
-Que bom se eu morresse
.Pra que rapaz?
-Talvez Rosa sofresse
.Vá atrás
-Na morte a gente esquece
.Mas no amor a gente fica em paz
-Adeus
.Toma mais um
-Já amolei bastante
.De jeito algum
-Muito obrigado amigo
.Não tem de que
-Por você ter me ouvido
.Amigo é pra essas coisas
-Tá
.Toma um Cabral
-Sua amizade basta
.Pode faltar
-O apreço não tem preço
Eu vivo ao Deus dará

17 Abril 2007

CARLITOS E CARTOLA

No fim da tarde de hoje fui ao cinema com a Heloisa assistir ao filme Cartola, eu disse ao CINEMA, e não a estes cubículos de merda que se ploriferam dentro dos shoppings. Fui ao Odeon na Cinelândia, datado de 1926.

Chegamos um pouco cedo, e resolvemos comer em algum lugar. Prontamente me lembrei do Carlitos, que fica de fronte ao teatro Rival:

- Já foi no Carlitos Heloisa?

- Não

- Você vai gostar, é um boteco que tem um pastel gostoso, mas o principal é a batida de gengibre...

Chegando lá, o espanto, o bar estava com as portas fechadas e o prédio com tapumes em volta, nem o letreiro tinha mais. Fiquei uns cinco minutos olhando ainda surpreso, quando resolvi perguntar para um segurança do Rival:

- E o Carlitos? Fechou para obras?

- Antes fosse irmão, o dono desse prédio parece que vendeu ele todo, até o bar que ficava embaixo... Uma pena, esse boteco era muito bom...

Como uma coisa dessas pode acontecer? Pé-sujo não pode fechar, ainda mais com o naipe do Carlitos, quem fez uma coisa destas não tem noção do mal que prestou para muitas pessoas. O que tem que fechar é o Belmonte, essa praga, Informal, Antônio's... Não gosto nem de ficar escrevendo sobre esses lixos. Bom, fica aqui o protesto e a tristeza, outro dia estive no bar e bebi a última ser saber...

Voltamos então para o cinema sem comer porra nenhuma, só compramos pipoca do lado de fora e entramos. Sobre o filme, posso dizer que é interessante, mas faltou alguma coisa de informação nele. Vale muito pelas imagens do Rio antigo, das rodas de samba no Zicartola e dos sambistas nos bares, mas fica devendo um pouco quando se trata do próprio Cartola, acho que sua vida poderia ser mostrada de melhor forma para o espectador, que fica com algumas dúvidas ao término da película.



De qualquer maneira, é um importante registro de um dos maiores compositores do país, saí do Odeon satisfeito.

Abraço.

16 Abril 2007

BLACK PRINCESS

Bar Rainha de Santana! Neste pé-sujo, ou melhor, pé-imundo, tomei umas garrafas com dois caras da velha guarda do jornal ao sair do trabalho. Renato Jorge e Peninha, somando o tempo de empresa dos dois dá o dobro da minha idade, sente a experiência. Estava eu meio perdido por ali quando o Renato praticamente ordenou:

- Fala aí rapaz, vamos tomar uma Black Princess ali no boteco.


Concordei prontamente, e ao mesmo tempo perguntei-lhe sobre esta cerveja preta já que tinha se extinguido há uns 15 anos:


- A Black Princess não tinha acabado?

- Mas voltou agora, está sendo engarrafada pela cervejaria Teresópolis.

Pensei comigo, caralho, isso é muito bom. Esta cerveja é datada de 1882 e era fabricada em piedade umas décadas atrás. Quem começou a fabricá-la foi a cervejaria Princesa que foi inaugurada por D. Pedro II. Era a cerveja escura mais vendida no Rio de Janeiro na época do império.

Fiquei tão feliz com isso que bebemos umas quantas garrafas, e detalhe, de 600ml. Quando puderem comprem e apreciem esta cerveja, é muito saborosa. Já estou atrás de umas aqui pra casa...



Peguei até esse rótulo para o pessoal não pensar que é sacanagem. E o Rainha de Santana é pé-imundo, mas é maravilhoso, esquina da Rua de Santana com Irineu Marinho. E cerveja com nome de princesa e boteco com nome de rainha tem que dar certo! (Não podia deixar de escrever isto).

Até.

10 Abril 2007

LINDA CANÇÃO

Caros companheiros, acabo de perceber que minhas lágrimas banham meus olhos. Lágrimas que nasceram por culpa de uma canção que acabo de ouvir, "Quando eu me chamar saudade", de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, uma obra prima. Como que pessoas que não puderam estudar fazem uma preciosidade dessas? Isto é vivência, é inteligência, é arte. Esta magnífica música é cantada pela voz melancólica de Nelson Cavaquinho, mestre que fazia samba como poucos. Que letra, que arranjo... Sem falar no trombone de vara e na flauta que se complementam com perfeição... Só ouvindo. E se isso toca quando eu estiver num boteco acho que passo até mal.


"Quando eu me chamar saudade"

Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito

Sei que amanhã quando eu morrer
Os meus amigos vão dizer
Que eu tinha bom coração
Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear
Fazendo, de ouro, um violão
Mas depois que o tempo passar
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim

Que faça agora
Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga
Para aliviar meus ais
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais


Que delicadeza. Pura verdade com simples palavras, que emocionam pessoas décadas depois de escritas. Feliz sou eu de poder chorar ao apreciar tal maravilha.

Grande Abraço.


06 Abril 2007

SEMPRE NELSON...

Há um mês atrás dei início a série BOLACHA DA VEZ, com a nossa gloriosa Dolores Duran. Em termos de boemia e nostalgia, musicalmente falando, temos um vasto repertório de músicos que contribuiram de forma estupenda para hoje possuirmos este maravilhoso cancioneiro. No decorrer desta prosa quero lhes apresentar um disco bem conhecido, de uma das vozes mais imponentes do Brasil, Nelson Gonçalves.




O disco "A volta do Boêmio", de 1957, possui 12 canções, e todas elas de Adelino Moreira. Parceiro e compositor preferido de Nelson, Adelino era português do Porto e veio pequeno para o Brasil, onde apredeu bandolim e compunha fados. Clássico da música sentimental com magníficos sambas, foi feito para provocar o coração dos mais fracos e dos que estão sós porque foram abandonados. Companheiro ideal de seus ouvidos quando estás sentado à mesa de um botequim.

Destaco todas as canções deste lp, por suas lindas músicas e letras.

Nalsom Gonçalves nasceu em Santana do Livramento (RS) em 1919, e veio para São Paulo ainda menino. Quando pequeno tinha o apelido de metralha pois praticamente falava cuspindo as palavras, era taquilárdico, e quando jovem tornou-se boxeur ganhando 24 lutas por nocaute e perdendo apenas duas por pontos. Depois foi estudar canto acadêmico, foi reprovado várias vezes nas rádios (inclusive por Ary Barroso) mas no final deu no que deu...

faixas:

lado2
1- Meu vício é você
2- Escultura
3- Flor do meu bairro
4- Mariposa
5- Queixas
6- Enigma

lado1
1- A volta do boêmio
2- Fica comigo esta noite
3- Chore comigo
4- Deusa do asfalto
5- Êxtase
6- Ultimato

Emocione-se ouvindo "Chore Comigo", para isso clique aqui.


Grande abraço, e até a próxima.